cultura

PalmTown Records: a editora de música de três oeirenses que cresceram nas Palmeiras

Criada em 2019, é responsável pelo projeto "Mordomias" que pretende dar a conhecer bandas de Oeiras em tempos de pandemia.
Tudo remete para as Palmeiras.

É quinta-feira, dia 11 de março, e Rui Félix acaba de chegar de Madrid, onde trabalha e passa grande parte das suas semanas. Formado na área do som, trabalha em programas televisivos, como a versão espanhola do concurso “Got Talent”, onde é sampler (responsável por lançar as músicas do programa).

Quando está em Portugal, vive na Parede, com um colega de casa e amigo. Ambos são oeirenses e passaram a sua infância e adolescência nas Palmeiras. O amigo, Luís Ratinho, trabalha na mesma área, captando o áudio de vários filmes portugueses, e fazendo dobragens.

Ambos já trabalharam na Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, onde conheceram Paulo Marques, que mantém esse emprego. Além do som e da sua captação, são músicos. Pertencem à banda freya’s garden e, em 2019, finalmente decidiram pôr em prática um sonho antigo.

“Sempre falámos sobre criar uma editora e, numa noite em minha casa, acabámos por decidir avançar”, conta-nos Rui Félix. Estávamos em 2018, e seguir-se-ia quase um ano de dedicação ao projeto, com a criação do conceito, nome, e logotipo (feito por Patrícia Santos). “Passávamos o tempo todo nas Palmeiras, não foi difícil chegar ao nome [risos].”

Assim nascia a PalmTown Records. Ainda sem local fixo, montaram um set up móvel, que os permitia deslocar até onde fosse necessário. Gravaram dois álbuns, para as bandas oeirenses Royal Bermuda (da Ribeira da Lage) e Bamboozle (de Carnaxide), na Valentim de Carvalho, mas os projetos ainda não viram a luz do dia devido à situação atual.

“A pandemia veio atrasar tudo. Mas ao mesmo tempo tem sido um momento de criação e partilha entre artistas. E aproveitámos para criar um projeto que talvez não tivesse acontecido se não fosse o primeiro confinamento.”

Chama-se “Mordomias” e consiste numa série de vídeos musicais disponíveis no canal de YouTube da PalmTown Records. Todas as bandas que participaram são oeirenses e o objetivo é esse mesmo: dar a conhecer a cena musical underground do concelho. Os vídeos têm muita música e muito humor, além de perguntas às quais as bandas respondem. Tudo foi gravado numa semana em agosto de 2020 e o quinto e último episódio será lançado ainda este mês de março.

A equipa de audiovisual e o próprio mordomo, representado por José Neto, são também conhecidos dos criadores da editora que pretende ter o seu próprio estúdio aberto já no mês de maio — será em Santa Catarina, na Cruz Quebrada. Um espaço próprio irá permitir desenvolver e aumentar o projeto, além de dar mais privacidade. “Temos uma história engraçada que aconteceu na Valentim. Numa noite, estávamos os três a trabalhar o áudio e recebemos uma chamada do segurança a perguntar porque é que estavam umas pessoas no telhado. Era uma banda com quem estávamos a trabalhar que tinha encontrado umas escadas de incêndio velhas e perigosas e tinha subido para o telhado [risos].”

E quanto ao futuro? “Vai passar por termos o nosso próprio espaço, gravar álbuns, tornarmo-nos uma editora completa para nos focarmos em tudo e não só na música, e queremos muito ter outro formato semelhante ao ‘Mordomias’.”

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