cultura
ROCKWATTLET'S ROCK

cultura

Série mais vista da Netflix no momento retrata uma seita sombria que deixa o público inquieto

Um encontro inesperado abala uma comunidade fechada e leva uma jovem mãe a questionar tudo o que sempre acreditou.

Há mundos onde tudo parece perfeito à superfície, mas basta um detalhe fora do lugar para expor tudo o que está errado. Em “Os Não Eleitos”, é isso que acontece quando um desconhecido entra numa comunidade que vive fechada sobre si própria. 

A nova minissérie da Netflix estreou a 21 de abril e tem apenas seis episódios, todos já disponíveis na plataforma. A produção conquistou o público, ocupando atualmente o primeiro lugar do top das séries mais vistas em Portugal. A história leva-nos até à Irmandade do Divino, uma comunidade religiosa isolada no interior de Inglaterra, onde as regras são rígidas e a vida fora do grupo é vista como uma ameaça.

“Neste thriller psicológico britânico, uma jovem mãe devota vê a sua vida virar do avesso após cruzar-se com um forasteiro misterioso, começando a questionar a fé em que foi criada e a descobrir os segredos sombrios da comunidade”, lê-se na sinopse oficial.

No centro está Rosie (Molly Windsor), uma mulher que sempre seguiu as normas impostas pela seita — incluindo um casamento controlado e uma vida dedicada à família. Tudo muda quando conhece Sam (Fra Fee), um estranho que entra no grupo após salvar a sua filha. O encontro funciona como um gatilho: quanto mais se aproxima dele, mais começa a duvidar de tudo o que conhecia.

 

A partir daí, a série constrói-se como um jogo de tensões, entre fé e liberdade, entre pertença e isolamento, enquanto revela a dinâmica interna da comunidade, liderada por Mr. Phillips (Christopher Eccleston). O elenco inclui ainda Asa Butterfield, no papel do marido de Rosie, e Siobhan Finneran.

Apesar do sucesso inicial, tendo chegado rapidamente ao topo dos conteúdos mais vistos da Netflix, a receção crítica tem sido tudo menos consensual. No Rotten Tomatoes, “Os Não Eleitos” soma 63 por cento de aprovação entre críticos e 39 por cento do público.

No “The Guardian”, a reação é particularmente dura. A crítica descreve a série como “um drama feito por fórmula, que começa de forma competente mas rapidamente perde força”, questionando até “porque é que um elenco tão forte aceitou participar num projeto assim”.

Já o “Decider” vê potencial na premissa, mas aponta limitações na execução. A publicação escreve que a série “lembra ‘The Handmaid’s Tale’, mas sem grande nuance”, destacando o contraste entre o ambiente fechado da seita e a chegada do forasteiro que abala todas as certezas.

Uma leitura semelhante surge no “Collider”, que sublinha o apelo do tema. “A série explora um universo que sempre fascinou o público (o das seitas, com os seus rituais e segredos) e rapidamente captou a atenção global”, escreve o site, acrescentando que o grande trunfo está na tensão criada pela entrada de Sam, que “quebra a ilusão de segurança e obriga a protagonista a repensar tudo”.

No fundo, “Os Não Eleitos” joga com um conceito que continua a atrair audiências: o de comunidades fechadas onde tudo parece perfeito, até deixar de ser. Pode não reinventar o género, mas tem ingredientes suficientes para prender quem gosta de thrillers psicológicos com um lado mais sombrio.

Carregue na galeria para descobrir outras séries que estrearam em abril no streaming.

ARTIGOS RECOMENDADOS