cultura

Wolf Alice no NOS Alive: uma boa banda no sítio errado à hora errada

Uma sirene da polícia, um megafone e riffs de guitarra foram alguns dos elementos que marcaram o espetáculo.

O som hipnótico de “Bloom Baby Bloom” bastou para transformar o recinto do NOS Alive num silêncio quase absoluto. Era o sinal de que tinha começado um dos concertos mais aguardados desta sexta-feira, 10 de julho. A expectativa durou apenas alguns segundos: assim que Ellie Rowsell começou a cantar, os fãs juntaram-se em coro, acompanhando a banda verso após verso.

“Olá, Lisboa”, disse a vocalista, em português, arrancando uma forte reação do público. “É tão bom estar de volta à vossa linda cidade. Adoro estar aqui”, acrescentou, já antes de “White Horses”. Foi um dos momentos em que o baterista Joel Amey assumiu o protagonismo ao microfone, antes de passar novamente o testemunho a Rowsell, a figura central dos Wolf Alice.

Seguiu-se “Formidable Cool”, onde a guitarra ganhou o papel principal e deu o mote para uma atuação cada vez mais intensa. Mas um dos momentos mais especiais da noite estava reservado para “Lisbon”, uma escolha inevitável perante um público português.

Além de cantar, Ellie Rowsell voltou a mostrar a sua versatilidade ao pegar na guitarra, protagonizando um final frenético ao lado do guitarrista Joff Oddie. A intensidade do instrumental foi tal que, em alguns momentos, acabou por se sobrepor ligeiramente à voz da cantora.

“Como se estão a sentir? Quem está entusiasmado pelos Foo Fighters?”, perguntou Oddie, referindo-se aos cabeças de cartaz da noite. A resposta surgiu imediatamente através dos gritos ensurdecedores dos festivaleiros, que dispensaram qualquer confirmação verbal.

Em “How Can I Make It OK?”, foi o público quem ajudou a construir o ambiente, acompanhando a banda com palmas ritmadas — guiados pelos artistas — que rapidamente se espalharam por todo o recinto.

“É tão entusiasmante estar aqui. Diverti-me tanto em Lisboa. Amo os pastéis de nata”, brincou Ellie Rowsell antes de interpretar “The Sofa”, um tema que aborda as contradições da vida adulta e que serviu também para a vocalista mostrar toda a potência da sua voz.

O ambiente voltou a aquecer quando o grupo desafiou todos os que tinham ido ao festival acompanhados pelo melhor amigo a abraçarem-no e dizerem-lhe que o amam. O momento antecedeu “Bros”, uma das canções mais acarinhadas pelos fãs. Já em “Play It Out”, voltou a destacar-se o trabalho de Joff Oddie na guitarra, com alguns riffs intensos.

Uma sirene estridente anunciou depois “Yuk Foo” — o que deixou alguns festivaleiros em pânico sem saber exatamente o que estava a acontecer. Ellie Rowsell surgiu com um megafone na mão para interpretar o tema mais explosivo da atuação, transformando o recinto numa espécie de manifestação.

A intensidade manteve-se em “Play the Greatest Hits”, antes de a banda abrandar o ritmo com “The Last Man on Earth”, uma balada bem-vinda num concerto que praticamente nunca tirou o pé do acelerador.

Os Wolf Alice fecharam a atuação com “Don’t Delete the Kisses”, o maior êxito de uma carreira com mais de uma década. Já na despedida, Ellie Rowsell desejou um bom espetáculo a quem ficaria para ver os Foo Fighters. 

E, talvez por isso, por terem atuado imediatamente antes da banda que mais festivaleiros levou ao NOS Alive no segundo dia do evento, o impacto junto do público não tenha sido tão efusivo quando era esperado. É que muitos assistiram ao concerto apenas como compasso de espera dos cabeças de cartaz, fazendo deste um espetáculo competente, mas pouco memorável num dia que será recordado por outros nomes. 

O alinhamento completo do espetáculo:

— “Boom Baby Bloom”
— “White Horses”
— “Formidable Cool”
— “Lisbon”
— “Just Two Girls”
— “How Can I Make It OK?”
— “The Sofa”
— “Bros”
— “Bread Butter Tea Sugar”
— “Fuk Yoo”
— “Play The Greatest Hits”
— “Smile”
— “The Last Man on Earth”
— “Don’t Delete the Kisses”

Carregue na galeria para ver algumas das imagens do concerto.

ARTIGOS RECOMENDADOS