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Alcinda Matos: a psicóloga que dá sessões de estudo personalizadas e divertidas

A oeirense começou este projeto na pandemia e criou um conceito diferenciador. Todas as aulas são online.
Vão saber tudo.

“Podes ficar mais um bocadinho?”, ouve regularmente Alcinda Matos, 48 anos, a oeirense que dá as melhores sessões de estudo nas redondezas. Sim, sessões. Não gosta de lhes chamar explicações, porque pretende distanciar-se daquilo que outras pessoas fazem neste ramo. O seu projeto é muito mais pessoal, personalizado e pensado para criar formas alternativas dos mais pequenos ultrapassarem as suas dificuldades. 

“O meu projeto é um bocadinho diferente, porque explicações há muitas. O que identifiquei foi que os centros de estudos ou os ATL’s, na sua maioria, não fazem um acompanhamento personalizado que corresponda às características de cada miúdo. E, durante a pandemia, quando fiquei com a minha filha em casa, ela começou a pedir-me ajuda para algumas matérias. Entretanto, dei por mim a pensar nos miúdos que estavam em casa com os pais em teletrabalho ou fora de casa, sem disponibilidade para ajudá-los”, revela a psicóloga de formação.

Depois de perceber que não estava satisfeita com o trabalho que tinha e precisava de enveredar por algo que realmente gostasse, Alcinda criou este pequeno negócio online. Pois é, todas as sessões são por videochamada. O objetivo é realizar um acompanhamento personalizado do estudo, treinando várias competências que os mais jovens já guardam em si, mas que não são estimulados a usar. Quando estão com a oeirense, praticam a arte da organização, segurança em si mesmos, ultrapassam a indecisão e o medo de falhar. 

“Quero acompanhar as famílias nesta tarefa de educar no que toca ao acompanhamento escolar, mas dando-lhes sempre autonomia para conseguirem ser mais independentes no futuro. O âmbito do projeto é respeitar os miúdos e despertar neles a vontade de aprender. Ajuda associar as matérias à vida pessoal deles, mostrando que aquilo funciona e é necessário, nem que seja para ir a um concurso de televisão. Às vezes até brinco com eles e digo: ‘então, se forem ao ‘Joker Kids’ [programa televisivo da RTP] já sabem as respostas todas'”. 

A verdade é que os resultados têm sido extraordinários. Apesar de cada miúdo ser diferente do seguinte, todos têm conseguido identificar as suas dificuldades e já criam check lists para riscar o que vão terminando. Ao fim do dia, os pais têm sempre estas certezas: os filhos evoluíram e passaram a gostar um pouco mais de livros. 

Além disso, a responsável pela plataforma Estudaconnosco Online, acredita que é importante trabalhar em conjunto com os pais. Todo o tipo de situações que acontecem no dia a dia dos mais pequenos, tem impacto na sua performance de estudos e também no seu interesse pelo mesmo. Os miúdos, defende Alcinda em conversa com a NiO, não gostam de estudar só porque sim. Há sempre uma razão e é necessário perceber qual é. 

“Cada miúdo tem características próprias e, por isso, é muito importante os pais serem bons ouvintes e perceberem as razões que os leva a não gostar de estudar. É fundamental perceber como o aluno se sente na escola, tanto na sala de aula como no recreio e que tipo de relacionamento tem com os colegas e os professores. Algo que já verifiquei, é que quando eles ganham interesse pelas matérias, os miúdos aprendem muito mais depressa. Tenho miúdos do primeiro ciclo que, neste momento, pedem cada vez mais sessões aos pais”, acrescenta. 

No entanto, qual é o segredo que a psicóloga usa nos mais pequenos para ter tanto sucesso? O segredo está na dedicação a cada aluno e nas pesquisas para encontrar desafios e jogos criativos. Ao mesmo tempo, tem de haver um toque de motivação e dar-lhes a confiança que precisam para atingir todos os objetivos. Cada resultado que obtenham sozinhos, é mais uma conquista que os impulsiona a fazer cada vez melhor. 

“Considero que existem ótimos explicadores por aí que dominam as matérias como ninguém e as apresentam bem, mas isto trata-se de coaching também. Foco-me muito neles. Cada sessão parece quase terapêutica. Eles gerem o tempo disponível comigo, sendo que lhes dou sempre grande responsabilidade sobre o que fazemos primeiro. O facto de ser online, funciona porque eles nasceram no meio das tecnologias. Se eles tiverem em frente a um ecrã a trabalhar, habituam-se a ver outras funcionalidades nele que não seja jogar”.

As tecnologias estão a favor deles.

Mesmo só estando à frente deste projeto há cerca de um ano, Alcinda admite ter encontrado a sua profissão de sonho. Aquilo que aprendeu na faculdade tem sido uma verdadeira mais-valia e não se vê a fazer outra coisa. No futuro, não exclui a versão presencial, mas não será esse o método a aplicar por enquanto. 

Cada sessão dura cerca de 45 minutos, custa 25€ e pode ser marcada através da plataforma online. São aceites todos os alunos matriculados no primeiro e segundo ciclo. Neste processo, a colaboração dos pais é indispensável porque são eles os responsáveis pela partilha de matéria nova diária, assim como pelos trabalhos de casa feitos fora das sessões.

“Se para cada idade adaptarmos atividades lúdicas às matérias escolares, estamos a promover a aprendizagem através de métodos mais atrativos.. A utilização de jogos é um dos recursos escolhidos para o desenvolvimento de competências de concentração, memória, atenção e raciocínio lógico e, em simultâneo, se o fizermos com as matérias da escola estamos a tornar as tarefas escolares mais fáceis e divertidas, a facilitar a aquisição de conhecimentos e a desenvolver a capacidade de concentração, tão importante para todo o processo de aprendizagem”, defende a responsável.

Alcinda Matos tem 48 anos.

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