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É mesmo verdade que o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia?

Verdade ou mito. A ciência (e a história de cada pessoa) ajudam a entender melhor esta questão.
A resposta? “Depende”.

É uma frase que já ouviu e leu milhentas vezes. E é até bem capaz de já a ter dito mais umas quantas: “o pequeno-almoço é a refeição mais importante do dia”. Mas será mesmo assim?

Este é o tipo de cliché que passa gerações e sobre a qual já nem pensamos. Há pistas que encontramos até na linguagem. Em inglês, a palavra que o designa é “breakfast” algo que, separado, podemos interpretar como a refeição que “quebra o jejum”. Não é só horário: é mesmo a primeira refeição após várias horas de sono. É importante por isso. O que fazemos com ele, é outra história.

O que nos diz a ciência? Um ótimo ponto de partida é o livro mais recente de Pedro Carvalho, “Os Novos Mitos que Comemos”, nutricionista que a NiT teve oportunidade de entrevistar a propósito do tema do livro, que se dedica a desmontar algumas das dietas da moda mas também a analisar alguns daqueles mitos que atravessam gerações.

Na resposta a esta pergunta, o nutricionista dá uma daquelas respostas que por vezes nos deixam confusões: “depende”. Mas é também a resposta mais certa. Passamos a explicar.

“Existe algum consenso em reconhecer que indivíduos que saltam o pequeno-almoço possuem um peso e perímetro da cintura mais elevado e maior risco cardiovascular”, realça Pedro Carvalho no livro. Isto, no entanto, não quer dizer que se possa assumir que saltar o pequeno-almoço é o único risco associado a problemas de saúde.

Na verdade, prossegue, “o que estudos observacionais realmente transmitem é que quem salta o pequeno-almoço muito provavelmente também tem outros comportamentos alimentares desequilibrados”. A tendência até pode surpreender: afeta mais áreas da nossa vida do que imaginamos.

O que se tem verificado é que quem salta o pequeno-almoço também parece mostrar maior tendência para fumar mais, beber mais álcool, deitar mais tarde e fazer menos exercício. São tudo hábitos que, individualmente ou em conjunto, podem ter um impacto claro na nossa saúde.

“Muitas vezes a desculpa do ‘não há tempo’ tanto serve para o pequeno-almoço como para o exercício”, nota até o nutricionista, que além de acumular o know-how de anos dedicados a esta matéria, tem também a experiência clínica que ajuda a perceber as pequenas armadilhas em que as pessoas se deixam cair.

O fator muitas vezes decisivo é mesmo o equilíbrio. E não falamos só no que se faz na primeira refeição. Por exemplo, há quem salte o pequeno-almoço mas compense isso uma ou duas horas depois, numa qualquer pausa a meio da manhã. Imagine: não comeu nada em casa e acaba depois por optar por alguma opção menos saudável para comer em jejum — basta pensar no tipicamente português café e pastel de nata.

Depois há também quem evite comer naquelas primeiras horas do dia e, quando chega à hora de almoço, o momento é para abusar. O tal acréscimo de apetite até pode vir associado a uma quantidade bem maior de calorias do que se a pessoa tivesse comido algo simples pela manhã.

O especialista aconselha que, se uma pessoa acorda sem fome “não tem necessariamente de comer um grande pequeno-almoço”. Todos nós somos diferentes e é importante irmos sabendo ajustar o que é melhor para nós.

“Seria importante”, aconselha Pedro Carvalho, que a pessoa “terminasse com esse jejum matinal proteico com uma refeição ligeira, nem que fosse um iogurte líquido hiperproteico ou um batido de proteína e uma peça de fruta”.

Por outro lado, quem acorda cheio de fome a primeira coisa que quer é ir a correr à cozinha tratar do pequeno-almoço. Nesse caso, o ideal talvez seja a pessoa tentar perceber se as opções que tem feito são as mais saudáveis e se não há pequenas alterações a fazer, que não impliquem o fim desse prazer da primeira refeição do dia. No limite, se o pequeno-almoço até se tornou a sua principal fonte dos tais quilos indesejados, pode consultar um especialista para reajustar as refeições à sua rotina.

Acima de tudo é importante não olhar para qualquer refeição como se fosse o único prato do dia. Não é. Se o pequeno-almoço foi super saudável mas o almoço e jantar são hora de fast-food, está visto que as boas opções da manhã não o salvam do resto do dia.

Do mesmo modo, uma simples peça de fruto pela manhã até pode ser coisa que deixaria as nossas mães e avós a levar as mãos à cabeça. “Só isso!?”. Mas a verdade é que se o resto do dia for balanceado e se sentir bem, se calhar as avós e mães não tinham assim tanto com que se preocupar.

Quando se trata de comer saudável, é possível manter as coisas de forma simples. Se o problema está, muitas das vezes, em não ter ideias do que comer, a nutricionista Maria Gama garante que é fácil. Não acredita? Carregue na galeria para conhecer cinco propostas da autora do blogue NiT “Põe-te na Linha”, saudáveis e usando apenas dois ingredientes.

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