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Do talento em campo às polémicas fora dele. Documentário sobre Ronaldinho já chegou à Netflix

A produção revisita a carreira do jogador brasileiro que, no auge, foi perdendo rendimento, muitas vezes associado ao estilo de vida boémio.

É apontado como um dos jogadores de futebol mais talentosos de sempre, mas também um dos mais comentados por aquilo que fazia fora de campo. É esse o foco da nova série documental da Netflix sobre o brasileiro Ronaldinho Gaúcho, que estreou esta quinta-feira, 16 de abril. A produção revisita a carreira do “Bruxo” (alcunha pela qual é conhecido no mundo do futebol), hoje com 45 anos, mas há um tema que volta a dominar tudo: as festas.

Dividida em três episódios, a minissérie documental acompanha o percurso do jogador desde a infância no estado de Rio Grande do Sul até ao auge no Barcelona, em Espanha, e ao declínio que se seguiu. Pelo meio, há títulos, polémicas, momentos históricos e um estilo de vida que nunca passou despercebido.

Ao longo da carreira, Ronaldinho ficou conhecido tanto pelos golos e fintas como pelas noites intermináveis. Quando jogava no PSG, em França, já surgiam críticas à rotina de festas e, mais tarde, essa imagem tornou-se ainda mais forte.

No Barcelona, viveu o melhor momento da carreira: foi eleito melhor jogador do mundo em 2004 e 2005 e conquistou a Bola de Ouro. Mas nem aí escapou às polémicas. A queda de rendimento foi muitas vezes associada ao estilo de vida boémio fora das quatro linhas, algo que a série volta a explorar.

E a verdade é que as histórias são muitas. Quando estava no Flamengo, em 2011, as festas em casa duravam dias, com música ao vivo e convidados constantes. Chegou até a tentar construir um túnel entre a casa e uma discoteca em frente, para evitar a imprensa. Não conseguiu, mas continuou a atravessar a rua na mesma.

 

Segundo o podcast brasileiro “Charla Podcast”, sobre futebol, nessa altura, tornou-se até famosa uma cláusula no contrato que lhe permitia sair para discotecas duas vezes por semana, algo raro no futebol profissional.

Já em Barcelona, a casa do jogador transformava-se frequentemente num palco de festas privadas com músicos de samba como Revelação ou Fundo de Quintal, numa rotina que misturava futebol com noites quase diárias de celebração.

Esse lado boémio acabou por marcar toda a sua carreira, que terminou em 2015, quando se afastou dos relvados. E é precisamente essa dualidade que o documentário tenta mostrar: o jogador genial que encantava multidões e o homem que nunca quis abdicar da diversão.

A questão não é nova e já lhe foi feita diretamente. Numa entrevista em 2021 à “ESPN”, perguntaram-lhe se teria sido ainda maior sem tantas festas. A resposta foi clara: “Não. Estou feliz com tudo o que aconteceu comigo. Deus deu-me muito. Tenho a sorte de ter experimentado muitas coisas boas, então não mudaria nada”.

A série também aborda momentos mais difíceis, como a prisão no Paraguai em 2020 por uso de documentos falsos, que o próprio descreve como “o pior momento” da vida, segundo declarações citadas pelo jornal brasileiro “Metrópoles”. Mas o foco principal está na carreira e nas suas escolhas. O documentário levanta uma dúvida inevitável: até que ponto o estilo de vida influenciou o percurso de um dos jogadores mais talentosos de sempre.

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