Três meses de viagem pela Ásia bastaram para que Alice Santos concretizasse o sonho de vida de criar a sua própria empresa. Em janeiro de 2024, pegou numa mochila e, com o namorado, percorreu países como a Tailândia, Camboja e Filipinas para se inspirar e “ganhar coragem” de fazer aquilo que sempre quis: ser face e body painter.
“A viagem deu-me o empurrão que precisava, porque há muito tempo que tinha este sonho. Fiquei três meses em viagem e o objetivo era mesmo esse: conhecer novas realidades e criar o meu projeto. Foi lá que fiz a pesquisa, decidi os serviços, planeei tudo o que precisava, desde burocracias às coisas mais simples de logística, escrevi tudo e ainda fechei o nome da empresa”, conta a oeirense de 24 anos.
Assim que regressou a Portugal, lançou a GEKO, cujo nome se inspira num lagarto asiático. É, naturalmente, uma empresa de body e face painting vocacionada para eventos. “Em julho de 2024 criei oficialmente o meu projeto e hoje conto com mais quatro artistas a trabalhar comigo, inclusive a minha irmã”, afirma.
O percurso de Alice no mundo das artes começou cedo. “Desde pequena que pinto e desenho e sempre soube que ia dedicar-me a algo artístico. Há cinco anos tornei-me animadora e pinto miúdos na FUNtoches, uma empresa de eventos infantis”, conta.
Para praticar, usava os irmãos como cobaias e era com eles que “treinava as diferentes pinturas”. Mas foi num evento bem conhecido dos oeirenses que tudo mudou. “Fui pintar, com a empresa dos eventos infantis, ao NOS Alive de 2023 e gostei muito de pintar adultos, fazer figuras diferentes e percebi que havia mercado, porque há poucas empresas de pinturas só para adultos”, confessa.
Foi nessa altura que decidiu viajar, sempre com o objetivo de criar a sua empresa como meta. A aventura, ironicamente, arrancou mesmo quando voltou a casa. “No primeiro evento que fui com a GEKO nem chegamos a pintar. Aparentemente estávamos numa festa ilegal na Margem Sul, uma festa techno, e quando montamos tudo chegou a polícia”, conta entre risos.
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Não demorou até começarem a surgir mais trabalhos. O primeiro verdadeiro impulso aconteceu num evento da marca de roupa Bananêra. “Em julho de 2024 fui fazer pinturas de graça para um evento da marca de roupa Bananêra, para dar a conhecer o meu projeto e criar conteúdo. Nesse mesmo verão consegui o primeiro evento pago, foi para uma ação da Matheus Rosé, em Cascais”.
Desde o arranque do projeto, Alice já pintou em mais de 50 casamentos e perdeu a conta aos eventos de marcas e festas de aniversário. “Fazemos todo o tipo de eventos, casamentos, ações de marca, festas de verão ou Natal, tudo o que for temático, eventos em bares e na praia, aniversário e até baby showers.”
Os trabalhos mais exigentes são, muitas vezes, os seus favoritos. “Adoro o Halloween ou o Dia de los Muertos, é sempre uma loucura. Este ano tivemos a pintar em Marvila só caveiras e elementos mexicanos, ficamos seis horas seguidas a pintar: puxa muito pela criatividade. Depois os trabalhos mais aleatórios são os mais engraçados, pintámos muitas costas de homens num campeonato de Golf, por exemplo”.
Na GEKO, a identidade passa por traços subtis e muita cor. Além dos designs mais tribais, há espaço para pinturas mais sofisticadas, adaptáveis a vários contextos. “Todas as tintas que utilizamos são certificadas e anti-alérgicas, saem facilmente com água. Usamos muito o néon, com luz negra, temos glitter e também stencil”.
Para levar o projeto ainda mais longe, já tem a próxima viagem marcada, desta vez, sem data de regresso. Vai passar entre dois a três meses na Índia, com as tintas na mala e muitos planos por concretizar. “Quero ir pintar as pessoas, é um país com muita tradição de pintura, vou aprender novas técnicas e quero muito saber tatuar henna”, acrescenta.
Carregue na galeria para ver fotografias dos seus trabalhos.

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