Controvérsia é o nome do meio da revista “Charlie Hebdo” desde a fundação em 1970. E a fazer jus à sua fama está a mais recente edição, lançada a 10 de setembro, com uma referência ao desastre no Elevador da Glória.
Na capa, os principais políticos franceses aparecem a descarrilar num elevador amarelo, semelhante ao símbolo lisboeta. “Vamos desbloquear tudo”, lê-se em letras que ocupam grande parte da primeira página.
Entre as figuras retratadas estão o presidente Emmanuel Macron, Marine Le Pen (Reunião Nacional), Jean-Luc Melenchon (França Insubmissa), Olivier Faure (Partido Socialista francês) e Bruno Retailleau, dos Republicanos.
A caricatura é uma referência ao movimento “Vamos Bloquear Tudo”, que já desencadeou manifestações por França. Tudo começou após a queda do governo a 8 de setembro, que, por sua vez, surge na sequência da demissão de François Bayrou, o primeiro-ministro. Macron rejeitou, depois, a hipótese de serem marcadas eleições antecipadas. Em vez disso, nomeou Sébastien Lecornu para o cargo.
O tom irreverente da “Charlie Hebdo” não é novidade. A publicação construiu a sua fama com um estilo provocador, humor ácido e crítica direta a figuras públicas, instituições e religiões, num constante desafio dos limites da liberdade de expressão.

A revista ganhou projeção mundial sobretudo após o atentado de 7 de janeiro de 2015, em Paris. Dois homens armados invadiram a redação e assassinaram 12 pessoas, incluindo alguns dos cartoonistas mais emblemáticos, como Cabu, Charb, Wolinski e Tignous. O ataque foi reivindicado por extremistas islâmicos em retaliação às caricaturas de Maomé.
Na sequência da tragédia, milhões de pessoas manifestaram-se em várias cidades com o lema “Je suis Charlie”. Apesar do ataque, a “Charlie Hebdo” manteve a linha editorial provocadora.
Esta nova edição foi lançada uma semana após o desastre que aconteceu no final da tarde de 3 de setembro e que provocou 16 mortes e mais de duas dezenas de feridos. No total, o acidente envolveu 38 pessoas de 11 nacionalidades. Vários meios de comunicação mostraram-se chocados com a tragédia, como a NiT lhe contou.
O presidente da Carris reagiu, ainda na noite de quarta-feira passada, ao desastre do Elevador da Glória, garantindo que o protocolo de manutenção foi “escrupulosamente cumprido”. Por sua vez, o presidente da autarquia, Carlos Moedas, mostrou-se devastado pelo sucedido e afirmou que “Lisboa está de luto”.








