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Mais de 142 anos depois, já há data para o fim das obras da Sagrada Família

A obra inacabada de Antoni Gaudí, em Barcelona, arrancou em 1882. Pode ser finalmente concluída em 2026.
Finalmente.

“Não conseguir terminar o templo não é uma deceção. Vou envelhecer, mas outros virão atrás de mim. O que deve ser sempre preservado é o espírito do trabalho; a sua existência vai depender das gerações que transmitem esse ânimo e o trazem à vida.” A frase é de Antoni Gaudí, o arquiteto espanhol que começou a idealizar a famosa Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, mas que não viveu para a ver concluída.

Esta tornou-se um dos mais importantes, reconhecidos e visitados monumentos do mundo. Mas está em obras há mais de um século. O projeto foi iniciado em 1882 e assumido por Gaudí em 1883, quando tinha 31 anos de idade, tendo-lhe dedicado os 40 anos seguintes da sua vida. Depois disso, a conclusão tem sido um processo lento e complicado e muitos chegaram mesmo a duvidar que, um dia, a obra fosse finalizada.

Em obras há 142 anos, a famosa basílica tem uma nova data de conclusão: o ano de 2026, precisamente 100 anos após a morte do arquiteto. O anúncio foi feito pelo presidente da Junta de Construção do Templo Expiatório da Sagrada Família de Barcelona. 

Esteve Camps afirmou que, em 2024 e 2025, o foco será concluir as obras da Capella de l’Assumpta e da Torre de Jesus Cristo. Se tudo correr bem, a torre de 172 metros deverá estar concluída em 2025 e será inaugurada no ano seguinte.

“Temos os materiais, as licenças e o dinheiro para que as obras da capela da Assumpta, da parte da rua Provença e da gigantesca Torre de Jesus possam ser inauguradas em 2026, coincidindo com o centenário da morte de Gaudí”, disse Camps, citado pela revista espanhola “AD”.

Ainda assim, o monumento não estará totalmente finalizado. Os trabalhos em algumas esculturas, os pormenores decorativos e a controversa escadaria da entrada principal deverão demorar mais oito anos até estarem finalizados.

A escadaria vai ocupar dois grandes quarteirões da cidade e envolve o desalojamento de cerca de mil famílias e empresas, um projeto que tem vindo a ser seriamente contestado. Quando as obras arrancaram, em 1882, a área em questão era um vasto terreno agrícola, mas nos anos seguintes a cidade foi crescendo à sua volta. Camps, por sua vez, defende que a escada sempre fez parte do desenho do arquiteto e que não deve ser alterada.

“Estamos a seguir à letra o plano de Gaudí. Somos os seus herdeiros e não podemos renunciar ao seu projeto. A planta apresentada à autarquia em 1915, assinado por Gaudí, inclui a escada”, salientou. A última palavra, contudo, é da autarquia.

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