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Os sinais a que deve estar atenta (e como fazer o auto-exame) para evitar o cancro da mama

A idade é um fator a ter em conta, mas é importante não desvalorizar. E há uma forma bem simples de ir estando atenta.
Vale a pena estar atenta.

O percurso da medicina é contínuo: nunca pára. É esse avanço que tem permitido que hoje em dia já seja possível enfrentar doenças que noutros tempos eram autênticas sentenças. O cancro é um desses casos em particular. A simples palavra por si só já intimida. E no caso das mulheres, o cancro da mama é mesmo o tumor mais prevalente no sexo feminino. Todos já teremos vivido de forma mais ou menos próximas diagnósticos de cancro da mama.

Atualmente, a medicina dá-nos cada vez mais ferramentas, mas há um fator em particular que continua a poder fazer toda a diferença: descobrir o problema o quanto antes. É por isso que é importante não o desvalorizar. Pode ser o mais prevalente entre as mulheres. Mas o “prognostico é favorável quando diagnosticado precocemente”, como explica à NiT Inês Morujão, cirurgiã geral no Hospital CUF Descobertas e na Clínica CUF Alvalade.

Com a saúde, não há dúvida: o melhor é mesmo estar atento. Felizmente, este é um daqueles casos em que essa atenção é tão importante que anto acessível.

Antes de mais, a especialista realça que o cancro da mama “pode parecer em idades jovens, mas é mais frequente nas mulheres pós-menopáusicas”. Atenção: é possível também haver homens diagnosticados com cancro da mama. “É raro. Corresponde a cerca de 1 por cento das neoplasias masculinas”. Infelizmente, “tende a ser diagnosticado em fases mais avançadas, por desvalorização dos sintomas”.

Inês Morujão salienta que um diagnóstico precoce são necessários três fatores: ir fazendo a fazer um auto-exame mamário, reconhecer os sinais de alerta e realizar exames mamários.

“O auto-exame mamário deverá ser ensinado numa consulta médica ou de enfermagem a partir dos 18 anos”, defende. “O objetivo é aprender a conhecer a mama normal para poder identificar alterações, como, por exemplo, um nódulo que surja de novo”.

Nas mulheres em idade fértil, a melhor altura para realizar o autoexame é uma semana após terminar o período menstrual. Nas mulheres pós-menopáusicas pode ser realizado em qualquer altura do mês”, especifica.

Inês Morujão realça que existem várias formas de realizar o autoexame:

— Deve ser realizado em duas posições diferentes, em pé de frente para o espelho e deitada.
— Devemos utilizar as polpas dos dedos onde temos maior sensibilidade e percorrer toda a superfície da mama incluindo aréola e mamilo.
— Observe descontraída os seios ao espelho, primeiro com os braços para baixo e depois levantados.
— Procure alterações no contorno da mama, zonas de endurecimento, nódulos, “covinhas” na pele, mudanças de cor na pele e mamilo.
— Sinta. Este último passo deverá repetir também na posição deitada, para ajudar a definir alguma alteração que tenha notado em pé.

Se notar alguma alteração de novo, não é preciso entrar em pânico mas, e isto é muito importante, não desvalorize: “deverá contactar o seu médico de imediato”, alerta a médica.

Os “caroços”, as tais “covinhas” da pele ou alterações de cor são já sinais de alerta importantes. A especialista salienta que há outros a ter em conta, como invaginação (quando o mamilo está recolhido para dentro) ou retração (um desvio da posição normal do mamilo), uma assimetria mamária mais clara, um corrimento mamilar unilateral e hemático (seja de sangue claro ou escuro) ou até mesmo uma ferida na mama recente sem história de traumatismo prévio.

Este não é um daqueles casos em que um dos sinais isolados se possa desvalorizar. “Perante a descoberta de pelo menos um destes sinais devemos procurar ajuda médica para clarificar e orientar o diagnóstico”. Nunca é demais repetir: “devemos ter sempre presente que quanto mais cedo procurarmos ajuda, maior a taxa de sucesso para a resolução do nosso problema”.

Quando se devem realizar os primeiros exames mamários? A especialista dá algumas indicações: entre os 35 e 40 anos se assintomáticas e sem história familiar de cancro de mama; se tem história familiar, pode realizar o exame 10 anos antes do diagnóstico do familiar mais novo; no caso de mulheres que já tenham passado pela menopausa, é importante realizar exames anualmente.

Na sua experiência clínica, Inês Morujão sente que, atualmente, “as mulheres, especialmente as mais jovens, estão mais informadas e procuram ajuda especializada quando surgem as primeiras queixas mamárias”. É precisamente aqui que o auto-exame mamário tem feito a diferença.

“Em idades mais avançadas, tendencialmente, assistimos a uma desvalorização dos sinais de alerta”, lamenta. A idade não só é um fator a ter em conta. Ignorar ou desvalorizar pode levar a um diagnóstico tardio. E aqui o tempo é essencial: quanto mais cedo se identificar o problema, maior será a taxa de sucesso. “Não adie a procura de ajuda perante sintomas”, pede a médica. Por si e por quem lhe é próximo.

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