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Rádio francesa goza com os portugueses: “É como se houvesse uma criação de gado”

O radialista Philippe Caverivière falou ainda sobre o péssimo gosto de Cristiano Ronaldo e os horários dos restaurantes no desconfinamento.
Cristiano Ronaldo foi um dos alvos.

Ficou “agradavelmente desiludido”. Foi desta forma que Philippe Caverivière, da rádio francesa RTL, falou de Portugal e dos portugueses, numa crónica feita após uma passagem pelo nosso País. O radialista disse que a diferença no fuso horário de uma hora é bem diferente quando se trata de moda. “Os portugueses vestem-se em 2008″ e colocam gel no cabelo “com efeito cimento, porque são portugueses”.

“Na verdade”, prosseguiu, “todos os jovens portugueses usam óculos dourados, tatuagens ‘Only God Can Judge Me’ e T-shirts demasiadamente apertadas. É estranho um país inteiro querer parecer-se com os concorrentes de reality show, é como se houvesse uma criação de gado”.

Cristiano Ronaldo foi dado como exemplo particular de mau gosto. “É bilionário e já viram como se veste?”. “Os antepassados dos portugueses descobriram as Índias, os descendentes descobriram a Guess, a Zara e a Desigual”, acrescentou.

A passagem recente de férias por Portugal valeu algumas piadas sobre o encerramento de estabelecimentos às 13 horas ao fim de semana (“se a pessoa acordar às 12h30 o dia é curto”). Como seria de esperar, as piadas não foram bem recebidas por todos os portugueses e filhos de emigrantes em França. Nas redes sociais, por exemplo, houve quem apontasse Philippe Caverivière como exemplo de arrogância e considerasse a crónica um caso de xenofobia.

Por cá, o humorista e radialista Luís Franco-Bastos, equipado com a camisola da seleção portuguesa, aproveitou para responder na sua crónica na RFM. “Eu fui investigar o perfil do Philippe Caverivière e devo dizer que não recebo dicas de pessoas que, tal como ele, usam colares de madeira”. “Vai para a rádio vestido como o Tarzan”.

Luís Franco-Bastos fez depois um paralelismo com a sua própria experiência de passar uma semana em França. O humorista recordou que aterrou em Paris a 1 de janeiro de 2015, dia do atentado ao jornal satírico “Charlie Hebdo”. “Quando aterro o aeroporto estava cheio de militares, a cidade virada do avesso, foi horrível saber que cronistas tinham sido assassinados a sangue frio por causa de uma piada religiosa, em compensação posso dizer que em França andava tudo muito bem vestido, que acho que é o que interessa”.

“Era impossível para nós competirmos coma sofisticação dos outfit parisienses que eu vi. Andávamos nós com t-shirts justas já eles andavam de colete à prova de bala para poder sair de casa (…). Comparando a experiência que o Philippe teve em Portugal com a que eu tive em França, preferiam chegar a um sítio onde só há roupa de 2008 ou a um sítio onde se tem liberdade de expressão do século XVI?”, acrescentou.

Já sobre os comentários a Ronaldo, Bastos aproveitou para lembrar que o capitão da seleção apareceu muito bem vestido em França, “com um belíssimo adereço”: a taça de campeão da Europa que a Seleção Nacional conquistou naquele país em 2016, precisamente contra a seleção francesa.

O próprio Philippe Caverivière partilhou a resposta de Luís Franco-Bastos à sua crónica nas redes sociais com um elogio que traz à memória a expressão francesa “touché”: “ A resposta engraçada e inteligente do meu colega português”.

Réponse drôle et intelligente de mon confrère portugais

Posted by Philippe Caveriviere on Tuesday, April 13, 2021

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