cultura

Os segredos do Marquês: o misterioso quadro dos três irmãos

Quantas vezes já visitou o Palácio do Marquês de Pombal em Oeiras? E acha que conhece todos os enigmas que lá estão escondidos?
O quadro fica no tecto da Sala da Concórdia.

O Palácio do Marquês de Pombal é um dos edifícios mais imponentes de Oeiras. Aliás, todos os terrenos que em tempos pertenceram a Sebastião José de Carvalho e Melo são um ponto incontornável na história do concelho e do País.

Os tempos não estão para visitas ao espaço. O novo coronavírus tem ditado o isolamento social obrigatório. Mas, enquanto está em casa, aproveite para fazer uma lista de coisas que quer fazer quando acabar a quarentena. Vai incluir certamente uma visita guiada ao Palácio, para conhecer a História e alguns mistérios ali escondidos.

E é de mistérios que lhe queremos falar. Muitos conhecerão, certamente, os feitos de Marquês de Pombal. Alguns infames, outros visionários. O indiscutível é a marca que este estadista deixou na História de Portugal. E no Palácio de Oeiras, cada recanto tem algo para contar.

A New in Oeiras fez a visita guiada e é impressionante ver o lado mais íntimo de um homem que foi tão temido por muitos no séc. XVIII.

A figura do Marquês de Pombal estende-se além do que se aprende nos livros. Naqueles corredores e salões, há a representação de um lar, de uma igreja, de uma família. Mas também de um visionário, que, em Oeiras, aplicou as suas ambições de criar uma quinta onde tudo era produzido de forma sustentável.

Sebastião José de Carvalho e Melo nasceu a 13 de maio, de 1699, em Lisboa. E de onde vem a ligação deste homem a Oeiras? De seu avô paterno que comprou as primeiras terras que ainda hoje fazem parte da quinta.

E foi o tio paterno do Marquês de Pombal, Paulo de Carvalho e Ataíde, que lhe deixou em herança o morgadio, que o estadista viria a transformar na Quinta de Oeiras.

O Palácio é, sem dúvida, a peça central nesta criação de Sebastião José de Carvalho e Melo, que se tornou o primeiro Conde de Oeiras em 1759. E é nesta altura também que passa a existir a vila e o concelho.

Sala da Concórdia.

Há muito para contar sobre os corredores e os salões daquele imponente edifício. Mas há uma sala que destoa de todas as outras. Pelo seu tom sombrio e formal. 

Quando se entra na Sala da Concórdia, deixa-se para trás paredes brancas e azulejos azuis e brancos. O espaço mantém os azulejos, mas tudo o resto é diferente. 

As paredes são em tons cobre e castanho, a fazer lembrar a pedra. Sim, é só a lembrar. Porque nesta sala nada é o que parece. À nossa volta, tudo é estuque pintado.

No tecto há um quadro, também ele feito em estuque, onde estão representados Marquês de Pombal e dois dos seus irmãos e que o seu título dá o nome à sala: “Concordia Fratrum”.

Os três irmãos.

Ao meio encontra-se Sebastião José de Carvalho e Melo, ladeado por Francisco Xavier Mendonça, capitão general do exército, e Paulo António de Carvalho e Mendonça, nomeado cardeal inquisidor, cargo que nunca chegou a exercer pois morreu antes de receber a notícia da nomeação.

Os três vieram de um lado da nobreza menor, mas ascenderam aos mais altos cargos do poder em Portugal na década de 1750.

Este quadro representa a forte união que tinham estes irmãos e a importância que a família tinha para o Marquês de Pombal. Estes laços estão representados de várias formas dentro do Palácio.

Esta pintura tem na sua representação vários símbolos misteriosos. Como o facto de os irmãos se abraçarem de forma entrelaçada. Consegue-se ver um oito, número muitas vezes representado no Palácio. Aqui está deitado, como o símbolo do infinito. E é assim o amor fraterno, que promete cuidar até à morte, e também é infinito o poder, com os três a representar a sociedade da altura: clero, nobreza e exército.

Esta sala está repleta de simbolismo. O facto de ser um espaço de passagem e de se sair de um ambiente escuro para a luz, remete para a maçonaria.

Não existem registos de que o Marquês tenha sido iniciado na maçonaria, mas o certo é que existem vários indícios neste espaço. Como a passagem da escuridão para a luz, a posição dos pés dos irmãos no quadro, a fazer lembrar um esquadro, e o aperto de mão entre eles, como de um cumprimento secreto se tratasse.

O Marquês de Pombal deixou muitas histórias gravadas neste Palácio, que merece uma visita. 

tags: marquês de pombal, oeiras, palácio do marquês de pombal, segredos, visita guiada

outros artigos de cultura

mais histórias de Oeiras