cultura

O último dos cinemas de bairro da Linha de Cascais reabre na próxima semana

Desde 1983 que o Atlântida-Cine Carcavelos recebe cascaenses e oeirenses nas suas salas. Esteve encerrado por causa da pandemia.
Uma das duas salas.

É o último dos cinemas de bairro da Linha de Cascais e, apesar de ficar em Carcavelos, tem levado vários cascaenses e oeirenses a chorar, dar gargalhadas e a imaginar mundos bem distantes. O Atlântida-Cine fica no pequeno centro comercial da Rua Doutor Manuel de Arriaga, mesmo ao pé da estação de comboios de Carcavelos, perto de Oeiras.

Esteve encerrado, devido à pandemia do novo coronavírus durante cerca de sete meses, e reabre esta quinta-feira, 6 de maio. Ao todo, são duas salas neste espaço aberto em março de 1983, seguindo a tendência da época de ter cinemas dentro dos centros comerciais das localidades.

Se já passou por lá, sabe que é uma verdadeira viagem no tempo — ainda antes do filme começar. Destacam-se o bengaleiro vintage para pendurar os casacos, o bar com cadeirões, a antiga máquina de pipocas, a sala espaçosa e com cadeiras confortáveis e aveludadas, uma programação cuidada e a ausência de publicidade.

O Atlântida-Cine tem três sessões diárias, em cada uma das duas salas, e encerra às terças-feiras. A partir de quinta-feira, 6 de maio, já pode regressar às suas salas.

A programação da reabertura, deste que é um verdadeiro símbolo de resistência, conta com dois filmes vencedores na edição dos Óscares deste ano. Falamos de “Nomadland – Sobreviver na América” e “O Pai”.

O maior vencedor da noite foi mesmo “Nomadland”, ao conquistar os prémios de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Atriz. Frances McDormand interpreta Fern, uma mulher viúva, relativamente atormentada por uma vida sofrida, que arranca com uma vida de nómada pelo Midwest americano. Pelo meio encontra outras pessoas como ela, que por circunstâncias da vida ou por opção, se dedicaram a viver em caravanas, de parque de campismo em parque de campismo, de biscate em biscate.

Já “O Pai” recebeu as estatuetas de Melhor Argumento Adaptado e Melhor Ator, com uma prestação sublime de Anthony Hopkins. Este é um drama devastador — e com uma fórmula bastante original — sobre algo com que praticamente todos nos conseguimos relacionar. “O Pai” conta uma história sobre demência mental.

MAIS HISTÓRIAS DE OEIRAS

AGENDA