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Emílio Marto: o dono de uma drogaria em Linda-a-Velha que é primo dos pastorinhos

O avô de Emílio era primo direito do pai de Francisco e Jacinta Marto, dois dos três pastorinhos de Fátima.
Esta terça celebra-se uma das aparições.

Emílio Carrilho Marto tinha pouco mais de 20 anos quando, num jantar de família, o pai referiu o facto de ser primo em segundo grau de Francisco e Jacinta Marto, dois dos pastorinhos de Fátima. “Ninguém acreditou. Eu não fazia a mínima ideia do que ele estava a falar. Os meus irmãos e os meus primos riram-se e o meu pai começou a ficar irritado”, conta Emílio à New in Oeiras.

A revelação levou a uma ida à Igreja Matriz de Alcobaça. Estávamos no final dos anos 1990 e Emílio ganhava a melhor história para contar nos jantares de amigos. “É nessa igreja que estão os nomes de algumas famílias mais conhecidas da região. Nem queríamos acreditar. O nome do meu pai estava lá. Depois disso tivemos de lhe pagar uns quantos almoços por não termos acreditado [risos]”.

Emílio Marto.

O pai de Armando Feliciano Marto, o avô paterno de Emílio, era primo direito do pai de Francisco e Jacinta. O que faz com que Emílio seja primo em terceiro grau dos pastorinhos. “Era super engraçado na altura. Lembro-me que havia sempre alguém nos grupos de amigos que tinha uma história de família qualquer e um apelido pomposo. Eu dizia: sou primo dos pastorinhos de Fátima.”

A mãe de Emílio é espanhola, os irmãos nasceram na Bélgica, onde os pais viveram, e o oeirense nasceu em Madrid, há 41 anos, apesar de viver em Linda-a-Velha desde os cinco. “O nome Marto não é nada comum em Portugal. E toda a minha família paterna é da zona de Leiria, Fátima, Peniche, Caldas da Rainha, por aí.”

Todos são católicos, uns “mais praticantes do que outros”. A sua mulher já fez algumas peregrinações a Fátima e foi, no ano passado, até Santiago de Compostela. Juntos, vão sempre uma a duas vezes por ano ao Santuário de Fátima acender uma vela pelos entes queridos.

A sua tia, Ida Marto, vive em Alfeizerão, uma freguesia do município de Alcobaça conhecida pelo pão de ló. Já o outro irmão do pai de Emílio vive nos Estados Unidos, para onde emigrou há muitos anos.

Além de cada elemento da família que ainda tem o apelido, o nome Marto continua presente em alguns pontos físicos do País, como é o caso da drogaria que Emílio tem há mais de 20 anos — a Brico Marto, que fica no número 14 da Rua Antero de Quental—, ou a loja AF Marto do seu irmão, também em Oeiras.

A drogaria de Emílio.

Por não ser um nome nada comum no País, o dono da drogaria revela: “Alguns clientes chegam a perguntar se há alguma ligação.” Na sua descendência, o nome Marto também continua. Emílio tem uma filha de oito anos, Ema Marto.

“Tenho imenso orgulho no nome. É uma história ótima, que nem toda a gente que me conhece sabe, mas é um dos acontecimentos mais importantes de Portugal e isso deixa-me orgulhoso. Toda a gente tem uma história. A minha é esta.”

tags: Emílio Marto, Fátima, linda-a-velha, oeiras, pastorinhos

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