Foi nas mesas da Biblioteca de Oeiras que Mónica Menezes escreveu quase todas as páginas do seu primeiro livro, há mais de uma década. A autora de 48 anos, oeirense de gema, assume que “há qualquer coisa” nesta terra que a inspira. O mar, a marginal, a praia de Santo Amaro, onde por vezes estaciona o carro apenas para escrever enquanto olha para a água. Oeiras não é apenas o lugar onde vive: é onde construiu a carreira de escritora, criou os filhos e até fundou uma empresa de bolachas com a mãe.
Nasceu em Cascais, estudou Comunicação Social na Universidade Católica e, ainda durante o curso, começou a colaborar com a revista “Caras”. Seguiram-se duas décadas a passar por várias redações e publicações: “24horas”, “Volta ao Mundo”, “Grande Reportagem”, “Expresso”, “Visão”, “P2”, além da produção de conteúdos para a RTP, incluindo o “5 para a Meia-Noite”. Hoje, define-se como escritora, formadora, mentora e criadora de conteúdos. “Passo os dias rodeada de palavras”, confessa.
A relação com Oeiras começou pela família. A mãe mudou-se para Caxias em 1992 e ela seguiu o mesmo caminho. Desde então, passou por várias freguesias do concelho: Caxias, Oeiras, Paço de Arcos e Barcarena. E desde abril de 2025 que vive em Porto Salvo.
Foi em Oeiras que criou os filhos, Tiago, de 21 anos, e Madalena, de 18. Os dois cresceram entre a praia da Torre, os parques e os eventos culturais do concelho, e parecem seguir o lado artístico da mãe. Tiago está a terminar a licenciatura em Som e Imagem na ESAD, nas Caldas da Rainha, e Madalena concluiu o ensino secundário na área de Humanidades.
O primeiro livro de Mónica Menezes foi editado em setembro de 2011, chama-se “Muito à Frente” e é um manual para adolescentes e para os pais que já não os entendem, escrito num tom cúmplice e sem paternalismos. Seguiram-se o “Guia Prático do Emigrante” (2014), com tudo o que é preciso saber para mudar de país sem sobressaltos e “99 Razões (+1) para Escrever” (2021), um livro prático para vencer o medo da folha em branco. O mais recente, “Isso Não É para Meninas”, lançado no final de 2024, reúne 40 histórias reais de mulheres portuguesas que quebraram barreiras.

Além dos títulos próprios, Mónica já assinou mais de 15 livros como ghostwriter, desde biografias a histórias institucionais e vidas que outros viveram e que transformou em palavras. Não escreve depressa e nunca se senta sem ter a primeira frase formada. Não gosta de palavras difíceis. “Gosto de analogias. Gosto de misturar humor, drama e sarcasmo”, explica.
Além de apaixonada pelas palavras, assume-se como uma verdadeira “Oeiras lover”. “Gosto do facto de ter tudo: escolas, hospital, comércio, biblioteca, jardins, transportes. Poder fazer muita coisa a pé e, claro, o mar. Amo viver perto da praia.”
Para pôr os pés na areia, a praia da Torre é a favorita. Para café e pão de queijo, escolhe o CaféLab. Para um bom matcha latte, o Unity Coffee. À mesa, destaca o YumCha, o Malagueta, o Dom Ze’viche e o Caçoila. Ao fim de semana, a escolha recai muitas vezes sobre o brunch do Violetta Café & Brunch.
Quando precisa de trabalhar fora de casa, vai para a Biblioteca de Oeiras ou para a Padaria Portuguesa do Fórum. Por vezes, estaciona o carro junto à praia de Santo Amaro e fica ali a olhar para o mar. “Se é muito confortável? Não. Se é inspirador? É!”
O carro, um New Beetle amarelo com 21 anos, é também uma presença habitual nas ruas de Oeiras. “Amo andar com ele na marginal, a apreciar o mar e as nuvens. Era da minha mãe e era verde-tropa. Quando ela quis vendê-lo, comprei-o. A revisão nunca mais acabava e, quando mo foi entregar, veio pintado de amarelo, a minha cor favorita, e cheio de balões. Foi lindo.”
Fora da escrita, há um projeto que partilha com a mãe, Paula Tomás, de 67 anos: as Word Cookies, uma empresa oeirense de bolachas artesanais criada em 2012. “Tudo começou quando decidimos fazer bolachas e compotas para oferecer à família e aos amigos como presente de Natal. Toda a gente adorou e o meu pai, que vivia em Timor, começou a sugerir que fizéssemos disso um negócio”, conta à New in Oeiras.
Paula é a Cookie, a mãe que faz magia com os ingredientes. Mónica é a Word, a filha que escreve as mensagens que fazem as bolachas chegar ao coração de quem as recebe. Feitas à mão, uma a uma, com sabores que vão da manteiga e chocolate ao caril e tomate seco, podem ser personalizadas na mensagem, no formato ou no sabor. São vendidas ao quilo, a 30€ cada um. Existem ainda receitas especiais para celíacos e diabéticos.
O atelier fica na Cruz Quebrada, onde produzem as bolachas e onde Mónica, sempre incansável, também promove eventos de escrita e dá algumas formações. O próximo evento a realizar-se no atelier é o Clube de Escrita&Scone, na sexta-feira, 27 de junho, das 15 às 17h30. Será a última edição e Mónica garante que vai ser “ainda mais bonita do que todas as outras”.
O clube nasceu quando uma amiga lhe perguntou, em 2019, porque não criava um clube de leitura. “Ficámos ali a trocar ideias até concluirmos que tempo para escrever é o que, tantas vezes, falta às pessoas.”
É um espaço seguro para escrever e comer, apenas pelo prazer de escrever e comer. A parte da comida, com scones, bolo caseiro, chá e sumo natural, fica a cargo da mãe.








