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O “casal mistério” que lançou uma revista para revelar tudo sobre sexo em Portugal

O novo projeto editorial do País chama-se "KINKS" e quer acabar, de vez, com os tabus — mas num registo casual.
O novo site para casais.

Cinemas para adultos em Portugal, objetos em casa que podem ser usados como brinquedos sexuais ou as músicas mais ouvidas durante o sexo. Bem-vindos à “KINKS”, a primeira revista digital de lifestyle liberal de Portugal que fala abertamente sobre temas como erotismo, sensualidade e sexualidade.

Lançada, oficialmente, no início de julho, a revista partiu da ideia de um casal, de 40 anos, que quer manter-se anónimo — e que adora sexo. Juntos há 20 anos, os dois sentiram que continuam a existir demasiados temas que são tabu em Portugal. “É preciso mudar. Precisamos de falar mais sobre sexo”, firmaram na apresentação da plataforma.

“A ideia surge das nossas vivências e experiências pessoais. Começou com aquelas conversas de café e percebi, efetivamente, que não havia nada do género em Portugal”, conta o diretor da “KINKS”. Jornalista há quase duas décadas, já trabalhou em áreas de economia e política, passando até pelo lifestyle, e pensou que “não voltaria a escrever” por não encontrar algo que lhe “interessasse particularmente”. A mulher, por outro lado, é responsável pela parte administrativa do projeto, que começou a ser pensado em 2023.

“Há alguns anos que vamos conhecendo e vivendo algumas facetas menos conhecidas desta vida liberal. A verdade é que foi isso que nos deu ânimo para avançar, até porque só conhecendo a realidade é que podemos perceber o quão vaga é em termos de informação em Portugal”, explica o fundador.

Apesar de existirem outros meios que abordam o assunto, o autor considera que os conteúdos são apresentados de forma “muito soft” e que há um espaço vazio que é preciso preencher. “Como jornalista, o que pretendo é informar as pessoas sobre temas cujas informações estão muito espalhadas e, por vezes, escritas de forma superficial”, confessa. O sexo e a sexualidade, diz, são “temas que as pessoas ainda evitam”.

Com uma linguagem ligeira e simples, a revista pretende dar respostas a todo o tipo de leitores, desde os “baunilha”, que estão habituados a uma vida mais tradicional, até aos mais experientes no assunto. É importante sublinhar, ainda assim, que não é uma revista pornográfica, nem tem conteúdos que possam ser considerados obscenos ou ofensivos. Pode ser “lida em qualquer lugar, sem vergonha”.

“É a pensar nas portuguesas e portugueses que querem saber mais sobre os seus fetiches, desejos e gostos íntimos, que trabalhamos diariamente”, diz. Desde os temas mais triviais, como as melhores músicas para criar um momento íntimo, aos mais complexos e menos mainstream, como o BDSM, aqui não há tabus.

Os artigos, publicados diariamente, estão divididos em três grandes áreas: Cultura Kink, onde cabem “todas as práticas, gostos e fetiches”; Brinquedos Kink, uma secção relacionadas com os objetos mais utilizados e até que cuidados se deve ter com os mesmos; e Espaços Kink, que vai dar a conhecer novidades tanto em Portugal como lá fora, como abertura de motéis ou sugestões de escapadinhas de fim de semana.

Além de artigos com dicas e notícias sobre festas e eventos, haverá reviews e artigos de opinião de cronistas cujos nomes também serão mantidos em segredo. “Temos, por exemplo, um casal swinger, e uma rapariga com um estilo de vida mais liberal”, adianta. As únicas pessoas que dão os seus nomes reais são os sexólogos ou profissionais de certas áreas em específico.

Quanto ao público-alvo, apesar de ser “para toda a gente dos 18 aos 80 anos”, o foco será essencialmente mulheres entre os 25 e os 45 anos. “As mulheres nestas faixas etárias dão mais valor e mostram mais interesse por este tipo de conteúdo. Também queremos chegar aos homens, mas acredito que será mais difícil”, explica o diretor.

A cobertura será essencialmente nacional, desde motéis, a sex shops a clubes de swing que existam em Portugal, mas também gostam de “olhar para o que se faz lá fora”. “Na KINKS vivemos muito no mundo da sugestão e não queremos passar daí. Se as pessoas quiserem conteúdos mais explícitos, sabem onde os encontrar. O que queremos é ir um passo além do que já existe”.

Além do site, pode seguir a revista “KINKS” através das redes sociais, nas páginas do Facebook e do Instagram.

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