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Petição pública e custos financeiros. O que aconteceu à Cidade do Padel em Oeiras?

O projeto que envolvia um complexo de 15 mil metros quadrados tinha sido aprovado pela Câmara Municipal de Oeiras, em 2023.

A febre do padel chegou a Oeiras há alguns anos, com a abertura de vários espaços dedicados a esta modalidade. Em 2017, foram criados campos no Complexo Desportivo do Clube Escola de Ténis de Oeiras. Em 2021, foi inaugurada a Oeiras Padel Academy, em Porto Salvo, que tem promovido torneios solidários anualmente. No início de 2024, o Solinca de Linda-a-Velha passou a contar com dois campos de padel. E estes são apenas alguns exemplos.

A presença do padel no concelho prometia dar um salto significativo: depois da famosa Cidade do Futebol, o objetivo da Câmara Municipal de Oeiras era oficializar, no Jamor, uma Cidade do Padel. Em julho de 2024, o projeto foi aprovado pelo Município. 

“O Município de Oeiras informa que a Federação Portuguesa de Padel formalizou, em 2023, um pedido de licenciamento respeitante à edificação de um complexo desportivo, o Centro Nacional de Formação de Padel, no âmbito do contrato de constituição e cedência do direito de superfície, celebrado entre a CMO e a FPP. O projeto de arquitetura mereceu aprovação, tendo sido sequentemente entregues os projetos de especialidades”, foi anunciado pela Câmara Municipal. 

A proposta envolvia uma infraestrutura ambiciosa: 17 campos de padel, 11 dos quais cobertos, num complexo de 15 mil metros quadrados. Segundo a Câmara, estava em causa “a mais importante infraestrutura dedicada ao padel português na história da modalidade”. Para se concretizar, a construção deste complexo ia implicar um investimento superior a cinco milhões de euros. 

Apesar de tudo formalizado, o projeto não vai avançar e, em causa, estão os valores de custo da construção da infraestrutura. “Recentemente, a Federação Portuguesa de Padel remeteu uma comunicação informando que o projeto em causa é financeiramente inviável, tendo em conta os custos associados à obra de construção”, afirmou a Câmara Municipal de Oeiras em comunicado. 

De recordar que, na altura em que se discutia a aprovação do empreendimento, os moradores de Linda-a-Velha lançaram uma petição contra a construção da Cidade do Padel. Intitulada “Cidade do Padel Não!”, baseava-se na preservação da qualidade de vida da população local, bem como “por razões de carácter legal, ético e ambiental”.

“Em 2019, a CMO adquiriu o terreno com a finalidade explícita de ali ser construída uma creche e um centro desportivo juvenil. Ora, a construção da Cidade do Padel, não correspondendo a nenhum daqueles equipamentos, tem uma área de construção declarada pela CMO superior a 2.200 m2 que inviabiliza, nomeadamente, a construção da creche que é um equipamento social muito necessário à comunidade”, pode ler-se no texto que acompanha a petição.

O documento, assinado por mais de 700 habitantes, tinha como destinatário a presidente da Assembleia Municipal de Oeiras e pedia a suspensão da obra. 

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