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“Uma declaração de guerra.” Família real chocada com documentário de Harry e Meghan

O teaser foi lançado durante uma visita oficial de William e Kate aos Estados Unidos. A realeza acredita que foi propositado.
As relações já tiveram melhores dias.

Por estes dias, parecemos estar a assistir a um episódio de “The Crown” em direto graças ao drama real da fuga do princípe Harry e Meghan Markle. O casal anunciou o corte oficial com a Família Real Britânica em fevereiro de 2021 e, desde então — já lá vão quase dois anos —, as controvérsias sucedem-se  a um ritmo avassalador.

Como se não bastasse a polémica entrevista a Oprah, Harry e Meghan decidiram avançar para a produção de um documentário do qual acaba de ser divulgado primeiro teaser. “Ninguém vê o que se passa nos bastidores”, explica a voz do filho mais novo do atual rei Carlos III no curto vídeo de apresentação de “Harry & Meghan”. “Tive que fazer tudo o que podia para proteger a minha família.”

“Quando os riscos são tão grandes, não faz mais sentido que a nossa história seja contada por nós?”, conclui Meghan, que surge várias vezes em lágrimas nos curtos trechos mostrados no vídeo agora lançado, que tem menos de um minuto.

As críticas, já se sabe, avolumaram-se assim que o teaser foi divulgado. A Família Real, que procura sempre manter a maior discrição possível no que toca aos assuntos privados e familiares, está em polvorosa com a nova possibilidade de mais revelações. E não é tudo: o timing do anúncio estará também a provocar indignação, sobretudo ao irmão de Harry, William, e à mulher Kate, a cunhada.

Segundo o “The Daily Mail”, o sucessor de Carlos III foi apanhado desprevenido durante a sua viagem oficial precisamente aos Estados Unidos, onde se irá encontrar com o presidente Joe Biden esta sexta-feira, 2 de dezembro.

Harry e Meghan estarão a ser acusados de tentarem sabotar a deslocação dos príncipes de Gales, avança o jornal britânico. Fontes próximas da família real terão mesmo dito que o gesto está a ser considerado “uma declaração de guerra”.

Ainda assim, oficialmente, não foi feita qualquer declaração sobre o lançamento do teaser, embora fontes próximas de William tenham explicado que o sucessor ao trono “não se irá deixar distrair”. Isso poderá mudar a 8 de dezembro, a data que tem sido avançada como a da estreia oficial de “Harry & Meghan”, embora não tenha sido confirmada pela Netflix.

O primeiro vislumbre do documentário promete relevar facetas da vida íntima do casal, com muitas imagens e fotos privadas, que têm igualmente sido muito criticadas. Numa delas, o casal surge ao fundo, ofuscado por William e Kate, que se destacam como figuras centrais num evento oficial. “Não vejo como alguém possa interpretar isto de outra forma que não como uma declaração de guerra”, terá dito uma fonte da monarquia ao “The Daily Mail”. “Só podemos concluir que se trata de uma manobra publicitária para espicaçar o interesse no documentário — e para colidir com a visita de William e Kate”, explica.

O jornal britânico terá contactado alguns amigos próximos de William e Kate e afirma que estes se revelaram “chocados” e “estupefactos” pela forma como tudo parece estar a ser retratado neste primeiro teaser. “É chocante o uso das imagens de William e Kate, a forma como tudo é apresentado“, explica o jornal, que remete para a tal imagem onde se encontram os “quatro fabulosos”, como então eram conhecidos. A fotografia, tirada no Dia da Commonwealth em março de 2020, indiciava já uma relação entre os casais em processo de deterioração. “Este foi o evento sobre o qual Omid Scobie, apoiante de Meghan, escreveu. Sobre ele, disse que William e Kate terão recusado sequer trocar olhares com Harry e Meghan nesse dia.”

Segundo a Netflix, a produção “explora os dias clandestinos do início de namoro e os desafios que levaram o casal a sentir-se forçado a desistir dos seus papéis a tempo inteiro na instituição”. Contará também com relatos de amigos e família de Harry e Meghan, em entrevistas inéditas, que se focam no que terá acontecido atrás dos holofotes. Surge na sequência de um muito comentado acordo com a plataforma de streaming celebrado em 2021 e que terá garantido ao casal cerca de 100 milhões de euros. O objetivo passava pela produção de vários conteúdos, incluindo um podcast, que acabaria por ser lançado apenas em 2022.

Primeiro o documentário, depois o livro

Em outubro, Harry anunciou que iria lançar as suas memórias em livro. “Spare”, que traduzido significa, literalmente, sobresselente, chega às livrarias a 10 de janeiro. Embora fontes próximas do ex-membro da família real tenham garantido ao “The Telegraph” que não será “um ataque à família”, pode contar-se com “uma história de lutas e idiossincrasias familiares, com as quais todas as pessoas se irão conseguir identificar”.

Não se esperam, segundo a mesma fonte, “revelações bombásticas”, à semelhança do que ocorreu com a polémica entrevista dada pelo casal a Oprah Winfrey. Existem, porém, algumas certezas: Carlos e William não vão gostar de ver novas questões familiares discutidas em praça pública.

O livro “tem como alvos” alguns membros da família real, sobretudo o rei, com quem Harry mantém uma ligação complicada. “Há uma dor e sofrimento genéticos” na relação entre ambos. “Não podes viver toda a tua vida a tentar fazer a tua família e irmãos felizes”, revelou. “Por vezes tens que escolher a tua própria felicidade.”

Segundo o jornal “The Sun”, o processo de preparação e escrita das memórias de Harry não foi fácil. O livro terá sido mandado para trás pelos editores diversas vezes para inúmeras alterações. Especula-se que o objetivo seria o de inclui mais revelações e polémicas na narrativa.

“Queriam mais do que o que estava no primeiro rascunho e, depois da morte da rainha, Harry quis refinar alguns pormenores”, acrescenta. “Há a preocupação de que o príncipe tenha de apimentar o livro incluindo revelações com as quais poderá não estar confortável.”

Outro dado curioso: Harry terá dado luz verde às ex-namoradas e amigos para falarem com a imprensa, isto depois de anos a fio a pedir-lhes que não o fizessem. “Falou com eles, que lhe responderam de foram educada e lhe disseram que iriam pensar no assunto. No fim, a maioria disse que não o faria”, revela a fonte. “É quase irónico, porque durante anos, Harry passava-se se suspeitasse que tinham falado com a imprensa. De repente, passou a precisar da ajuda deles, por isso, já não haveria problema.”

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