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Documentário “Thriller 40” revisita o álbum que coroou Michael Jackson como Rei da Pop

O disco continua a ser um marco na indústria. Pode assistir ao filme documental na MTV esta terça-feira, 5 de dezembro.
“Thriller” é um dos discos mais influentes de sempre.

Se procura uma boa dose de polémica sobre Michael Jackson, este documentário é o local errado. “Thriller 40”, realizado por Nelson George, é uma “celebração descarada do génio musical do artista e do álbum marcante que o impulsionou para uma estratosfera onde poucos o poderiam alcançar”, descreve a CNN.

O documentário, que celebra o 40.º aniversário de “Thriller” (sexto álbum de estúdio de Michael, lançado em 1982), apontado como um dos discos mais aclamados e lucrativos de sempre, reforça a ideia de que este trabalho merece ser recordado, por ter coroado definitivamente Michael Jackson como Rei da Pop. “Thriller 40” é, atualmente, o filme mais visto da plataforma de streaming Paramount+. Chegou a Portugal através da MTV, que o transmitiu, pela primeira vez, no passado sábado, 2 de dezembro. Será novamente exibido esta terça-feira, dia 5, às 15h20.

Recorrendo a imagens e sons de arquivo, Nelson George retrata o percurso do músico desde o pós-lançamento de “Off the Wall”, quinto álbum de estúdio de Michael Jackson, lançado em 1979 — que ganhou apenas um Grammy. O artista tinha já uma carreira de sucesso, que começou na infância com o grupo The Jackson 5, onde cantava com os irmãos, e também enquanto artista a solo. Mas desejava mais.

“Queria fazer algo que fosse muito poderoso e forte”, afirma Jackson numa das gravações áudio, aqui citada pelo “Chicago Sun Times”. “A minha atitude era apenas uma: quero fazer o álbum mais vendido de todos os tempos. Quero aperfeiçoar a perfeição”, dizia.

As entrevistas a um vasto leque de colaboradores, como o engenheiro de som Matt Forger, o guitarrista e compositor Steve Lukather e o teclista Greg Phillinganes, revelam algumas histórias divertidas sobre as gravações de “Thriller”, no Westlake Recording Studios em Los Angeles. O documentário mostra também como foram criadas algumas partes das músicas, com estes intérpretes a recriarem trechos das canções.

“Thriller 40” analisa ainda o impacto que os videoclipes do artista tiveram na cultura pop e no crescimento da MTV, mas também a batalha que Michael Jackson e a equipa tiveram para conseguir que estes fossem transmitidos.

“A certa altura, Walter Yetnikoff, então presidente da CBS Records [editora do músico], ameaçou retirar todos os artistas do seu grupo da programação da MTV caso o canal não começasse a passar as músicas de Jackson”, refere a rádio norte-americana, KQDE, que destaca uma citação do produtor.

“Gritei imenso quando a MTV se recusou a transmitir os vídeos de Michael. Eles argumentaram que o seu formato, dedicado a rock de pessoas brancas, excluía a música dele. Argumentei que eram idiotas racistas. Nunca fui tão enérgico ou desagradável”, recorda Yetnikoff, que faleceu em 2021.

A ambição do cantor traria frutos. “Thriller” foi o álbum mais vendido nos Estados Unidos da América, entre 1983 e 1984, tornando-se o primeiro disco a atingir o patamar do mais vendido em dois anos consecutivos. Atualmente, continua a deter o recorde do álbum de longa duração com mais cópias vendidas (mais de 51,2 milhões de vendas certificadas em todo o mundo). O segundo lugar é ocupado por “Back in Black”, dos AC/DC, lançado em 1980, com 30,1 milhões de vendas.

A influência de “Thriller” na indústria da música permanece omnipresente. Do impacto que os diversos videoclipes tiveram na cultura pop (e sociedade em geral) e que influenciaram muitos outros artistas que chegaram a seguir, à forma como abriu portas a outros músicos negros um pouco por todo o mundo.

Beyoncé, Justin Timberlake, Bruno Mars, Kanye West, Lil Wayne, LL Cool J, Rick Ross e Drake são apenas alguns dos artistas que hoje dominam os tops e que descrevem o Rei da Pop como uma das suas maiores influências.

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