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Esta exposição em Algés leva-o numa viagem ao prazer sexual feminino

“Amor Veneris” é a mostra ousada e pedagógica que pode visitar até 30 de dezembro, no Palácio Anjos.
Atreva-se a conhecer melhor a sexualidade feminina.

Cérebro, pele e clitóris. São os três destinos por onde vai passar nesta irreverente e ousada viagem pelo prazer sexual feminino. Não precisa ir para longe, pode fazê-lo em Algés, no Palácio Anjos que durante os próximos seis meses se transforma, metaforicamente, na representação de um corpo feminino. É neste espaço que está patente uma exposição que pretende acabar com os tabus relacionados com o tema.

“Amor Veneris — Viagem ao Prazer Sexual Feminino” é uma ideia original da psicóloga e sexóloga Marta Crawford e é a primeira exposição do Musex — Museu Pedagógico do Sexo, criado em 2010. “A ideia ao criar um museu pedagógico do sexo, é que fosse um sítio onde pudessem estar crianças, jovens e adultos no mesmo espaço, onde pudesse haver uma aprendizagem sobre sexo em todas as idades, ser um museu com educação sexual ao longo do tempo”, explicou a sexóloga, na conferência de imprensa de apresentação da mostra.

A ideia é que esta seja muito mais do que uma mera exposição de obras de arte, e sim um espaço que contribua para se enaltecer o tema do prazer sexual feminino, numa perspectiva artística e científica, de forma a oferecer uma experiência completa a quem a visita, tanto pedagógica quanto provocadora. No fundo, é aliar sexo e arte para pôr as pessoas a refletir e a falar sobre sexualidade feminina. 

“As mulheres têm muitas formas de sentir a sua sexualidade e esta exposição é sobre essas várias formas. E também sobre a importância da intimidade sexual e de os encontros sexuais serem feitos com consentimento. É muito importante falar disto neste momento.”, reforça Marta Crawford. 

Marta Crawford na inauguração da exposição.

Com obras de artistas nacionais e internacionais, a exposição pretende levar o público a refletir sobre a pertinência de temas como o prazer sexual feminino, mas também o consentimento e não consentimento, a violência sexual sobre as mulheres, e outros conceitos indissociáveis à vivência da sexualidade. São, sem dúvida, temas fortes que pretendem causar desconforto e inquietações, de forma a incentivar a discussão sobre os mesmos.

Por isso saiba que, se decidir visitar a mostra, o melhor é ir preparado. Ao entrar na exposição, terá que fazer uma escolha, entre dois caminhos a seguir. 

“Um dos caminhos é o do não consentimento. Se optarmos por essa escolha vamos encontrar uma série de obras relacionadas com sofrimento, violência sexual sobre as mulheres, mutilação digital feminina, violação, abuso sexual. Temos uma série de artistas que representam estas questões da violência como, por exemplo, a Paula Rego. É uma área da exposição que efetivamente nos pesa, nos cria sofrimento e é esse o objetivo. Sentir aquilo que muitas mulheres em várias partes do mundo sofrem”, afirmou a sexóloga. 

A importância de se falar do clitóris

Para Marta é fundamental que mulheres, homens e jovens conheçam bem os seus corpos e que se possa falar destes temas sem pudor ou vergonha. “Atualmente, continuamos a ter que falar da importância do prazer sexual feminino porque tem estado sempre relegado para segundo plano. Já muita investigação científica foi feita em relação à sexualidade masculina, em relação à ereção masculina, mas ao contrário nem tanto. Há muita informação sobre o aparelho reprodutor, mas pouca sobre o clitóris”, afirma. 

A exposição deve o nome “Amor Veneris” ao termo utilizado pelo anatomista italiano, Matteo Realdo Colombo, em 1579, para classificar o clitóris, reconhecendo o seu importante papel no prazer sexual feminino. “É o único órgão que tem como função exclusiva dar prazer. E há muito para descobrir sobre ele. Aquilo que entendemos como o clitóris, é só a ponta do iceberg. Todas nós temos uma estrutura dez vezes maior do que aquilo que achamos, com cerca de oito mil terminações nervosas, o dobro daquilo que um pénis tem”, remata a sexóloga.

