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Dois irmãos gémeos fizeram dieta ao mesmo tempo — uma vegan e outra não

Hugo Turner, que se tornou vegan, perdeu mais peso. Ross engordou, mas criou uma maior defesa contra doenças.
É comum vermos os irmãos a experimentarem coisas opostas.

O debate sobre qual é a melhor dieta é antigo e nunca vai terminar. Muitos argumentam que é a alimentação mediterrânica; outros defendem afincadamente que é o veganismo ou até o vegetarianismo. Ross e Hugo Turner, dois irmãos gémeos de 33 anos, decidiram tirar as suas próprias conclusões. Para isso, embarcaram numa viagem por caminhos diferentes.

Esta não é a primeira vez que ambos usam os próprios corpos para comprovar a disparidade entre algo. Em 2015, os irmãos — que são conhecidos como “ratos de laboratório da aventura” — escalaram o pico mais alto da Europa, que se encontra na Gronelândia. Um deles usou material de montanhismo antigo, réplicas de produtos usados em 1914. O outro recorreu a ferramentas modernas. Surpreendentemente, foram os materiais clássicos que provaram ser mais eficazes na árdua tarefa de subir a montanha.

Desta vez, os britânicos aventuraram-se pela dietas, terreno que também não é novidade para ambos. No final de 2019, Ross começou um plano alimentar rico em gordura e acabou por perder três quilos. Hugo focou-se nos hidratos de carbono e acabou por engordar o mesmo peso.

Neste novo projeto, puseram em prova o veganismo e uma dieta omnívora. Tendo como base o seu material genético semelhante, ambos pretenderam descobrir qual é, de facto, a dieta mais saudável: a tradicional ou a vegan, que tem cada vez mais fãs.

Durante 12 semanas, os gémeos Turner foram acompanhados pelo departamento de Pesquisa de Gémeos & Epidemiologia Genética do King’s College de Londres. Hugo Turner seguiu a dieta vegan; Ross manteve a linha alimentar que já seguia até então.

“Queríamos usar o modelo de dois gémeos idênticos, que são clones genéticos, para vermos o efeito das dietas e do exercício e de como estes indivíduos respondem a diferentes tipos de comida”, explicou Tim Spector, o principal autor do estudo, à “BBC” a 3 de dezembro de 2021 — aproximadamente um ano após o estudo.

Os resultados foram notáveis, não só no físico como também na saúde de cada um. Hugo Turner, que seguiu a dieta vegan, baixou o nível de colestrol de 5,9 para 4,9.

“Desceu drasticamente”, conta à “Men’s Health”. “Os meus níveis de energia também estavam muito bons. Íamos ao ginásio cinco ou seis vezes por semana e nunca houve uma sessão onde eu pensasse que já não tinha energia para aquilo”, acrescenta.

Nas primeiras duas semanas, Hugo acabou mesmo por perder quatro quilos. Porém, durante este período, sentiu um enorme desejo de comer carne e queijo — dois tipos de alimentos que os veganos não comem devido à sua origem animal.

O outro irmão assistiu a um cenário oposto “Tinha picos de energia, mas depois ia-me abaixo. Os resultados dos nossos treinos foram bastante diferentes. Eu ganhei peso e o Hugo perdeu”, explica Ross à mesma publicação.

Se a alimentação era totalmente oposta, o treino foi igual para ambos — focado em resistência com várias repetições de pouca intensidade.

“Não estávamos a tentar ganhar massa muscular”, diz Hugo Turner. No entanto, isso acabou por acontecer Com a dieta vegan, Hugo perdeu um quilo de gordura e ganhou 1,2 quilos de massa muscular. Já Ross acabou por adquirir 2,8 quilos de massa gorda e quatro de muscular.

A dieta omnívora também trouxe alguns benefícios importantes. Durante o estudo, as bactérias intestinais de Ross Turner mantiveram-se estáveis, o que resulta numa maior defesa contra doenças. Por outro lado, Hugo viu o seu número descer, deixando-o mais vulnerável. Ainda assim, segundo o que a “BBC” explica, este tipo de resposta varia de indivíduo para indivíduo e não estará diretamente ligado ao tipo de alimentação.

Carregue na galeria para descobrir algumas receitas vegan e tirar as suas próprias conclusões.

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