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Luana Piovani e o novo espetáculo: “Queria fazer uma homenagem ao meu público e a mim própria”

A atriz estreou um espetáculo no La Fiorentina e vai levá-lo também ao Casino Estoril. Junta teatro, música e cabaré.

Já foi a Mulher Invisível, Jezebel, Dominique, Vera, Rebeca, Lara e Lisboa. Em 35 anos de carreira, Luana Piovani interpretou algumas das personagens mais marcantes da ficção brasileira. Agora, celebra o seu próprio percurso com um espetáculo que, durante o mês de outubro, acontece às quintas-feiras no restaurante La Fiorentina, no Príncipe Real. A 18 de novembro, a peça sobe ao palco do Casino Estoril.

“Cantos da Lua” é uma mistura pouco comum de teatro, cabaré e stand-up, explica à NiT. “Queria fazer uma homenagem ao meu público e a mim própria — um presente por esta trajetória de 35 anos. Inventei esta mistura e, felizmente, resultou. As pessoas têm gostado muito.”

Apesar da leveza, o formato escapa a qualquer definição mais direta. Piovani sublinha que não é stand-up, porque não passa o tempo com o microfone na mão a contar piadas. Também não é uma peça de teatro no sentido clássico, porque parte de histórias pessoais, que não foram escritas por outra pessoa. “E não é apenas cabaré, embora tenha esse espírito. É um pouco de tudo”, resume.

É, reafirma, um espetáculo intimista, pensado para criar uma ligação direta com quem está a assistir. “Eu queria estar perto das pessoas, dividir coisas minhas, partilhar momentos e fazer com que se sentissem queridas.” No La Fiorentina, garante que conseguiu exatamente isso. “As pessoas ficam cá depois das apresentações, vêm falar comigo, comentam e o ambiente torna-se quase familiar.”

A ideia surgiu depois de uma tentativa anterior no Casino Lisboa, onde apresentou uma versão do mesmo espetáculo, embora num formato diferente. Na altura, decidiu colocar o público no palco consigo, com cerca de 100 pessoas sentadas em mesas, enquanto a plateia tradicional ficava vazia. “Queria que o público sentisse o que nós, atores, sentimos ao entrar num teatro vazio — aquela mistura de vazio e plenitude. Percebi que plateia é plateia e artista é artista. As pessoas ficaram acanhadas, não se soltavam”, recorda.

Essa reação levou-a a procurar espaços mais pequenos. Em Portugal, isso também se revelou um desafio. “Os teatros pequenos em Portugal são muito disputados, muitos pertencem às câmaras ou a grupos locais. Os grandes estavam disponíveis, mas eu nunca quis atuar em grandes teatros. Queria algo mais próximo.”

Acabou por encontrar a solução no restaurante de um amigo. Já conhecia bem o espaço e sabia que era exatamente o que procurava. “O pé direito é alto, a luz bonita e o ambiente acolhedor. Funciona lindamente.”

Desde então, as sessões têm esgotado uma após a outra. “Daqui não saio e daqui ninguém me tira”, brinca. Sente que é ali que o público se sente mais à vontade — e ela também.

Durante o espetáculo, os fãs são muitas vezes apanhados de surpresa. Há quem não soubesse que a atriz “era tão divertida ou que cantava”. Luana admite que não é cantora, mas estuda música há anos para garantir que entrega um trabalho de qualidade.

As canções surgem entre as histórias da sua vida, não tanto as de sucesso, mas as outras. “Só conto tombos”, diz. “Fazer rir apontando o dedo a alguém é fácil, não é o tipo de comédia que respeito. Gosto da arte do palhaço, que ensina que a grande graça somos nós e as nossas quedas. Conto as minhas derrotas, e isso cria uma ligação verdadeira.”

No meio das gargalhadas, há também momentos de emoção. Às vezes, Luana Piovani comove-se com a reação do público. “São 35 anos de carreira e, mesmo assim, continuo a achar que ainda tenho muito a aprender. Mas quando estou em palco e recebo aquele olhar de carinho, sinto uma gratidão imensa.”

Com a passagem para o Casino Estoril, promete manter o espírito original — e está entusiasmada com o desafio. “Mesmo nos palcos maiores, não quero perder a intimidade. Estarei sempre em comunicação aberta com o público e nunca escondida atrás de uma personagem.”

Os bilhetes para o espetáculo no La Fiorentina custam 25€ e estão disponíveis online. Já a apresentação no Estoril custa 24€.

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