cultura

Zé Resende: a urban sketcher que se inspira nas viagens e em Oeiras

Forte de S. Julião, S. Bruno, Giribita, Farol da Gibalta, e Farol do Esteiro são alguns dos locais que deram origem a estas obras.
Farol do Esteiro.

Maria José Resende, ou Zé Resende como prefere ser chamada, tem 59 anos e uma vida passada no concelho de Oeiras, sempre entre viagens. É engenheira eletrotécnica, mas apaixonada pelas artes.

“O amor pelo desenho surgiu naturalmente do meu amor por muitas e diversas áreas da arte. Tendo como formação as ciências exatas, sempre senti necessidade de equilibrar os dois hemisférios cerebrais com diversas atividades criativas, como a música, a escrita, os têxteis, a bricolage… Os sketches surgiram há cerca de três anos, através de amigos, e rapidamente se transformou numa atividade que me dá muito prazer”, conta à NiO.

Como não poderia deixar de ser, sendo o seu concelho e um dos mais belos do País, Oeiras tem sido o foco de muitos dos seus desenhos, que são partilhados na sua página de Instagram. “O facto de gostar de desenhar ao vivo, gostar do mar e ter nas proximidades locais tão bonitos, potencia que muitos dos meus desenhos sejam do concelho de Oeiras.”

Vários são os desenhos à beira mar, em locais emblemáticos como o Forte de S. Julião, S. Bruno, Giribita, Farol da Gibalta, Farol do Esteiro, ou Ermida de NS da Boa Viagem. Mas também podem ser simplesmente situações passageiras na sua rua, que vai vendo pela janela.

“É um tipo de meditação que contribui para o meu equilíbrio e usei-o exaustivamente nestes tempos difíceis que vivemos.” Além da paixão pelo seu concelho, tem outra: as viagens.

Zé nunca viaja sem o seu caderno e os materiais para pintar. Destaca os estímulos em viagem, que inspiram e povoam os desenhos, e o tempo que é sempre maior do que no dia a dia.

“Também é uma forma diferente de viajar, porque as recordações que trazemos incluem as peripécias adicionais do desenho. As pessoas que se abeiram de nós para ver o que estamos a fazer, a areia que fica colada pela imensa ventania que se levanta… As condições nunca são as ideais, mas são exatamente essas recordações que gosto que fiquem gravadas no desenho. Uma fotografia não tem essa capacidade.”

Para Zé Resende, todas as viagens tiveram o seu encanto. No entanto, destaca duas. 

“Talvez o Quénia, pela experiência de estar tão próxima de animais em liberdade, e a Índia pela sua mística, tenham um lugar especial. Mas tenho feito diversas viagens a Marrocos, que é um país cheio de contrastes, e muito ‘desenhável’. Dos mercados, às pessoas, passando pela arquitetura, pelo deserto e pelas paisagens, o difícil é não estar sempre a desenhar.”

Quanto às suas técnicas favoritas: o desenho a caneta e a cor a aguarela. Porém, depende muito do seu “estado de espírito” e da “sensação que o local” lhe provoca. Antes da pandemia, tinha por hábito juntar-se à comunidade Urban Sketchers para desenharem em conjunto. Continuam ainda a encontrar-se, através do Zoom, até que a pandemia os permita voltar a ver o mesmo local com outros olhos.

MAIS HISTÓRIAS DE OEIRAS

AGENDA