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A história incrível do chef que mora em Algés e cozinha na Embaixada do Senegal

Tem muitas saudades da família, mas a paixão pela culinária trouxe-o até ao concelho de Oeiras.
O chef Adair esteve à conversa com a New in Oeiras.

Oeiras é um concelho com histórias de pessoas incríveis. Que vêm morar para Portugal e escolhem este local à beira rio para se fixarem. São os vizinhos que vemos todos os dias, mas que nem fazemos ideia do que fazem, mas que têm tanto para contar.

O bairro de Algés não é exceção. Além dos que sempre lá moraram, acolhe vidas de pessoas que procuram e lutam todos os dias pelos seus sonhos. A história de Adair Candeias, 44 anos, é assim. Única. E que mostra como a resiliência e a vontade de vencer ultrapassam muitos obstáculos.

A New in Oeiras esteve à conversa com este chef, que chegou ao nosso País com pouca coisa na bagagem, mas com muita vontade de trabalhar e de saber mais sobre cozinha.

Adair nasceu na capital do estado brasileiro de Minas Gerais, Belo Horizonte. Desde pequeno mostrou interesse e paixão pela cozinha e pelos alimentos. Por isso, resolveu especializar-se e tirar o curso na SENAC — Escola de Gastronomia e Hotelaria. “Aprendi muita coisa. Como ajudante de cozinha, na copa e como chef. Depois comecei a dar aulas”, revela.

O chef adora fazer pratos com peixe fresco.

E o ensino é onde Adair Candeias se sente realizado. O poder mostrar a outros como se pode “brincar” com os alimentos e criar pratos fantásticos é para ele um objetivo de vida. 

No Brasil, o chef teve oportunidades únicas. Até cozinhou para a então presidente do país, Dilma Rousseff, num jantar organizado para celebrar a Fifa World Cup 2014. “Nesse dia queimei a minha mão, como nunca antes tinha acontecido. E ainda por cima, cortei a mesma mão. Mas foi uma experiência espetacular”, diz Adair, entre risos.

Ainda que o currículo de Adair seja longo, a maior conquista na vida deste chef foi conseguir que a mãe comesse manteiga. “Ela nunca gostou. Mas uma vez fiz uma farofa de manteiga e um toque de limão, a acompanhar um pernil recheado de ameixas. Adorou. Eu nem queria acreditar”, conta.

Para tentar ganhar mais dinheiro, Adair Candeias emigrou para os Estados Unidos. O destino era Nova Iorque, pois sabia que ali havia muitas oportunidades de trabalho. Mas ao fim de três meses, o cozinheiro regressou ao Brasil. “Lá ganha-se dinheiro, mas aquilo não era para mim. Não havia tempo para mais nada. As pessoas ganham bem, mas não têm qualidade de vida”, explica à New in Oeiras.

Em 2017, teve de tomar a decisão de emigrar novamente. Com um filho para criar, tinha de fazer de tudo para ter mais rendimentos. Uma prima de Adair, que já vivia em Portugal, desafiou-o a vir trabalhar no nosso País.

E foi em Oeiras, que o brasileiro se decidiu fixar. Por estar perto da água, claro está. Começou num restaurante em Queijas e depois trabalhou alguns meses na Marisqueira de Algés.

Mas quis o destino ou a coincidência, que Adair tivesse uma oportunidade única. “Fui cortar o cabelo. E a senhora que me estava a pentear disse que a Embaixada do Senegal estava à procura de um chef”.

Daí até ter conseguido o trabalho ainda demorou algumas semanas. Só que a candidatura foi aceite e Adair tem trabalhado na embaixada desde então. E a experiência tem sido muito positiva. 

O chef a cozinhar na grelha.

Para cozinhar os pratos típicos, há uma cozinheira especialista a quem Adair dá apoio e admira. Quando é o chef a tratar do menu, a imaginação é quem comanda. “Gostam de comida simples. Peixe, frango, legumes. Por isso, tenho liberdade para idealizar o prato. Só não comem carne de porco, nem bebem vinho por serem muçulmanos, de resto é o que a minha cabeça mandar”.

A vida de um chef não é fácil. É preciso ter muita paixão por esta arte de cozinhar, pois é um trabalho que exige muitas horas de dedicação. E o que mais custa a Adair são as saudades. As saudades da família e, principalmente do filho de 14 anos. “Falo com ele todos os dias. E, se Deus quiser, vou ao Brasil no ano que vem”.

Entretanto, Adair Candeias vai aproveitando a vida que o concelho de Oeiras lhe proporciona. Quando tem tempo faz longas caminhadas no Passeio Marítimo ou vai a correr até Cascais. “Tenho aqui poucos amigos. Mas são de qualidade. Quando posso, faço um jantar na minha casa, com uma mesa espetacular e uma boa garrafeira. É muito bom poder ter estes momentos de conversa à mesa”.

tags: adair candeias, Algés, chef, embaixada do Senegal, oeiras

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