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Morreu o maestro César Batalha, fundador do Coro de Santo Amaro de Oeiras

O autor das músicas "Eu vi um sapo" e de "A todos um bom Natal", estava hospitalizado há vários dias. Tinha 76 anos.
Tinha 76 anos.

Este fim de semana morreu um dos maiores artistas do concelho de Oeiras. César Batalha, fundador do conhecido Coro de Santo Amaro de Oeiras, tinha 76 anos e encontrava-se hospitalizado há vários dias em Lisboa.

O anúncio foi feito pelo próprio coro que disse estar “em luto”. Na nota, o coro reforçou que o mastro era “uma marca de bondade, dedicação e amor”. No seguimento da notícia, a autarquia decretou um luto municipal até esta segunda-feira, dia 17 de janeiro. 

Isaltino Morais, presidente da Câmara Municipal de Oeiras, fez questão de deixar uma mensagem aos munícipes a agradecer tudo o que o maestro fez pelo concelho. “Estou profundamente grato ao maestro César Batalha e é com profunda tristeza que me despeço de um dos nossos”, escreveu no Facebook. 

O próprio Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de enviar condolências à família. “Há artistas cuja obra está indissociavelmente ligada ao seu nome. Mas há também casos em que as criações se desprendem do criador, porque entraram de tal forma no nosso imaginário que já não sabemos a sua origem. Isso aconteceu com César Batalha”, lê-se na mensagem publicada no site da Presidência da República.

Esta perda causa um enorme impacto na cultura do concelho, mas relembra o público das canções que foram passadas de geração em geração. “Eu vi um sapo” e “A todos um bom Natal” são da autoria de César Batalha, o compositor que nasceu em Oeiras, em 1945 e que apenas com 15 anos fundou o Coro de Santo Amaro de Oeiras, um dos mais conhecidos do País. 

Recorde-se que esta foi uma das mais importantes personalidades do município e merece total reconhecimento pela sua contribuição enquanto maestro mas também como compositor, organista e professor. César Batalha recebeu vários prémios nacionais e internacionais e distinções ao longo da vida, como “Melhor Coro do Ano” (1980), “Medalha de Mérito Artístico da Câmara Municipal de Oeiras” (1981), “Prémio de Popularidade” (1984), “Medalha de Agradecimento da Cruz Vermelha Portuguesa” (1991), “Diploma de Agradecimento da Ordem Soberana e Militar de Malta” (1997) e “Medalha de Mérito/Grau Ouro da Junta de Freguesia de Oeiras” (2010).

Nas Galerias Alto da Barra, na Avenida das Descobertas, em Oeiras, existe um auditório em seu nome e no Largo Marquês de Pombal foi construído um busto em sua homenagem.

Caso não saiba, César Batalha foi autor do atual Hino de Oeiras que se ouviu pela primeira vez em 1991. Dirigiu o Coro do Banco de Portugal durante vários anos e deu inúmeros concertos por todo o mundo. Trabalhou intensamente para o tornar num prestigiado agrupamento, executando várias obras discográficas e colaborando em programas de televisão.

Pela sua canção infantil “Eu Vi um Sapo”, foi-lhe atribuído o primeiro prémio de composição no Sequim de Ouro em Bolonha, Itália, sendo que este é um certame internacional organizado a favor da UNICEF.

Em junho de 1998, com o Coro de Santo Amaro de Oeiras e por vontade de Jorge Sampaio, Presidente da República na altura, integrou as cerimónias do dia 10 de junho que tiveram lugar no Pavilhão de Portugal na Expo’98. Apresentou a peça “Astrolábio”, composição de sua autoria com um poema de Manuel Alegre. Anos mais tarde, em 2003, no dia do concelho de Oeiras, a convite do município e dirigindo o Coro de Santo Amaro de Oeiras, participou nas festividades da inauguração do Parque dos Poetas em Oeiras.

“Por toda a sua vida dedicada à cultura e à música, em particular, o maestro César Batalha é um cidadão emérito de Oeiras. O património musical por ele construído faz parte da nossa identidade comum”, lê-se na mensagem deixada pela autarquia no site oficial.

O velório de César Batalha realizou-se no passado domingo, dia 16 de janeiro, na Igreja de Nova Oeiras. Esta segunda-feira, dia 17 de janeiro, é celebrada a missa.

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