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Acha que sabe tudo sobre a Torre do Bugio?

Este farol na foz do Rio Tejo já foi arma de defesa da cidade, mas também prisão de nomes conhecidos da história do País.
Diz-se que foi construído por cima de um banco de areia.

Muito provavelmente, já passou pela Avenida Marginal ou pela ponte 25 de Abril e pensou no que estaria a fazer um farol no meio da foz do Rio Tejo. Por norma estão localizados mais perto da costa e não isolados, não deixando nenhuma margem para chegar até eles sem de barco. Porém, o caso do farol do Bugio, é diferente. 

A história deste farol começou há muitos séculos. O Forte de São Lourenço do Bugio foi construído perto de 1578. Anos depois, em 1590, o rei Felipe II de Espanha pede aos italianos João Vincenzo Cazale e Leonardo Turriano que a obra seja ampliada. Este perfeito exemplar da arquitetura militar barroca com uma forma arredondada não era comum na altura, mas ambos argumentaram que era desta forma que o forte se iria manter durante as intempéries que haviam de passar. 

A necessidade de defender o litoral do País e o porto de Lisboa foi a principal razão que levou à consrução do forte, o que justifica também a sua base circular de cerca de 62 metros por seis metros de altura. O forte em si conta com 33 metros de comprimento e sete de altura divididos em dois pisos e oito divisões. Já foram muitos os soldados, tenentes e sargentos que ali estiveram, destacados especificamente para proteger a barra de Lisboa de ataques inesperados de outros povos.

Este Forte de São Lourenço da Cabeça Seca – como também é conhecido – cumpriu durante séculos as funções de vigia durante o dia e de farol durante a noite. Apenas esta última se mantém nos dias de hoje, mas este farol serviu para muito mais coisas.

Segundo registos históricos, não foi apenas “escudo do reino” mas funcionou também como colégio destinado à educação dos filhos dos militares do Regimento e como prisão. O general português Gomes Freire de Andrade foi mantido em cativeiro neste mesmo local, depois de ser acusado de conspirar contra o regime absoluto de D. João VI. Depois de torturado, acabou por ser enforcado por traição à Pátria no exterior do revelim (pátio destinado à colocação de mais peças de artilharia).

Anos mais tarde, o Farol do Bugio não conseguiu manter-se inteiro devido ao terramoto de 1755. Sabe-se que a torre ficou totalmente destruída e apenas regressou ao que era antes 20 anos depois. Nesta altura, o Marquês de Pombal manda colocar luz no ponto mais alto, mantendo a costa iluminada a partir de azeite. Com o tempo, deixou de ser utilizado azeite e passou a usar-se petróleo. 

Já no século XX, o Forte de São Lourenço da Cabeça Seca é reconhecido como imóvel de grande valor histórico e cultural, merecendo a atenção do Estado Novo. Desarmado no fim da Segunda Guerra Mundial, fica até aos dias de hoje apenas com a função de sinalização marítima. A eletrificação do farol dá-se em 1959 e a sua última obra de restauro foi no ano 2000 na sequência dos impactos constantes das ondas e das tempestades. 

Esta é a enorme dimensão do farol vista de perto.

Uma curiosidade sobre este antigo e conhecido farol prende-se com a falta de faroleiro desde os anos 80. Ainda no século XIX, existia um grupo de homens que viviam no Bugio com as suas famílias e que se encarregavam da manutenção diária da antiga construção. No início dos anos 60 do século passado, um sistema de rotatividade é imposto e assim se ia fazendo a troca entre faroleiros quando a maré o permitia. A partir de 1981, é instalado um aparelho automático que permitia à Central da Direção de Faróis controlar de forma remota tudo o que se passava. Desde então, não foi necessário colocar mais nenhum faroleiro ao serviço do forte. 

Apesar deste farol não estar aberto ao público e, portanto, não ser possível visitá-lo, sabe-se que é constituído por 12 pontos interessantes. O revelim é o terraço que foi mandando construir para melhorar o poder de fogo, a sala das colunas que é uma antecâmara que dá acesso à “esplanada baixa”, a sala da cisterna que noutros tempos abastecia a população militar que ali vivia e as prisões ou “Masmorras de São Julião”.

Além destas, encontram-se as portas de mar por onde entravam os mantimentos, o “Palácio de São Julião da Barra” que servia de local de receção de convidados, o baluarte de São Filipe, a “esplanada baixa” com o nome Praça do Infante e ainda a cozinha velha. A entrada do lado de terra chama-se “sarilho” e ainda existe a Torre de Farol e a Capela de Nossa Senhora da Conceição. Esta última é revestida de azulejos que representam várias figuras ligadas à história de Portugal, como D. Afonso Henriques e Luís de Camões.

Segundo a divisão territorial, a Torre do Bugio pertence a uma freguesia do concelho de Almada, porém, do ponto de vista militar depende do comando da Fortaleza de São Julião da Barra, em Oeiras.

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