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Afinal, porque é que aparecem manchas escuras nas axilas?

Existem vários motivos para o aparecimento, mas o primeiro passo será consultar um especialista.
É mais comum do que se pensa.

Ponha o braço no ar quem nunca sentiu complexos com pequenas coisas. Algumas mulheres sentem-se complexadas com a celulite que teima em aparecer nas coxas ou no rabo, outras com estrias que revelam mudanças no corpo, ou mesmo com alguns quilos que possam sentir que estão a mais. Porém, existem algumas que sofrem por muitos outros motivos, entre eles as manchas mais escuras que aparecem em certas zonas do corpo. Apesar de não ser tão falado, este problema é bastante comum, sobretudo em pessoas com um tom de pele mais moreno, como grande parte da população portuguesa.

“É uma situação que vai acontecendo, sobretudo em pessoas com o fototipo mais elevado e que afeta muitas mulheres, especialmente quando aparecem nas axilas”, afirma a dermatologista Ana Moreira, da clínica Allure. Como se trata de uma zona mais exposta acaba por se tornar, mais facilmente, motivo de complexo. “Agora no verão, as mulheres procuram-nos mais porque é algo que as atormenta, uma vez que as roupas revelam mais pele, sobretudo dos braços”, refere a médica.

O que causa o escurecimento das axilas?

Segundo a especialista em dermatologia podem existir várias causas para esta hiperpigmentação. O escurecimento das axilas é muitas vezes causado por uma inflamação. Ou seja, quando o organismo está inflamado, uma das manifestações pode ser o aparecimento destas manchas mais escuras em certas parte do corpo. Além disso, como explica Ana Moreira: “a axila é uma área anatómica muito particular, porque está muitas vezes em contacto com a pele do tronco, o que acaba por criar uma ligeira fricção, que depois irrita a pele e origina as tais manchas”.

De acordo com a clínica, este atrito pode ser causado apenas pelo movimento natural dos braços ou pelo uso de roupas justas. Porém, em caso de excesso de peso, “o atrito é ainda maior, e por isso existe também mais probabilidade de acontecer”, salienta.

Contudo, esta condição pode também ser por motivada por razões estéticas ou hormonais. O excesso de transpiração, a escolha de desodorizantes com álcool e o método escolhido para a depilação podem também levar, com muita facilidade, ao aparecimento destas manchas. “A depilação a cera ou com Gillette acabam por ser mais agressivas para a pele, causando uma certa irritação que pode então originar estas imperfeições mais escuras“, destaca a dermatologista.

A diabetes é outro dos fatores de risco para esta condição. “A resistência à insulina é o suficiente para levar a uma condição a que chamamos de acantose nigricans”. Segundo a especialista em dermatologia, esta é conhecida por tornar a pele de certas regiões do corpo, como as axilas, virilhas e pescoço, mais espessa, aveludada e escura.

Existem outras condições de saúde, como a hiperidrose — transpiração excessiva — ou alterações hormonais que estão na origem desta patologia. O síndrome de ovários poliquísticos, que resulta de um desequilíbrio hormonal e leva à formação de quistos neste órgão feminino, durante o período de ovulação, gera uma maior produção de hormonas. Este aumento vai aumentar os níveis de insulina no corpo e provocar a hiperpigmentação.

É possível recuperar?

Quando estas imperfeições aparecem, o primeiro passo é consultar um dermatologista, ou o médico de família, para despistar qualquer uma das doenças mencionadas. “É importante perceber se é um acantose nigricans ou apenas uma pós inflamação e para isso têm de se fazer análises ao sangue para avaliar os níveis da glicose e fazer um estudo da tiróide e perceber se existem alterações a nível hormonal”, explica à NiT a especialista em dermatologia. Depois, consoante o diagnóstico, o paciente é reencaminhado para a especialidade mais adequada para resolver a questão.

“Normalmente aconselhamos a adotar um estilo de vida saudável para evitar inflamações e depois, topicamente, podemos receitar a colocação de alguns cremes ricos em retinóis e ureia que vão atuar para diminuir a espessura das placas e aclarar a zona.” A dermatologista alerta que não adianta utilizar estas substâncias se não existirem os cuidados necessários para corrigir as alterações hormonais.

Quando a origem é realmente inflamatória, o tratamento, será, de acordo com Ana Moreira, adequado à origem da patologia. “Poderemos usar alguns cremes despigmentantes, porém estes funcionam melhor em algumas pessoas do que outras. Sugerimos também a depilação a laser, quando existe essa possibilidade, e depois existem peelings e métodos de tratamento a laser que diminuem a mancha.”

Outras dicas da profissional, que podem ser feitas em casa, são secar bem a região para impedir a proliferação de fungos e bactérias que podem levar a inflamações e incluir as axilas no momento da hidratação.

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