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“Nunca foi feito nada assim.” O novo programa de Bruno Nogueira vai ser uma loucura

Os guionistas têm duas horas para criar uma história. Os atores são lançados ao caos. “Princípio, Meio e Fim” arranca já no domingo.
Bruno Nogueira é o criador do programa

“Vai ser um grupo de miúdos a brincar com bonecos de luxo”, explica Filipe Melo, um dos criadores que será um dos protagonistas no novo programa das noites de domingo da SIC. Os miúdos são os guionistas; os bonecos de luxo os atores. O cenário é um “híbrido entre a realidade e a ficção”, esclarece Bruno Nogueira.

“Princípio, Meio e Fim” é um programa de “humor adulto” com seis episódios, cada um com cerca de 45 minutos. A estreia acontece já no domingo, 11 de abril, ainda sem horário definido — sabe-se que será um programa de late night, que deverá ir para o ar ao final da noite.

O programa foi idealizado por Bruno Nogueira, que também irá fazer parte do conjunto de cinco atores que interpretarão os guiões criados por si e por Nuno Markl, Salvador Martinha e Filipe Melo. O elenco fica completo com Nuno Melo, Jéssica Athayde, Albano Jerónimo e Rita Cabaço.

“É uma aposta na criatividade portuguesa e no génio do Bruno [Nogueira] a desenvolver uma ideia absolutamente original”, frisa o diretor de programas da SIC Daniel Oliveira, que o descreve como uma “rutura com o que já se fez”, num “cruzamento da ficção com a realidade que mostra o processo de criação de um programa de humor”.

Não se trata, contudo, de um programa com uma narrativa linear. Aliás, tudo nele é invulgar, a começar pela estrutura. Cada episódio estará dividido em duas partes. Na primeira, numa espécie de making of, os quatro guionistas propõem-se a um desafio: criar, em apenas duas horas, uma narrativa que parte apenas de um cenário em que cinco amigos se juntam para jantar. Depois? Tudo é possível.

A liberdade total para os guionistas contrasta com a rigidez exigida aos atores que, sem espaço para eventuais improvisações, terão que interpretar a história tal qual ela foi escrita: com potenciais erros gramaticais ou gralhas, situações absurdas ou enredos com mais ou menos lógica.

“A questão do erro sempre me fascinou, o falhanço quando se erra e a tentativa de o resolver. A vertigem do erro parece-me muito mais interessante para quem está a ver (…) Aqui a única regra era que o se [o guião] viesse com algum erro de português ou, por exemplo, se estivesse escrito em maiúsculas, o ator teria que gritar. Se viesse mal escrita, tinha que ser dita assim”, explicou Bruno Nogueira durante a apresentação do seu novo programa, que descreve também como uma homenagem aos criadores, tantas vezes esquecidos e menos valorizados do que quem depois representa tudo no ecrã.

O objetivo passa, portanto, por mostrar “a outra parte da engrenagem” da criação dos programas. Contrariamente ao que se possa pensar, explica Nuno Markl, a primeira parte de cada episódio não assentará apenas em “quatro tipos sentados a uma mesa com um computador”.

“Esforçámo-nos para que essa parte da escrita fosse também ela um espetáculo e fosse tudo menos monótona. Às vezes parece um thriller, parece que temos que desarmar uma bomba”, conta sobre os momentos que, garantem os criadores, vai contar com muitas situações de “caos”.

A “falta de lógica” que Salvador Martinha aponta como resultado ocasional do processo caótico de escrita é um peso que recai nos ombros dos atores. “É uma mudança para mim, na maneira de fazer comédia”, revela o ator Nuno Melo.

“Há para nos aqui uma coisa muito diferente do comum, o facto de não podermos improvisar e termos que brincar num texto que era fixo e que não podíamos mudar (…) A graça aqui é a forma como lidamos com o erro, como é que em vez de arranjarmos maneira de ele fazer sentido, tentamos procurar que ele se torne engraçado.

O conceito inicial partia de uma tema para cada episódio, mas rapidamente foi descartado e optou-se pela total liberdade criativa, que dará origem a que cada semana seja possível ver um episódio completamente não relacionado com o anterior. As personagens surgem depois, de forma mais adaptada, para que “fossem cinco personagens que iriam ao encontro da ideia do que seria bom para criar conflito num jantar”, explica Bruno Nogueira.

Sem mais revelações sobre o que é possível esperar no novo programa de domingo à noite, resta esperar pela estreia. E “Princípio, Meio e Fim” terá que se ficar pelo rótulo simples de um programa de humor, sem mais descrições possíveis. “É difícil catalogá-lo (…) acho que nunca foi feito nada assim. Não é uma sitcom, não é um reality show. Acho que criámos aqui um género novo”, conclui Nuno Markl.

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