Um rosto pintado num muro voltou a colocar um tema sensível no centro do debate público em Espanha. Na cidade de Almería, surgiu um mural que homenageia Noelia Castillo, de 25 anos, que morreu após recorrer à eutanásia, no final de março.
A obra, que foi pintada a 28 de março, é assinada pelo artista espanhol Nauni Moreno Lopez e retrata o rosto de Noelia, acompanhado por duas frases fortes: “O direito de poder decidir” e “A tua dor é a vergonha do sistema”.
Num texto publicado nas suas redes sociais, o artista reforça essa posição: “Pelo direito de decidir, pela luta de Noelia, a tua dor é a vergonha do sistema. Eu não a conhecia, não sabia pelo que tinha passado nem pelo que estava a passar… não sou ninguém para decidir sobre a vida ou a morte de uma pessoa, e tu também não. Só ela sabia, só ela decidiu. Respeitá-la é a única coisa que podemos fazer.” Na mesma publicação, acrescenta: “Grande Noelia e obrigado pela tua luta. Nunca sabemos quando isso nos pode fazer falta a nós.”
O caso de Noelia tornou-se mediático em Espanha após um longo processo judicial que se arrastou durante quase dois anos. A jovem, que ficou paraplégica em 2022 após uma tentativa de suicídio, viu o seu pedido de morte medicamente assistida aprovado em 2024, depois de avaliações médicas confirmarem que estava em plena capacidade para decidir.
Ainda assim, o procedimento foi travado por vários recursos apresentados pelo pai, dando origem a uma batalha legal que passou por diferentes instâncias, incluindo tribunais superiores e europeus. Todas as decisões acabaram por validar o direito da jovem a avançar.
Noelia morreu a 26 de março, numa unidade de cuidados em Sant Pere de Ribes, em Barcelona, após mais de 600 dias de espera desde a aprovação inicial. O procedimento seguiu o modelo previsto na lei espanhola, com a administração de fármacos para garantir uma morte sem dor.
A eutanásia foi legalizada em Espanha em 2021 e permite, em casos de sofrimento grave e irreversível, que os doentes escolham terminar a própria vida com acompanhamento médico. Desde então, já foram registados mais de mil casos no país.
O mural em Almería surge agora como símbolo dessa discussão e também como forma de manter viva a história de Noelia. Entre homenagem e protesto, a obra tem gerado reações nas redes sociais e volta a levantar questões sobre liberdade individual, sofrimento e o papel do Estado nestas decisões.
Se quiser ficar a conhecer com mais detalhe o caso de Noelia Castillo pode ler este artigo da NiT.








