cultura

Os gémeos nas novelas portuguesas: um fenómeno inesgotável e recorrente

Sara Matos é o mais recente exemplo: pode interpretar até três gémeas na nova novela da SIC, “Sangue Oculto”, quase a estrear.
Sara Matos protagoniza “Sangue Oculto”.

As novelas são, há muitos anos, o formato em que a TVI e a SIC — as televisões que congregam a maior parte das audiências em Portugal — mais apostam na área da ficção. A maioria das histórias tem centenas de episódios, são escritas à medida que vão sendo gravadas e o ritmo de produção é intenso.

Os atores e as equipas técnicas trabalham muitas horas, gravando inúmeras cenas por dia, mas as produtoras têm máquinas bem oleadas que se especializaram neste tipo de conteúdos. O resultado? Projetos que estão mais de um ano em grelha e que são relativamente baratos — quando comparados, por exemplo, com os orçamentos das séries de televisão.

À medida que os anos passam, a quantidade de telenovelas produzidas em Portugal está a tornar-se astronómica. Como são produções que têm de cumprir determinadas requisitos — como agradar a um leque vasto de espectadores, serem apropriadas para famílias e abordarem temas universais como relações familiares ou amorosas — é natural que, muitas vezes, as narrativas se esgotem e existam muitas semelhanças entre as várias novelas.

Há, por isso, uma série de clichês associados a estas produções televisivas. Muitas vezes retratam histórias de “amores proibidos”, por exemplo. No enredo, há frequentemente uma família rica e outra mais humilde. Os autênticos manjares de pequeno-almoço, que obviamente não são representativos do dia a dia de uma família portuguesa, são outro elemento característico apontado. E, claro, há o caso dos irmãos gémeos.

Parece existir, em Portugal mas não só, uma grande apetência por histórias de irmãos fisicamente idênticos. No caso da televisão portuguesa, a influência e inspiração talvez tenha vindo da telenovela brasileira “Mulheres de Areia” (1993), que foi transmitida em Portugal e impactou o público nacional. A atriz Glória Pires interpretava as gémeas Ruth e Raquel — e, como habitual, a primeira era uma personagem boa e doce; a outra era uma vilã, egoísta e agressiva.

As narrativas centradas em gémeos — muitos dos quais separados à nascença — acabaram por dominar um elevado número de telenovelas produzidas em território nacional nos últimos 20 anos. Essa tendência nota-se, sobretudo, na TVI, e tornou-se mais um dos clichês do género. A mais recente aposta numa história assim é “Sangue Oculto”, a próxima novela da SIC.

Estreia na segunda-feira, 19 de setembro, e tem Sara Matos como atriz principal. A história foca-se em três gémeas separadas à nascença, frutos de uma relação extraconjugal entre o patriarca e a empregada da família. A mulher do patrão decide separar as irmãs assim que nascem. Sara Matos vai interpretar duas delas — curiosamente ainda não foi confirmado se também vai dar vida à terceira irmã, que só irá aparecer mais tarde na ação.

O elenco inclui ainda nomes como Sofia Alves, Luana Piovani, António Pedro Cerdeira, João Catarré, Júlia Palha, Mariana Pacheco, Marcantonio Del Carlo, Guilherme Moura, João Gadelha, Ana Marta Ferreira, Manuela Couto, Carla Andrino, João Jesus, Filipe Matos, Lia Gama, Virgílio Castelo, Cristóvão Campos e Rui Unas. O célebre tema homónimo dos GNR será o protagonista do genérico.

Para confirmar que muitas novelas portuguesas se têm baseado em histórias de irmãos gémeos, escolhemos alguns exemplos que pode recordar carregando na galeria. 

MAIS HISTÓRIAS DE OEIRAS

AGENDA