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Casa da Pesca está a ser alvo de pilhagens e vandalismo

Câmara Municipal de Oeiras tem 8 milhões de euros para recuperação, mas processo está bloqueado na Direção Geral do Tesouro.
Já desapareceram dois painéis de azulejos. Foto: Câmara Municipal

A Casa da Pesca, situada na quinta dos Marqueses de Pombal, em Oeiras, foi classificada como monumento nacional há 70 anos. Um raro exemplar da arquitetura barroca portuguesa, tutelada pelo Ministério da Agricultura, que, por causa da inação dos sucessivos governos, está em degradação progressiva. Agora está a ser alvo de pilhagens e vandalismo. A Câmara Municipal tem 8 milhões para investir na reabilitação do monumento, mas a situação está bloqueada na Direção Geral do Tesouro, por causa da burocracia.

Em setembro de 2018, foi elaborada uma petição, dirigida ao Presidente da Assembleia da República, que já conta com mais de 4070 assinaturas, para tentar salvar este lugar histórico de Portugal. Os azulejos, de inspiração mitológica e marítima são, segundo este documento, um “testemunho raro” do movimento artístico da época, a que se juntam a Cascata do Taveira, o imponente anfiteatro desdobrado, o Tanque fronteiro e casa onde eram guardados os instrumentos de pesca.

Embora a maior parte da Quinta dos Marqueses de Pombal tenha sido recuperada, a Casa da Pesca permanece ao abandono. Casa da Pesca, que faz parte da antiga Estação Agronómica Nacional e que é propriedade do Ministério da Agricultura, trata-se de um exemplo particular da arquitetura de veraneio do século XVIII. Inclui também um jardim, uma cascata e um lago, onde em tempos terá pescado a rainha D. Maria I. Estes estão situados na parte norte da quinta e são todos classificados como monumento de interesse público.

Este património encontra-se vedado ao público, abandonado, degradado e em risco de ruína. Vários painéis de azulejos foram, agora, roubados, bem como outras peças ornamentais de grande valor histórico e cultural.

A escadaria encontra-se neste estado.

A Câmara Municipal de Oeiras há muito que reclama a transferência destes imóveis para os reabilitar, preservar e colocar à disposição das pessoas. “Temos projetos em estudo para a reabilitação de todos os edifícios do concelho que são propriedade do Estado e que estão em risco de ruína e/ou visivelmente degradados, como é o caso da Casa da Pesca, mas também da Quinta da Cartuxa”, explica o presidente do município, Isaltino Morais.

“Temos 8 milhões de euros para investir na recuperação do conjunto monumental da antiga Estação Agronómica Nacional, no qual se inclui a Casa da Pesca, e 4 milhões para a Quinta da Cartuxa. Já foram redigidas várias minutas de protocolo e sempre chegámos a entendimento com os diferentes Ministérios, mas depois o processo passa para Direção-Geral do Tesouro e não avança. Quando não defendemos o nosso património, estamos a desprezar a nossa cultura”, sublinha o autarca.

No dia 22 de abril, o município de Oeiras celebrou um protocolo com o Ministério da Defesa para poder fazer a manutenção, conservação e valorização dos jardins, cascata e esculturas da Quinta Real de Caxias. No mesmo dia, o Governo lançou o concurso público para a concessão do Paço Real de Caxias, através do programa Revive, que tem como objetivo a recuperação do património que está ao abandono em diversos pontos do País.

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