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Olhe para o céu: Abril vai ter uma chuva de estrelas — e uma Super Lua

A primeira Super Lua de 2021 ocorrerá na terça-feira dia 27. Mas antes disso, há meteoros a voar pelos céus.
Será que chega a este ponto?

Se adora fenómenos nos céus — quem não gosta — já sabe o que fazer; depois de ler este artigo e de tirar notas sobre as datas, escolha um local isolado, quer das luzes como, por causa da pandemia, de outras pessoas; pense num programa, a solo ou em família, quem sabe reservando aquele turismo rural no meio do nada ou aquela esplanada mais sossegada; prepare um agasalho e a melhor máquina fotográfica ou iPhone que tiver; e está preparado.

Segundo o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), em meados de abril deste ano começaram as Líridas, ou chuvas de meteoros. São uns dos enxames de estrelas mais antigos de entre os vistos e registados pelo homem, embora sejam também dos de intensidade menor; mas isso não quer dizer que, dependendo das condições e tendo sorte, não sejam incríveis.

O OAL explica que este ano as quedas das Líridas vão ter uma duração de visibilidade entre 14 a 30 de abril, com a atividade máxima de 18 meteoros por hora, dentro do habitual para este fenómeno.

O pico desta chuva de meteoros ocorre às 14 horas em Portugal do dia 22 de abril o que impede de se observar o máximo da atividade no preciso pico; mas pode apontar para essa noite ou a anterior, como as potencialmente mais fortes.

Como esta constelação só começa a nascer depois da meia-noite, a nordeste, as observações deverão iniciar-se na segunda metade da noite, ou seja da meia-noite para a frente, adianta o Observatório. Mas o ideal mesmo é entre o por da lua e o amanhecer, explica a plataforma Earthsky. Isso não significa que deva descartar o horário noturno: a qualquer altura, sobretudo depois da meia-noite, e mais ainda nas de 21 e 22 de abril, pode ter sorte.

As estrelas cadentes são causadas por pequenas partículas de poeira chamadas meteoros, ao colidir com a atmosfera da Terra. O observatório adianta que as Líridas são conhecidas desde os tempos antigos, pois há registos chineses antigos deste enxame de 687 a.C, quando cronistas relataram que “as estrelas caem como chuva”.

O nome desta chuva de meteoros resulta dos traços das suas estrelas cadentes parecerem sair dum ponto da constelação da Lira, mas a sua origem é outra. Tal como adianta o “Earthsky”, o cometa Thatcher é na verdade a fonte destes meteoros. Todos os anos, no final de abril, o planeta Terra cruza a trajetória orbital desse cometa. Não temos fotos dele porque a sua órbita em torno do Sol tem aproximadamente 415 anos e o cometa Thatcher visitou o sistema solar interno pela última vez em 1861, antes que o processo fotográfico se generalizasse. Está previsto que volte no ano de 2276.

No entanto, cada vez que cruzamos, em abril, a sua trajetória orbital, pedaços lançados por este cometa cobrem a sua órbita e bombardeiam a parte superior da atmosfera da Terra a 177.000 quilómetros por hora. É quando a Terra passa por um aglomerado espesso de escombros de cometa que um número elevado de meteoros pode ser visto. Os destroços de vaporização cruzam a noite, com a tal chuva de estrelas de velocidade média.

As Líridas geralmente produzem de 10 a 20 estrelas cadentes por hora, e cada uma voa a cerca de 50 quilómetros por segundo. De acordo com a “Travel + Leisure”, embora sejam uma chuva de escala média em termos de número de meteoros, elas são conhecidas por produzir algumas bolas de fogo, que são estrelas cadentes que brilham intensamente e deixam uma faixa de longa duração no céu — por exemplo, em 1982, observadores americanos viram uma explosão de quase 100 meteoros em modo bola de fogo das Líridas por hora.

Além disso, deve aproveitar a hipótese, já que a próxima grande chuva de meteoros no Hemisfério Norte não acontecerá até ao verão, embora haja alguns menores até lá.

Super Lua no final do mês

Quando abril se aproximar do fim, vem outro dos fenómenos favoritos de quem gosta de observar o céu: uma Super Lua. Aponta novamente o OAL que a primeira Super Lua de 2021 ocorrerá na terça-feira dia 27 de abril, quando a Lua se encontra simultaneamente em fase de Lua Cheia e a uma distância da Terra inferior a 110 por cento do perigeu da sua órbita.

Mas afinal o que é uma Super Lua? Por definição, este fenómeno acontece sempre que o instante de Lua Cheia ocorre quando a Lua está então à tal distância da Terra inferior a 110 por cento do perigeu da sua órbita. Em termos temporais, isto significa que a diferença entre os instantes de Lua Cheia e do perigeu (o ponto da órbita de um astro ou satélite em torno da Terra, no qual ele se encontra mais próximo de nosso planeta) é menor do que 1 dia e 8 horas. Segundo esta definição é possível ocorrer uma Super Lua com alguma frequência, mas nem todas terão o mesmo tamanho e brilho aparentes.

Desta vez, na terça-feira dia 27 às 4h32 (hora de Lisboa) a Lua estará em fase de Lua Cheia, atingirá o perigeu no mesmo dia às 16h22 (a 357377,973 quilómetros da Terra) e, estando os dois acontecimentos apenas desfasados entre si de 11h50, temos então Super Lua.

Nessa noite de 27 de abril a Lua nasce às 21h06 no azimute 70º, contado de Sul para Este. Este é o melhor dia e a melhor hora para ver: 27 de abril, a partir das 21 horas.

Nessa altura, a Lua vai parecer maior do que o habitual, não apenas devido à ocorrência de Super Lua, mas também porque estando próxima do horizonte vê-se mais ampliada, o que é uma ilusão de óptica, mas das perfeitas.

A Super Lua encontra-se na constelação de Balança e logo acima ver-se-á o triângulo da Primavera formado pelas estrelas: Arcturo, Espiga e Régulo. Marte estará localizado mais acima do lado oeste na constelação de Gémeos, adianta o Observatório. No dia seguinte, dia 28, a Lua nasce às 22h25 e continuará a parecer maior do que o habitual.

Para além dessa, haverá uma segunda Super Lua no dia 26 de maio, e estas serão as duas únicas Super Luas de 2021.

Como se tudo isto não bastasse, uma última informação: sempre que o céu e o clima ajudar, todos os planetas visíveis a olho nu podem ser observados no céu noturno de abril de 2021.

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