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Cláudia Raia está grávida aos 55 anos. É possível engravidar naturalmente tão tarde?

A gestação tardia acarreta sérios riscos, mas o que todos se têm perguntado é se aconteceu sem recurso a tratamentos.
O assunto tem dado que falar.

Cláudia Raia anunciou esta segunda-feira, 19 de setembro, que estava grávida do terceiro filho. A atriz brasileira gravou um vídeo com o marido em que revela que a descoberta foi “uma agradável surpresa”. A novidade gerou milhares de comentários e as suspeitas não tardaram a chegar: corre o rumor que a artista de 55 anos poderá ter recorrido à inseminação artificial. Independentemente da forma de concepção, uma gestação tão tardia representa sempre um risco para a mãe e para o bebé.

Visivelmente muito feliz, Cláudia Raia e o marido anunciaram a gravidez de forma original. No vídeo que partilharam no Instagram — mais tarde esclareceu ser um post patrocinado por uma marca de testes de gravidez — aparecem a fazer alguns passos de sapateado, que depois são imitados por alguém que não se vê. Nesse momento, a estrela da Globo coloca-se de perfil e aponta para a barriga. A atriz legendou o momento afirmando que ter um bebé era um sonho do casal. “Não é novidade nosso sonho de sermos pais! E não é que ele se realizou? estamos grávidos!”. Nas Stories adiantou como descobriu: “Quando a médica me pediu um beta, um exame de sangue de gravidez, eu falei: ‘Amor, você ’tá’ bem louca, de onde você tirou isso? Tenho 55 anos”.

A revelação deixou no ar que poderia ter sido uma gravidez natural, mas a atriz não esclareceu de forma cabal se assim foi ou se recorreu à procriação medicamente assistida. No entanto, em 2020, Cláudia Raia revelou, numa entrevista no canal de YouTube de Sabrina Sato, que gostaria de ter mais filhos e fez colheita de óvulos — embora não tenha especificado há quanto tempo o tinha feito. Com ajuda médica ou de forma natural, engravidar fora do intervalo etário considerado a idade fértil (entre os 15 e os 49 anos) não é fácil, um facto que gerou um acesso debate nas redes sociais.

“É muito incomum acontecer uma gravidez após os 50 anos, principalmente espontaneamente”, começa por explicar à NiT a obstetra Mariana Torres. Com o avançar da idade, a fertilidade diminui, entre outros fatores, devido à diminuição da reserva ovárica “que é muito marcada após os 43 anos”, esclarece.

“Mesmo quando falamos de procriação medicamente assistida (PMA), em Portugal não é permitido recorrer-se a este método após os 50 anos de idade, inclusive no sistema privado de saúde”, afirma a obstetra. A comunidade médica não o faz porque a probabilidade de sucesso a partir dessa idade, mesmo com recurso a ovócitos doados, é reduzida.

Em 2021, em Portugal, nasceram 79.582 bebés e, destes, apenas 38 tinham mães com mais de 50 anos. Ou seja, 0,04 por cento do total de nascimentos. Mariana Torres supõe que a maioria tenham sido concebidos com recurso a tratamentos de fertilidade feitos a mulheres ainda com 49 anos, ou então realizados no estrangeiro.

Os bebés que chegam “fora do prazo”

As mulheres que engravidam depois da idade considerada fértil podem estar perante dois cenários: aliviadas porque estão a concretizar um sonho quando o bebé foi planeado; ou surpresas porque achavam que tal seria impossível e não estavam, de todo, à espera.

O que acontece com alguma frequência é as mulheres pensarem que já entraram na menopausa e, afinal, estão grávidas. Estas gestações mais tardias, geralmente de mulheres que já têm outros filhos, dão origem a bebés que são popularmente descritos como “fora de prazo”.

Na realidade, muitas mulheres engravidam quando ainda estão na perimenopausa — o período de transição para a menopausa, que pode durar até quatro anos, e que começa com as primeiras alterações significativas no ciclo menstrual. A menopausa só pode ser confirmada após 12 meses consecutivos sem qualquer período menstrual.

Quando a mulher já está nesse período em que não é menstruada dificilmente conseguirá engravidar naturalmente, mas recorrendo a métodos de procriação medicamente assistida é possível. Porém, como lembra a especialista: “mesmo após PMA, a probabilidade de sucesso é bastante baixa.”

Qualquer que tenha sido a forma de conceção da atriz brasileira, uma gestação depois dos 50 anos é uma gravidez considerada de risco, quer para a mãe, quer para o bebé. “A principal complicação associada à idade é o risco de alteração dos cromossomas, levando a uma maior probabilidade de perda gestacional ou de malformações do bebé”, sublinha Mariana Torres. E acrescenta: “Os bebés têm maior risco de nascerem com baixo peso, prematuros e há maior probabilidade de acontecer uma morte fetal intrauterina”.

Outro fator importante a ter em conta é a condição de saúde da mulher, se tem ou não doenças crónicas (como a hipertensão arterial e a diabetes, que se tornam mais frequentes com o avançar da idade) que possam agravar durante a gestação ou prejudicar o seu normal desenvolvimento. “Mas, mesmo em grávidas sem doenças crónicas, há maior risco de surgirem doenças na gravidez e também de terem problemas com a placenta, como por exemplo, o descolamento de placenta ou placenta prévia”, alerta a especialista em obstetrícia.

Como é considerada uma gravidez de alto risco as grávidas terão de ser mais vigiadas. “As consultas acontecem com uma maior periodicidade e são realizados mais exames médicos”, refere a profissional. E continua: “A idade materna avançada também poderá condicionar o parto, nomeadamente em caso de indução”. O parto vaginal não é necessariamente excluído à partida, mas a probabilidade de realização de uma cesariana é muito elevada.

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