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Antiga reserva de caça reabre como alojamento turístico com safari e tudo incluído

Os novos proprietários assumiram a proteção dos animais e passaram os últimos anos a ajudá-los a lidar com traumas passados. Agora, já não fogem dos veículos.

Quando entraram na antiga reserva de caça de Sandringham, na África do Sul, os novos proprietários ficaram em choque. Durante vários anos, a região permitiu o abate de animais selvagens e atraiu a atenção de vários caçadores. Quando o terreno foi vendido, os antigos proprietários garantiram que a propriedade não era utilizada para caça há cerca de 15 anos. O cenário, porém, era outro. 

No interior da reserva, os novos proprietários, membros do grupo Sabi Sabi Collection, encontraram um matadouro, a carcaça de uma girafa acabada de abater pendurada no teto e uma leoa branca confinada numa jaula “pouco maior” do que uma mesa de jantar.

“Foi um choque”, disse Jacques Smit, diretor de marketing da Sabi Sabi Collection, ao site “Starts at 60”. “Disseram-nos que não havia caça ali há 15 anos, mas quando entrámos no matadouro, havia uma carcaça de girafa muito fresca pendurada.”

Nesse ano, em 2022, a equipa percebeu que o projeto seria mais complicado do que estava à espera. “Percebemos que não se tratava de caça histórica, mas sim de uma atividade muito recente e pouco ética”, lamentou. “Sabíamos que tínhamos um enorme trabalho de reabilitação pela frente.”

Nos últimos quatro anos, o passado de caça, que ainda marcava a reserva, foi completamente apagado pelo grupo hoteleiro. A 1 de agosto de 2026, a propriedade reabriu com um novo propósito: um refúgio de luxo, com safari fotográfico e proteção completa dos animais.

O recém-inaugurado Sandringham Private Game Reserve dispõe de 12 suites e duas villas à beira-rio que proporcionam uma experiência intimista e personalizada para os hóspedes. Em vez de apagar a história controversa da propriedade, o grupo optou por manter o mesmo nome.

“Teria sido fácil fingir que a história nunca aconteceu e começar do zero, mas sentimos que havia uma história mais importante para contar”, confessou. “Cada paisagem tem os seus capítulos sombrios. Se se apagar o nome, apaga-se a oportunidade de mostrar às pessoas como é a regeneração. Queríamos que cada visitante compreendesse a história de Sandringham e como o turismo ético está a ajudar a revitalizá-la.”

Os animais já não temem os veículos.

Cada suite dispõe de uma piscina privada de borda infinita, casas de banho com acesso ao exterior e espaços de relaxamento, onde se tem uma vista privilegiada para o rio Timbavati. O lodge principal dispõe de um spa e ginásio, um centro educativo para os hóspedes mais jovens e um restaurante, com uma torre de vinhos que exibe rótulos de adegas sul-africanas.

Nestes últimos anos, os trabalhos no terreno foram muito mais além da limpeza da reserva e da recuperação da vegetação. Os próprios animais tiveram de perder o medo dos humanos, depois de vários anos a fugir dos caçadores.

“A resposta, numa palavra, é paciência. Parece muito simples, mas na verdade é um processo profundo. Vai-se, encontra-se um animal e ele foge. Volta-se a encontrá-lo no dia seguinte e ele foge novamente. Repete-se isto dia após dia até que, um dia, já não acontece”, explicou. “Com o tempo, os animais deixam de associar o som de um veículo a tiros e começam a compreender que não estamos ali para os magoar.”

Nos últimos anos, o grupo visitava diariamente a reserva e utilizava veículos para observar os animais que ali viviam. Aos poucos, os leões, os antílopes, os elefantes e outras espécies aprenderam que o som de um motor já não significava perigo. Hoje, a reserva conta também com novos animais que nasceram ao longo da reabilitação da propriedade. Estes, por sua vez, já estão a crescer num ambiente seguro, sem traumas ou receios.

Um dos momentos mais gratificantes (e inesperados) para os proprietários aconteceu quando reconstruíram a barragem e restauraram o caudal natural do rio Timbavati. Pouco tempo depois, uma família de 14 hipopótamos apareceu por conta própria.

A reserva estende-se por quase cinco mil hectares e é atravessada por quatro rios diferentes. Pelo caminho, os hóspedes conseguem ver de perto diferentes famílias e espécies de animais selvagens.

Os safaris de carro e a pé estão incluídos na estadia. O refúgio tem um limite de até 10 veículos a percorrer os 160 quilómetros de estradas mapeadas ao mesmo tempo.

As diárias rondam os 935€ por pessoa, com tudo incluído (estadia, todas as refeições, bebidas e safari). As reservas podem ser feitas online

Como lá chegar

Primeiro, deve apanhar um voo para o aeroporto de Joanesburgo, antes de seguir para Sandringham. A partir de Lisboa, encontra viagens de ida e volta (com uma paragem) desde 850€ para os próximos meses. Quando lá chegar, o ideal é optar por um voo doméstico para a zona do Kruger, com opções que rondam os 130€. 

Carregue na galeria para ver algumas fotografias do Sandringham Private Game Reserve. 

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