fora de casa

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Aos 52 anos, Alicia percorreu oito mil quilómetros de mota pela Amazónia

Entre 2011 e 2013, já tinha dado uma volta ao mundo. Agora, quis perceber como seria percorrer a floresta em estradas de terra.

A viagem ao mundo entre 2011 e 2013 não foi suficiente para fazer Alicia Sornosa descansar. A viajante espanhola continuou a meter-se em aventuras de uma ponta à outra do globo. Este ano, partiu numa das mais desafiantes até agora. 

Durante 40 dias, Alicia, de 52 anos, percorreu a Amazónia, do Peru até ao Brasil, fazendo um total de oito mil quilómetros de ida e volta. A viagem foi feita juntamente com uma amiga, Marcia Susaeta, e utilizou duas autoestradas: a BR-319 para ir e a BR-230 para voltar.

As duas amigas começaram por ir de Lima até Cuzco, duas cidades no Peru a dois mil quilómetros de distância. Depois, seguiram até à fronteira de Manaus, já no Brasil, percorrendo mais 5.900 quilómetros. 

“Quisemos documentar como é a vida antes do asfalto chegar a estes locais e também perceber como se vive nesta zona da Amazónia e qual a situação do ecossistema”, contou à versão espanhola da “National Geographic”. 

Diariamente, a dupla acordava entre as 5h30 e seis da manhã, tomava um pequeno-almoço reforçado e saía logo a seguir. “Saíamos para enfrentar o pó, a terra e os buracos, sempre de olho no céu”, recordou. “Com as chuvas forma-se um lamaçal intransitável e é necessário esperar. Com aquele calor, tudo volta a secar em duas horas. Chegámos a viajar com temperaturas entre os 37 e os 40 graus e 98 por cento de humidade.”

 
 
 
 
 
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O maior desafio, segundo a também jornalista, era conseguir ultrapassar os camiões nas estradas. E o que não faltavam eram veículos com várias toneladas a andar por aí.

“O maior desafio na BR-319 era o calor, o pó e ultrapassagens sem visibilidade”, partilhou. “Na BR-230, o desafio foi uma estrada muito estreita, com muitas subidas e descidas e o piso destruído pelas chuvas, sem manutenção.”

No entanto, nem tudo foi mau. Pelo caminho, as amigas tiveram contacto com as comunidades locais e, principalmente, com a biodiversidade. Perto de Puerto Maldonado, no Peru, ficaram num lodge onde tiveram a oportunidade de passear pela floresta e ver “borboletas de todos os tamanhos, insetos, macacos e até uma sumaúma [uma planta tropical] com mais de dois mil anos”. 

Agora, depois da viagem, Alicia prepara-se para escrever um novo livro — já é o seu terceiro, todos dedicados às viagens. A viajante referiu que a obra deverá chamar-se “Amazónia, antes do asfalto” e será baseada no diário de bordo que foi enviando aos amigos durante a travessia.

“Além disso, quero que, por cada livro vendido, seja plantada uma árvore, como uma pequena iniciativa ecológica ligada a esta viagem pelo pulmão do mundo”, concluiu.

Carregue na galeria para ver algumas fotografias das viagens de Alicia.

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