fora de casa

fora de casa

O novo estúdio para eventos em Oeiras é o sonho de duas irmãs venezuelanas

Inaugurado em maio de 2026, o projeto recebe até 40 pessoas e aposta numa programação própria com workshops e mercados.

Durante anos sonharam trabalhar juntas, apesar de viverem em países diferentes. Quando finalmente se reencontraram em Portugal, transformaram uma antiga loja vazia na Rua do Chafariz, em Oeiras, num espaço que é uma espécie de faz tudo: dá para organizar festas, workshops e até reuniões de trabalho. O Studio53 abriu em maio de 2026 e é o primeiro projeto criado pelas duas irmãs em conjunto.

Nascidas na Venezuela, Eloísa, de 42 anos, e Susana, de 49, deixaram o país ainda jovens. Susana foi a primeira a sair e, depois de passar por Espanha e Alemanha, chegou a Portugal em 2016. Eloísa seguiu um percurso semelhante, por Espanha e Reino Unido, antes de se juntar à irmã, em 2024. Nos anos seguintes, o resto da família fez o mesmo. Pais e irmãos instalaram-se, um a um, na Linha de Cascais. Os pais, já reformados, dividem agora o tempo entre passeios e os netos. “Depois de muitos anos, conseguimos voltar a estar juntos”, diz Susana.

As duas estudaram na mesma faculdade de arquitetura, com sete anos de diferença entre as candidaturas. Susana recorda-se de a irmã mais nova a observar enquanto desenhava maquetas até tarde e, anos depois, de seguir o mesmo percurso. Mesmo quando viveram em países diferentes, a vontade de trabalharem juntas nunca desapareceu. “Sempre é como que, sim, faremos algo juntas”, resume Susana sobre o sonho que demorou anos a concretizar-se.

Em Espanha, já depois de casar, Eloísa começou por organizar as próprias festas de aniversário e, mais tarde, criar piñatas e decorações para amigos. Hoje é também sócia da PartyMum, empresa de decoração de festas com atividade em Portugal e Espanha. Susana seguiu um percurso diferente, como consultora imobiliária e de relocation.

A parceria entre as duas nasceu de forma improvisada. Pouco depois de Eloísa chegar a Portugal, surgiu um pedido para decorar uma casa para o Natal e pediu ajuda à irmã. “No primeiro trabalho, eu não sabia onde comprar as coisas que eu precisava. Havia muitas coisas que eu não sabia e ela ajudou-me muito”, recorda Eloísa. O resultado convenceu ambas de que fazia sentido criarem uma sociedade. “Ela é mais como de gerência, eu sou mais da criatividade”, resume.

Studio 53
Workshop realizado no Studio53

Foi essa parceria, aliada à formação de ambas em arquitetura, que permitiu transformar o espaço na Rua do Chafariz sem recorrer a uma empresa de decoração. Pintaram paredes, montaram um dos móveis com as próprias mãos, trataram dos vidros decorativos e escolheram cada peça que compõe o espaço. “Há algo de muito especial em ver o teu espaço tomar forma com as tuas próprias mãos. Cada parede pintada, cada detalhe escolhido e cada decisão fizeram parte desta transformação”, diz Eloísa. O Studio53 ocupa uma esquina perto da Biblioteca de Oeiras, com salas amplas e bem iluminadas.

O nome do espaço surgiu depois de várias tentativas. A primeira ideia foi usar o número da loja, o 13, mas uma pesquisa rápida mostrou que já existiam vários estúdios com esse número. Foi então que Eloísa reparou que o S de Susana podia ser lido como um 5 e o S de Eloísa como um 3. A coincidência ganhou ainda mais significado por a avó materna, Nozamae, ter nascido em 1953.

Com 70 metros quadrados e capacidade para até 40 pessoas, o espaço já vários eventos desde a abertura, de uma festa de 19 anos a um chá de bebé, reuniões de empresa e um workshop de macramé para os miúdos. Por se tratar de um prédio residencial, as sócias instalaram painéis acústicos e janelas novas para reduzir o ruído.

Quem quiser reservar pode contactar as irmãs através da página de Instagram do Studio53 ou do telefone 935 912 097 e indicar o tipo de evento pretendido. Depois, recebem um formulário para especificar a data, a hora e as necessidades, como decoração, fotógrafo ou catering, que o Studio53 pode assegurar através de parceiros ou aceitando fornecedores externos. “Os preços variam consoante o horário e o dia da semana, temos tarifas de manhã e de tarde, em dias de semana e ao fim de semana, a partir de 150€”, explica Eloísa. No estúdio existe ainda uma sala mais pequena, chamada Escritório53, pensada para consultas, sessões de terapia ou reuniões individuais, com aluguer a partir de 12€/hora ou 65€/dia.

Os planos para os próximos meses passam por convidar outras pessoas a dinamizar workshops no espaço e criar, pelo menos, dois eventos próprios por mês. O primeiro será um mercado de segunda mão, marcado para sexta-feira, 19 de setembro, com entrada gratuita. A ideia nasce do gosto pessoal de Eloísa pela reciclagem, algo que a acompanha desde a Venezuela, onde o primeiro projeto que assinou foi uma mesa de cabeceira feita a partir de uma caixa elétrica reaproveitada. Quem quiser vender as próprias peças pode simplesmente levá-las no próprio dia. Segue-se um mercado de artesãos, com música ao vivo, ainda sem data marcada.

Carregue na galeria para conhecer melhor o Studio53.

ARTIGOS RECOMENDADOS