na cidade

O vento impediu a subida dos balões — mas houve festa e até um pedido de casamento

O Festival Internacional de Balões de Ar Quente, em Oeiras, sofreu com a meteorologia. A NiO esteve lá e conta-lhe tudo.
Foto: Joanna Correia

Sábado, 24 de setembro. Ainda não eram oito da manhã — horário de abertura das portas — e a fila já registava umas boas centenas de metros, com pessoas que se deslocaram à Quinta de Cima do Palácio Marquês de Pombal, durante a noite ou de madrugada, na esperança de poder fazer um batismo de voo num balão de ar quente. Os voos eram cativos, presos ao chão, e com uma subida rápida de poucos metros, mas já daria para sentir um pouco da experiência que é andar de balão.

Chegados ao local, foi-nos apresentado o recinto. Dez cestos espalhados pelo terreno, a marcar o lugar onde estaria cada balão. Mas, desde logo, o aviso: tinha-se levantado demasiado vento nas últimas horas e as condições meteorológicas não eram as ideais para a prática do balonismo. Ainda assim, as equipas no terreno não mediram esforços para tentar montar os envelopes — nome dado à parte de cima dos balões. Foram feitas algumas tentativas. Os envelopes foram desenrolados e abertos para serem enchidos com ar frio, com a ajuda de ventoinhas. 

Pouco depois, Aníbal Soares, piloto, diretor técnico e CEO da Publibalão, empresa responsável pelo evento, confirmou o cancelamento dos voos à New in Oeiras: “É algo que está fora do nosso controlo. Tínhamos programado conseguir subir cerca de 300 pessoas por hora. Infelizmente a meteorologia não o vai permitir”. O piloto reforça que a segurança está sempre em primeiro lugar e o vento tornaria os balões instáveis e inseguros. “Queremos ter sempre a certeza que o voo vai ser tranquilo, agradável, bonito e, sobretudo, seguro. Esse é o nosso maior compromisso”. 

O responsável ainda comentou, com a certeza de quem tem largos anos de experiência na área: “É preferível estar cá em baixo a desejar estar lá em cima, do que estar lá em cima a querer estar cá em baixo”.

A notícia foi anunciada ao público. A fila dispersou, mas muitas pessoas decidiram ficar para poder aproveitar tudo o resto que o evento tinha para oferecer. Outras foram chegando ao longo do dia. “Queres que te leve ao céu”, a assinatura da Publibalão, que se podia ler nas camisolas da organização, neste dia não conseguiu tirar o público do chão, mas ainda assim quis proporcionar a melhor experiência possível a quem se deslocou até lá.

Para isso, foi permitida a entrada do público nos cestos, para que as pessoas pudessem, ao menos, conhecer essa sensação. E os presentes não só entraram nos cestos, como tiraram fotografias e lançaram o ar quente, carregando nos queimadores. Os adultos gostaram e os miúdos adoraram, neste que foi, sem dúvida, um programa familiar diferente. 

Com muitos anos de experiência na área e histórias para contar, a organização ficou com mais um episódio marcante depois destes dias. É que no sábado, dia 24 de setembro, aconteceu um momento inédito no evento: um pedido de casamento. Depois de esperarem pacientemente na fila para andar de balão, o casal não desistiu quando os voos foram cancelados. E, apesar de querer fazer o pedido dentro de um balão, o rapaz adaptou a situação e levou o plano adiante. Convenceu a namorada a entrar num dos cestos e fez a pergunta: “com balão ou sem balão, queres casar comigo?”. Houve palmas, lágrimas e um “sim”, claro.

O ambiente de sábado foi semelhante ao do dia seguinte, domingo, dia 25. Mesmo com o percalço do forte vento que se levantou, a festa de fim de verão, prometida pelo Munícipio de Oeiras, não deixou de acontecer e no recinto havia um food court, com comida e bebida, muita música e diversões para os mais novos. As provas gastronómicas com produtos regionais conquistaram os pais e os insufláveis, os filhos. 

À noite não foi possível realizar o Night Glow, um espetáculo de luz, cor e som, com as chamas dos queimadores dos balões a serem libertadas ao ritmo da música. Foi substituído pelo Night Burn, muito semelhante, mas apenas com os queimadores e sem os balões abertos. 

Aníbal Soares explica o fascínio do público com os balões de ar quente. “No fundo, é quase um sonho que temos de infância. O balão faz parte do nosso imaginário e esta prática é o concretizar de algo que sonhávamos, podemos tornar realidade esse sonho. Há pessoas que ficam receosas. Mas é uma maneira diferente de estar no ar. O balão não tem velocidade própria, não é dirigível, então ele flutua, vai ao sabor do vento e a perspetiva lá de cima é maravilhosa, quase conseguimos ouvir os animais nos campos e ver as planícies a perder de vista é incrível”. 

O Alentejo é, para o responsável, o sítio para fazer balonismo, por excelência. E é lá que vai decorrer, precisamente, a 25.ª edição do Festival Internacional de Balões de Ar Quente, que teve a primeira parte em Oeiras.

25.ª edição do Festival Internacional de Balões de Ar Quente

O evento deste fim de semana na Quinta de Cima do Marquês de Pombal foi um aquecimento para aquele que é um festival que nasceu em 1997 e acontece, anualmente, no Alentejo, promovido pela Publibalão. Após 24 edições marcadas pelo sucesso, assume-se como um dos maiores e mais importantes festivais da Europa nesta área. O evento pretende promover o balonismo em Portugal entre os amantes do desporto e a comunidade local, criar uma importante troca de experiências, bem como divulgar o conhecimento técnico e a inovação da atividade.

“Este ano celebramos a 25.ª edição e por isso quisemos dar um cunho um bocadinho diferente. Então, decidimos fazer aqui a primeira parte do evento, com o apoio do Município de Oeiras e dar a conhecer atempadamente ao grande público como é que funcionam os balões e divulgar o festival no seu todo. Depois teremos, então, os voos livres, sem cordas, no Alentejo, no festival que decorre entre 4 a 13 de novembro”, explica Aníbal Soares. 

Além do Festival, têm a parte comercial, com voos durante grande parte do ano. “Ao longo do ano fazemos passeios com passageiros e voamos em vários sítios. Como alentejano, aconselho sempre o Alentejo pelos campos, pelas planícies, apercebemo-nos de todos os detalhes lá em baixo”, conta. 

Carregue na galeria para ver algumas imagens do evento que, mesmo não correndo como esperado inicialmente, não deixou de marcar o fim de semana em Oeiras (sim, também aparece o pedido de casamento). 

ver galeria

MAIS HISTÓRIAS DE OEIRAS

AGENDA