na cidade

O país no outro lado do mundo onde a Covid-19 parece um mito

Enquanto boa parte do mundo se debate com a pandemia, a Nova Zelândia recomeça a descobrir uma vida de multidões e abraços. E tudo sem máscara.
Um concerto recente.

Se estivermos em Mogadouro, em Trás-os-Montes, é possível escavar um buraco a direito até ao outro lado do mundo e encontrar terra. Chegaríamos, mais concretamente, a Nelson, cidade neo-zelandesa nas margens do Mar da Tasmânia.

Ao contrário do que algumas desenhos animados e ficção-científica nos possa fazer querer, é raro que dois pontos antipodais (o exato ponto oposto do outro lado do mundo) se encontrem em localidades. É uma singularidade e é de singularidades que aqui falamos.

Enquanto Portugal e boa parte da Europa se debate contra uma nova e violenta vaga de contágios, enquanto os EUA, Brasil, México, Índia e muitos outros países continua a contar vítimas e a China reage com violentas quarentenas, há um pequeno país onde a vida é já bem diferente.

Ao olhar para imagens que nos chegam da Nova Zelândia não sabemos se estamos num passado não muito distantes ou no futuro. Será que estamos em 2019, ainda antes da pandemia, ou é isto com que podemos sonhar, se mais lá para o final do ano as coisas forem diferentes?

Na noite de quinta-feira, 21 de janeiro, era de dia daquele lado do mundo, Bruno Nogueira falava com uma portuguesa a viver naquele país durante a emissão de “Como é Que o Bicho Mexe?”. Nós do lado de cá fechados em casa e a nossa compatriota na rua sem máscara a mostrar gente na esplanada. “Parece ficção-científica”, dizia Bruno Nogueira. Não é.

Vivem cerca de 4,8 milhões no arquipélago da Nova Zelândia. Perto de 1,6 milhões estão em Auckaland, o maior centro urbano. É de lá que chegam imagens de gente nas ruas, em paragens de autocarro, sem máscaras, descontraídas. E de uma festa de Ano Novo, com fogo de artifício, atuações de DJ’s e milhares de pessoas nas ruas a festejar o fim de 2020. Lembra-se da sua passagem de anos para 2021? Não vai encontrar grandes semelhanças.

O que é que eles fizeram?

Os dados das autoridades de saúde da Nova Zelândia impressionam pelas melhores razões. O país, prepare-se, teve um total de 2.276 casos. Desde o início da pandemia. Ao todo, 25 pessoas morreram. Nesta altura há apenas 73 casos ativos, todos em isolamento após a chegada ao país. Não há ninguém internado nas unidades de cuidados intensivos devido à Covid-19. Numa verdade, desde o dia 18 de novembro que não é reportada qualquer transmissão no seio da comunidade. Os sinais são mais do que animadores.

Em setembro, a economia já recuperava, assinalando um crescimento de 14 por cento. No entretanto, a vacina também está a caminho. A urgência que têm não é de todo a mesma do que no resto do mundo, mas a partir de abril já começarão a vacinar a população. O facto de ser um arquipélago foi uma ajuda na hora de travar o contágio. Mas este não é o único fator a destacar-se no sucesso da Nova Zelândia.

Foi a 2 de fevereiro que morreu, nas Filipinas, a primeira vítima de Covid-19 fora da China. No dia seguinte, a Nova Zelândia já iniciava restrições. O país esteve entre os primeiros a conseguir controlar a pandemia. Em maio já parecia ter a ç controlada. Ainda voltaria a registar casos mas nunca mais perdeu o rumo. E o facto de ter agido cedo e em força ajudou.

A 25 de março, com apenas 102 casos registados no país, a Nova Zelândia assumiu um confinamento severo, restrições brutais a voos de fora e todas as medidas de distanciamento social que hoje conhecemos. O país colocou-se em alerta máximo cedo, nunca desvalorizando o problema.

Os resultados estão à vista e não é apenas no mercado de emprego, já quase em níveis pré-pandemia. No passado sábado, dia 16 de janeiro, perto de 20 mil pessoas juntavam-se em Waitangi para um concerto. Foi o primeiro de seis concertos na tour de verão (sim, esta altura é de bom tempo por lá) dos Six60. A banda neo-zelandesa subiu ao palco e milhares de pessoas dançaram sem distanciamento social e cantaram as canções. Parece ter sido noutra vida. Mas foi na semana passada, na Nova Zelândia.

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