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Esta septuagenária viveu os últimos 25 anos a viajar — e já passou por 66 países

Aos 70 anos, Sudha Mahalingam viaja sozinha e coleciona aventuras como pouca gente. Conheça a sua história surpreendente.
Gosta de viajar sozinha.

Começou quando viajar sozinha ainda não era tarefa fácil e segura para as mulheres indianas. As que o faziam eram frequentemente criticadas por estarem a desafiar as normas culturais e sociais do seu tempo, sendo consideradas mulheres solteiras, inflexíveis e que não se importavam com a sua própria segurança. Mas isso que deteve Sudha Mahalingam. Atualmente com 70 anos, esta indiana passou os últimos 25 anos da sua vida a viajar por todo o mundo. No passaporte, já tem o carimbo de entrada em 66 países. 

O gosto pelas viagens começou a crescer quando Mahalingam passou a acompanhar o seu marido em viagens de trabalho. Ao contrário dela, o marido não tinha um espírito muito aventureiro nem era adepto de explorar novos locais nas viagens que fazia. Por isso, muitas foram as vezes que pedia a Mahalingam para que explorasse o seu lado mais destemido com a ajuda de um guia local enquanto visitava os pontos turísticos por onde passavam. Mas desde aí que esta indiana não era cá mulher para viagens e excursões planeadas.

“Os pacotes de viagens são tão previsíveis”, começa por explicar à “CNN”. “Eles mostram o que querem e não o que cada um quer ver.” O resultado: há mais de duas décadas que Mahalingam deixou o seu emprego no jornalismo para mudar de carreira e seguir investigação energética. Com essa transformação, não demorou para que começasse a receber convites para falar em conferências internacionais em países produtores de petróleo. Foi assim que surgiu a oportunidade perfeita para se aventurar no mundo das viagens.

Desde então, são já umas boas doses de países que teve a oportunidade de conhecer. Sempre em viagens repentinas e nunca planeadas. Estava-lhe no espírito, lá está. Na sua coleção de episódios ao longo deste quarto de século, Sudha Mahalingam já desembarcou na República Checa sem um visto válido, enfrentou o desafio de encontrar comida vegetariana na China, foi acidentalmente trancada num monumento no Irão e até foi apanhada sem o comprovativo de vacina contra a febre amarela no aeroporto de Nairóbi, no Quénia.

Esta indiana é também fã de desportos de aventura e não perde a oportunidade de os praticar quando viaja. Já fez uma caminhada até ao acampamento-base do Everest e, aos 66 anos, fez paraquedismo em Uluru, na Austrália.

Como é óbvio, as tantas aventuras — umas até completamente alucinantes e perigosas — vividas nos 66 países por onde já passou não se ficam por aqui. Por exemplo, numa viagem a Bornéu, no Sudeste Asiático, Mahalingam relata que “havia animais rastejantes assustadores por todo o lado e montes de folhas com um metro de altura. Coloca-se o pé e não se sabe se uma serpente se torce à volta da perna ou se um escorpião me picaria. Estava sempre a chover a cântaros. Eu também já estive na selva amazónica e isso não era nada em comparação com o Bornéu.”

Um dos momentos favoritos para Mahalingam entre os vividos nas suas viagens aconteceu em 2019, em Madagáscar. “Era um território absolutamente inexplorado, pouco turístico e com pouquíssimas instalações”, explica. “Foi uma viagem difícil e da forma que eu gosto. Fiquei três dias num barco e o barco não tinha casa de banho.”

“Tsingy está cheia de formações rochosas pontiagudas semelhantes a lâminas que se projetam diretamente para o céu. É muito íngreme e muito difícil de escalar as rochas, chegando a cortar as mãos e os pés. Mas a verdade é que depois de subir para o outro lado, vê-se criaturas que não se veem noutros lugares em Madagáscar.”

Das aventuras mais perigosas, Sudha recorda a sua viagem em 1997, no Kashmir Valley (Vale da Caxemira), na Índia. Numa noite, pediu boleia a um oficial do exército da região. Após algumas horas foram intercetados por um outo veículo de limpeza de minas, que andava a desobstruir a estrada de algum potencial explosivo. Mas o episódio não termina por aí.

No dia seguinte, quando estava a caminho do aeroporto, o carro em que seguia foi alvejado por militares armados. “As balas tinham passado pelo carro e uma atingiu o pára-choques. Eu ia agachada na parte de trás e estava realmente a rir. Não me apercebi da seriedade da situação. Foi uma emoção. Agora, quando olho para trás, penso que talvez tenha sido uma tolice”.

Nos últimos meses, muito por culpa da pandemia e das restrições que são impostas, Sudha continua com a mesma vontade de continuar a conhecer os cantos ao mundo, mas agora está concentrada em viagens que possam ser feitas de carro. Assim que houver uma réstia de esperança e o mundo tiver sido aliviado da situação pandémica, o próximo objetivo passa por navegar a bordo de um dos famosos iates Clipper: uma experiência cara, mas que, por outro lado, é tão única que só se faz uma vez na vida.

No futuro, Colômbia, Patagónia, Chile e Argentina são outros lugares que já estão na lista de países a ser visitados por Mahalingam. No entanto, a aventureira indiana admite que “mesmo que eu viaja para três lugares todos os anos nos próximos 10 anos, não vou completar toda a minha lista. Há muitos”.

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