na cidade

Este chalet do século XIX é perfeito para uma escapadinha de Páscoa perto de casa

O palacete, que foi transformado numa guesthouse, fica apenas a 20 minutos de Oeiras.
Fotografia de Assunção Castelo Branco.

A viagem até ao Chalet Ficalho não demora mais do que 20 minutos de carro, para quem sai de Oeiras. No entanto, apesar de estar em Cascais, vai sentir que chegou a um destino bem longínquo — tão longe que o transporta 150 anos para o passado. O palacete foi mandado construir em 1887, sendo casa de família durante várias décadas. Em 2023, abriu como guesthouse e já ganhou um prémio. 

No final do século XIX, Cascais era um refúgio de lazer da realeza, tornando-se também um destino de veraneio para a corte. Para tal, muito contribuíram o rei D. Luís e a rainha D. Maria Pia, que ali passavam temporadas, com passeios no Estoril, idas à praia do Guincho e diversas atividades desportivas e sociais, que transformaram a vila à beira-mar plantada numa zona procurada pela elite portuguesa.

As principais famílias nobres do País começaram a frequentar Cascais, a comprar e a construir ali casas, entre palacetes e palácios. Um deles ainda hoje se destaca pela sua arquitetura: o Chalet Ficalho. Foi mandado construir em 1887, por António Máximo da Costa e Silva, barão e visconde de Ovar, e a mulher Maria Josefa de Mello, futura condessa de Ficalho. A filha do casal, Helena Mello da Costa, sofria de problemas respiratórios e o médico tinha receitado apanhar os ares do mar. 

As obras de construção arrancaram no início de 1898. O quarteirão do clube da Parada, o local onde a família real passava os dias em jogos e outras atividades, foi o escolhido para instalar o edifício. Do projeto destacam-se os telhados de forte inclinação cinzento-esverdeados, as janelas altas, as portadas vermelhas e, claro, o jardim botânico, desenhado pelo pai da condessa de Ficalho (um dos fundadores do Jardim Botânico de Lisboa) com espécies exóticas que ainda hoje se destacam na região, continuando a ser um dos grandes atrativos da propriedade.

Após quase dois anos de obras, o Chalet Costa e Silva — nome dado na altura — ficou finalmente concluído. A inauguração aconteceu a 21 de outubro de 1898 e foi um dia memorável: “Houve guitarradas, coros, descantes e o belo fadinho, cantado com sentimento”, escreveu o “Diário Ilustrado” na altura. Contudo, em 1902, passados quatro anos sobre a construção do edifício, o casal separa-se por razões ainda hoje desconhecidas. Maria Josefa acabou por ficar com a propriedade, que frequentou como residência de férias até morrer, em 1941. Desde então, o imóvel ganhou o apelido de Chalet Ficalho.

A casa foi herdada pela filha, Helena, que passava lá todos os verões com os filhos e netos até 1963, data em que decidiu torná-la na sua morada permanente. O mesmo aconteceu, depois, com a sua filha Maria d’Assunção, que se mudou com a família para o chalet. “A casa foi passando de geração em geração até chegar à minha. Viveram-se aqui muitas histórias, guardámos muitas recordações e é um sítio muito estimado por todos”, revela Maria Chaves, de 70 anos, que faz parte da quarta geração da família, que acabou por herdar a propriedade. 

De casa de família a guesthouse

Devido à dimensão do edifício, tornou-se difícil manter a casa, já com necessidade de obras de recuperação, explica a proprietária. “Podia ter sido mais fácil vender, mas não era realmente isso que queríamos. Decidimos manter a casa e, para a rentabilizar, transformá-la em guesthouse”, contou. 

As obras começaram em 2021, após ter sido aprovado o projeto de arquitetura de alteração e ampliação do edifício. O arquiteto Raúl Vieira foi o responsável pela adaptação do chalet a alojamento local. As características principais, tanto interiores e exteriores, mantiveram-se, com um trabalho de restauro profundo, que se estendeu às madeiras e aos móveis. 

Apesar da nova identidade, estão preservadas as características de uma casa do século XIX. Os azulejos, o chão, as pinturas, os vidros, as portadas, os lustres e as peças de mobiliário foram todas restauradas, enquanto peças como os sofás, ganharam réplicas dos originais. 

Chalet Ficalho abriu aos hóspedes a 22 de julho de 2023. O edifício, com três andares, é composto por nove quartos, todos com uma casa de banho privada, e várias salas espalhadas pelos diferentes pisos, cujo acesso é feito a partir de uma enorme escadaria ou do novo elevador. 

O grande hall da entrada do palacete encaminha os hóspedes para as diferentes divisões do Chalet: a sala de estar com lareira, apelidada sala comprida; a sala redonda; um escritório; e a sala de jantar, com uma extensa mesa. A grande novidade encontra-se no exterior, onde poderá encontrar uma piscina. 

O projeto de reabilitação do edifício foi distinguido, por unanimidade, com o Prémio Gulbenkian Património — Maria Tereza e Vasco Vilalva de 2023, entregue em setembro do ano passado pela Fundação Calouste Gulbenkian. A distinção é atribuída a projetos de excelência na área da conservação, recuperação, valorização ou divulgação do património português, imóvel e móvel. 

Seja para uns dias de descanso nas férias da Páscoa, ou para outra altura do ano, poderá reservar estadia no Chalet Ficalho online. Os preços começam nos 225€ por noite, podendo ir até aos 380€, dependendo da tipologia de quarto que escolher. O pequeno-almoço está incluído e tem estacionamento gratuito. 

Carregue na galeria para ficar a conhecer melhor o renovado Chalet Ficalho. 

ver galeria

MAIS HISTÓRIAS DE OEIRAS

AGENDA