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O jovem que cresceu no concelho de Oeiras e promete ser o novo fenómeno do hip hop nacional

No início de junho, o rapper Azart lançou o álbum de estreia "Foco", pela Sony Music, onde canta o seu percurso.
O jovem tem 27 anos.

Sebastião Oliveira lembra-se de começar a gostar de certos estilos musicais quando tinha cerca de dez anos, ficando maravilhado quando o pai lhe mostrou o disco “Re-Definiçōes” dos Da Weasel. Mas, nessa época, rock e pop dominavam as playlists que ouvia, porque “eram os géneros a que tinha acesso”. Na entrada da adolescência começou a despertar para o mundo do rap, que “ouvia em mp3”. Entre os 13 e os 14 anos decidiu começar ativamente a escrever letras de rap e a querer levar este gosto mais a sério, longe ainda de imaginar que iria conseguir trilhar um caminho na música. 

Alguns anos se passaram e, depois de um período em que via a música apenas como um passatempo, já que não era uma atividade bem aceite no seio familiar, decidiu investir mais a sério nesta paixão. Para isso, precisava de um nome artístico. Como forma de homenagear a avó, com quem jogava às cartas, trocou o “s” do às pelo “z” e acrescentou o seu gosto pela arte, à qual tirou o “e” final. Azart é hoje um nome que está a ganhar cada vez mais espaço no mundo do rap e hip hop nacional. 

No início de junho foi lançado o álbum de estreia, “Foco”, que conta com 19 faixas. À NiO, o jovem, atualmente com 27 anos, garante que é ele próprio que escreve todas as suas letras. O disco é, por isso, um espelho do seu percurso até hoje, tendo bem assente a vontade que tem de conquistar muito mais no futuro. Cresceu a ouvir Sam the Kid, Regula, Eminem, Da Weasel, Notorious B.I.G., e Busta Rhymes, com influências também de Kendrick Lamar, Steve Lacy e C Tangana nos últimos anos. 

Estas misturas que criam a banda sonora da sua vida ajudaram-no a chegar à conclusão que, enquanto artista, não se define por um só género, mas sim pela pluralidade, com uma mente aberta e sem barreiras. Entre os instrumentais que surgiam para as suas letras, fez uma triagem, sempre focado em perceber o que encaixava na estrutura do álbum.

“Tem que fazer sentido na história que quero contar”, sublinha o rapper, cantor e compositor que se assume como maestro da sua própria música. Talvez por isso tenha decidido dividir o álbum em três partes. A primeira parte do disco representa a força de vontade em dar-se a conhecer, mantendo o foco nos seus objetivos. Nestas primeiras faixas, Azart demonstra a sua autoconfiança e técnica enquanto rapper.

Na segunda parte, sente-se um lado mais frágil, onde as dúvidas e inseguranças surgem, representando a importância de não se deixar levar pelos holofotes. A sua introspeção é acompanhada por faixas com uma sonoridade mais suave e melancólica. Na terceira parte, ‘’Foco’’ passa a ser sinónimo de clareza, onde o artista recupera a sua confiança e utiliza a sua experiência para abordar as últimas faixas com mais equilíbrio.

É Azart que escreve todas as suas letras.

“Voltas” foi o single de apresentação do álbum, lançado pela Sony Music Portugal, a quem se juntou em 2021. “Um amigo que também faz música, convidou-me para fazer três faixas com ele. Foi depois a gravar um desses vídeos que conheci o meu manager. Cheguei à Sony através desses contactos, que fui fazendo. Nesta indústria, é uma grande vantagem grande estar numa editora”, refere. 

Este trabalho conta com produção de Brunuxu e Monksmith, com colaborações de Walez, Tilt, N.Drew e Danny the Dawg, com mistura e masterização de SUPA DUST Man e com produção executiva de Bruno Alfama. Sem perder tempo, o jovem acaba de lançar mais um single, “Sufoco”, que já pode ouvir tanto no YouTube como nas restantes plataformas musicais.

“É uma música sobre perseverança e superação. Este tema fala da pressão de suceder e o medo de falhar, mas também destaca a importância de manter o foco nessas alturas. ‘Sufoco’ é uma faixa que pretende normalizar as inseguranças que todos sentimos e provar que no final tudo fica bem”, sublinha. 

O jovem foi eleito pela Rimas e Batidas como um dos novos melhores rappers de 2021. Criativo, dedicado e com certeza do que quer, o rapper tem vindo a alimentar grandes expectativas, destacando-se já no panorama do rap e hip hop nacional.

A ligação a Oeiras

A ligação ao concelho de Oeiras começou quando Azart ainda respondia apenas por Sebastião Oliveira. Quando era miúdo viveu alguns anos em Algés, com os pais, até se mudar para Caxias, onde viviam os avós e outros familiares, assim que os pais se separaram, e para onde voltou, anos mais tarde, depois de algum tempo a viver em Lisboa.

Nesta dinâmica entre ir e vir, nunca deixou os amigos e as memórias que tem no concelho. “Tenho muitos amigos nesta zona, por isso, mesmo agora que estou a viver em Lisboa, venho cá muitas vezes. É um sítio onde me sinto em casa”, conta. A NiO quis saber para quando um videoclip gravado no concelho. “Gravei um, com o meu amigo Ziki Ks, em Carcavelos, aqui ao lado. Por enquanto não está planeado, mas gostava muito de gravar um trabalho aqui”, garante o artista. 

Depois de alguns anos a fazer espetáculos em escolas, para as listas das associações de estudantes, Azart quer crescer e poder chegar a palcos por todo o País e, quem sabe, além-fronteiras. 2023 fica marcado na sua história como o ano em que o seu primeiro álbum foi lançado para o mundo. Agora, todos podem ouvir as suas músicas, relacionar-se com as letras e tê-lo como banda sonora das suas vidas. Daqui para a frente, quer continuar a criar, sempre com foco nesta paixão que, quando era miúdo, sonhou e está agora a realizar.

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