Não admira que exista uma zona da exposição totalmente dedicada a este orgão. Mas vamos por partes. Se, no início da mostra, não for pelo caminho do não consentimento e, pelo contrário, seguir pelo rumo onde o prazer sexual é uma escolha consciente e consentida, a viagem começa pela primeira de três partes. 

“Começamos a explorar a exposição através do principal órgão sexual, que é o cérebro, espaço onde estão as nossas memórias, fantasias, histórias, onde os nossos sentidos estão representados. O cérebro é o motor de todos nós e tem uma importância extrema durante o sexo. Nesta área, os visitantes vão encontrar uma série de obras de artistas, com muitos conteúdos e desafios pedagógicos”, conta a curadora da exposição.

Seguindo o circuito, passamos pela zona da pele, “o maior órgão sexual, cheio de sensores”, revela Marta Crawford. “No caso feminino, o sexo não se pode só focar em certas partes do corpo, como o peito ou os genitais, o todo é fundamental para que a mulher consiga sentir a sexualidade com prazer”, conclui. Aqui, vai encontrar uma série de obras impactantes, como as vulvas de Jamie McCartney.

Obra de Jamie McCartney.

A terceira parte da exposição é dedicada ao clitóris, onde os visitantes são convidados a viver várias experiências para ficar a conhecer um pouco melhor este órgão. A ideia é que as obras, algumas de colecionadores particulares, outras feitas de propósito para a exposição, sejam vistas à medida que se faz esta viagem pelo corpo e pela intimidade da mulher.

“No final, entramos no espaço em que termina esta viagem ao prazer, com uma experiência orgásmica, produzida pelos “error-43”, que nos vão dar uma finalização excelente da exposição”, deixa no ar a curadora, Marta Crawford, como um convite a todo o público para visitar a exposição. Para saber mais, só mesmo indo até lá, para sentir na pele, ao vivo e a cores, tudo o que a mostra tem para lhe oferecer.

A exposição conta com cenografia d’Os Espacialistas e obras de artistas como Alice Geirinhas, Álvaro Leite Siza, Ana Mendieta, Ana Rito, Annette Messager, Clara Menéres, Ernesto de Sousa, Fátima Mendonça, Fernanda Fragateiro, Inês Norton, Isabel Baraona, Jamie McCartney, Janine Antoni, Julia Pietri — Gang du clito, Julião Sarmento, Laure Prouvost, Louise Bourgeois, Lourdes Castro, Maria Beatriz, Maria Souto de Moura, Marta María Pérez, Noé Sendas, Paula Rego, Polly Nor, Sara Maia, Sophia Wallace, Sue Williams e Susana Mendes da Silva e Teresa Crawford Cabral.

Por se tratar de uma exposição em que o diálogo com a arte e a ciência tem um papel fundamental, foram criadas instalações interativas de carácter lúdico-pedagógico referentes ao funcionamento do cérebro e aos seus sentidos, bem como outros conteúdos audiovisuais de autores como Lori Malépart-Traversy, Rachel E. Gross, Rankin & Trisha Ward, Daphné Leblond & Lisa Billuart Monet e Erika Lust.

“Amor Veneris — Viagem ao Prazer Sexual Feminino”, com curadoria de Marta Crawford e Fabrícia Valente, conta com o apoio do Município de Oeiras. A exposição está aberta ao público de terça-feira a domingo, entre as 11 e as 19 horas (sextas e sábados até às 20 horas), até dia 30 de dezembro, no Palácio Anjos, em Algés.

O bilhete individual custa 5€ e pode ser comprado através do site da Ticketline. Para saber mais informações pode enviar um email para panjos@nulloeiras.pt. 

Carregue na galeria para conhecer alguns dos espaços da exposição “Amor Veneris — Viagem ao Prazer Sexual Feminino”.

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