Em 1999, o maestro português Armando Prazeres foi sequestrado e assassinado no Rio de Janeiro. O carro onde tinha sido levado foi encontrado junto ao Complexo da Maré, uma das zonas mais violentas da cidade. Foi ali, anos mais tarde, que o filho, Carlos Eduardo Prazeres, decidiu erguer algo em nome do pai: um projeto que transformasse aquele território, tantas vezes associado à violência, num espaço de música e esperança.
Assim nasceu, em 2010, a Orquestra Maré do Amanhã, que continua hoje a ensinar música clássica a milhares de miúdos e adolescentes da região. É com essa história cheia de emoção que a orquestra chega, pela primeira vez, ao palco do NOS Alive, no dia 9 de julho.
O concerto está marcado para as 18 horas e reúne um repertório que atravessa a música pop portuguesa e o funk carioca, com versões de temas de artistas como Shakira, Nelly Furtado, Twenty One Pilots e Red Hot Chili Peppers. Para a passagem pelo país, a orquestra preparou alguns temas de artistas portugueses como Carolina Deslandes, Maro, Bárbara Tinoco ou Dino d’Santiago.
“Vamos tocar ‘Deslocado’, do grupo Napa, que está a fazer muito sucesso no Brasil. A nossa versão ficou muito bonita e não vejo a hora de apresentar ao público português”, conta o maestro Filipe Kochem.
Dino d’Santiago será outro artista homenageado pela orquestra. “Gosto muito do trabalho dele. Além de fazer muitas músicas boas, há uma preocupação com a questão social que gera identificação com o que fazemos”, conta.
A Orquestra Maré do Amanhã foi fundada em 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro Armando Prazeres, natural de Arouca. Após o sequestro e assassinato do pai, no Rio de Janeiro, Carlos Eduardo decidiu transformar a dor em ação social através da música.
“Quando o meu pai foi assassinado, decidi que a violência não teria a última palavra. A música que ele tanto amava seria o caminho para ajudar a transformar a realidade daquele território”, conta Carlos Eduardo Prazeres. O que poderia ter permanecido como símbolo de uma tragédia tornou-se o ponto de partida de um projeto que, ao longo de 15 anos, já impactou milhares de miúdos.
“Estar em Portugal com a Orquestra Maré do Amanhã tem um significado muito especial para mim. É o país onde nasceu o meu pai, cuja visão sobre o poder transformador da música inspirou tudo o que construímos ao longo destes anos”, afirma.
A passagem por Portugal fica ainda marcada pelo lançamento do livro “Concerto para um Sonho”, da autora luso-brasileira Hérica Marmo, agendado para segunda-feira, 13 de julho, na Livraria da Travessa, em Lisboa. Durante um ano e meio, a autora acompanhou alunos, professores, músicos e parceiros da instituição para reconstruir o percurso do projeto, recuperando também o legado de Armando Prazeres.
Com mais de uma centena de fotografias, a obra documenta os momentos decisivos dos primeiros 15 anos da instituição, entre eles a participação no Rock in Rio, o desfile na bateria da Beija-Flor e os dois concertos para o Papa Francisco, no Vaticano.
“Cada capítulo foi um exercício de escuta e de cuidado, porque a história da Orquestra Maré do Amanhã não é apenas sobre ensaios e concertos. É sobre pessoas que encontraram uma nova possibilidade de existir”, afirma Hérica Marmo.

O NOS Alive realiza-se nos dias 9, 10 e 11 de julho, no Passeio Marítimo de Algés, em Oeiras. No cartaz do primeiro dia destacam-se nomes como Twenty One Pilots, Nick Cave & the Bad Seeds, A Perfect Circle e Alabama Shakes.
O dia 10, já esgotado, tem entre os destaques Foo Fighters, Zara Larsson, Wolf Alice, Skunk Anansie e The War on Drugs. No último dia, também esgotado, sobem ao palco artistas como Florence + the Machine, Buraka Som Sistema, Lorde, Teddy Swims e Pixies.








