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Fábrica da Pólvora celebra 26 anos este fim de semana com eventos para toda a família

Nos dias 15 e 16 de junho, visite o espaço histórico em Barcarena e participe nas atividades criadas para assinalar a data.
Imagem: Município de Oeiras

A Fábrica da Pólvora de Barcarena é hoje um espaço cultural e de convívio, aberto à comunidade, e cenário de inúmeros eventos musicais, artísticos, infantis e desportivos ao longo de todo o ano. Mas nem sempre foi assim. Como o nome indica, o espaço nasceu para servir outro propósito. Porém, ao longo do tempo, passou por fases menos boas. Há 26 anos ganhou uma nova vida e é isso que se vai celebrar nos próximos dias. 

O local, que atualmente faz parte do património industrial do concelho de Oeiras, surgiu há vários séculos e foi determinante para a vida económica e social da região durante muito tempo. De acordo com a Câmara Municipal de Oeiras, as primeiras referências à ocupação do vale de Barcarena — zona com água abundante, que se tornou num polo agregador da população circundante — indicam a instalação de umas ferrarias, em 1487, para o fabrico de armas. 

Porém, as Ferrarias d’El Rei encerraram no final do século XVII, depois de ali ter começado a funcionar a primeira oficina para o fabrico de pólvora negra, a partir dos anos 1618-19. A chamada Casa dos Engenhos, construída por Leonardo Turriano, tornou-se um dos edifícios mais emblemáticos do complexo industrial, que foi crescendo até atingir uma área de 40 hectares, inicialmente ao longo da margem esquerda da ribeira de Barcarena.

No século XIX, expandiu-se para a margem direita, com a construção de mais edifícios, dispersos no espaço por questões de segurança. Entregue a vários arrendatários, sempre sob a alçada do Estado, a fábrica funcionou durante 200 anos, com uma oficina que se foi adaptando aos vários tipos de pólvoras, às novas maquinarias e às diversas fontes de energia, entre momentos de glória e declínio, devido à maior ou menor necessidade de pólvora.

Acabou por encerrar definitivamente já na segunda metade do século XX, mais precisamente em 1988. O espaço ficou parado até que sete anos depois, em 1995, o Município de Oeiras adquire as instalações, com o objetivo de preservar a sua memória histórica, reconhecendo a importância do património, “testemunha ímpar do passado fabril de Oeiras e relíquia da arquitetura industrial do concelho”, refere a autarquia.

“Em 1995 escreve-se um novo capítulo na sua história com a compra da fábrica pela Câmara Municipal de Oeiras que assume, dez anos após o seu encerramento, as rédeas deste espaço, que renasce com uma função completamente diferente daquela para a qual foi originalmente pensada”, nota o município. Em 1998, decide então transformá-la num complexo aberto a todos, um museu ao ar livre, com diferentes serviços direcionados para atividades culturais e de lazer, que se mantêm até hoje. 

E é por isso que agora se celebra o 26.º aniversário da Fábrica da Pólvora, como a conhecemos atualmente, um espaço agradável e de convívio entre família e amigos. É o exemplo perfeito de uma estrutura industrial recuperada, reinventada, expandida e ressignificada que, sem perder a mística da história que as suas paredes contam e permitindo que a memória de tempos passados continue presente, acolhe agora novos usos e atividades. 

Para celebrar a data, foi criada uma programação com atividades para toda a família ao longo deste fim de semana, dias 15 e 16 de junho. Tome nota.

15 de junho (sábado)

15 horas — Lançamento do filme infantil “O Museu da Fábrica da Pólvora ganha vida”, realizado por Muzumbus, Associação Cultural. Conta a história de três amigos que vivem uma verdadeira aventura no museu, enquanto dão a conhecer a história deste espaço. 

15h30 — Atelier “Tecer memórias”, coordenado por Ana Dias, para pintar e bordar as antigas memórias da Fábrica da Pólvora, guardadas em fotografias. Para famílias, jovens e adultos. 

17 horas — Recital da Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, especialmente dedicado ao aniversário da Fábrica, com obras de Haydn, Beethoven, Boccherini, Brahms e Anderson.

16 de junho (domingo)

11 horas — Visita guiada pelo Grupo de Amigos do Museu e Fábrica da Pólvora, para jovens e adultos.

15 horas — Visita guiada por Filipa Cláudio às reservas da Fábrica da Pólvora, para dar a conhecer o espólio em reserva, o plano e intervenções de conservação e restauro levadas a cabo ao longo dos anos. Inscrição obrigatória através do número 210 977 422 ou do email fabricadapolvora@nulloeiras.pt. 

Se não quiser ou conseguir participar nas visitas guiadas, pode explorar o espaço por si. “Integrados na área da antiga Fábrica da Pólvora de Barcarena, os jardins e o parque urbano conferem um carácter idílico aos diferentes espaços deste antigo complexo industrial”, refere o município, que aconselha a visita ao Jardim da Caldeira dos Engenhos, ao Jardim das Oliveiras, à Praça do Sol, ao Pátio do Enxugo, ao Edifício das Oficinas a Vapor e ao Edifício das Galgas. 

Nas próximas semanas vai também poder aproveitar o espaço da Fábrica da Pólvora com grandes eventos que por lá vão acontecer. Os mais próximos são as Festas de Barcarena, entre os dias 21 e 23 de junho e o Festival Sete Sóis Sete Luas, que passará por lá no final de junho, dia 28.

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