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De atuar por 50€ à estreia no NOS Alive: a viagem emocionante de Nuno Cabral

O músico tem concerto agendado esta quinta-feira, 10 de julho, no palco WTF Clubbing às 18h05. "Vou realizar um sonho".

“Não sabia qual a área que devia seguir, mas sempre soube que queria ser artista”. Foi em 2021 que Nuno Cabral decidiu entrar no curso de Jornalismo da Escola Superior de Comunicação Social (ESCS). O plano era concluir a licenciatura, mas, no fundo, o que procurava era apenas uma forma de se aproximar do mundo artístico, que sempre o fascinou.

“Desde cedo sentia que tinha este ‘bichinho’ pelo mundo do espetáculo. Sabia que queria ser artista”, confessou à New in Oeiras. “No Natal, sentava os meus avós e familiares e imitava o Michael Jackson para os entreter. Quando decidi que queria ir para a faculdade, muito motivado para agradar aos meus pais, optei por Jornalismo porque é uma área ligada à comunicação e pensei que poderia ser uma porta de entrada”, conta o oeirense, de 24 anos, que se prepara para subir ao palco WTF Clubbing do NOS Alive.

A atuação está agendada para esta quinta-feira, às 18h05, altura em que Nuno Cabral vai subir ao palco acompanhado por Mike, na guitarra, David Lopes, nas teclas, Tiago Barbosa, no baixo e backing vocals e Joe na bateria.

Da comédia à música

Da frequência do curso de Jornalismo até ao mundo da música, Nuno ainda teve uma passagem pelo universo da comédia. Isto quando começou a sentir que terminar o curso não era o caminho que queria seguir, pois o desejo era lançar-se no meio artístico. “Lembro-me que tudo ser um sacrifício, não estava bem. Deixei de ir às aulas e foi nessa altura que a comédia entrou na minha vida”, recorda.

Nuno inscreveu-se num concurso de comédia para tentar a sua sorte num ramo que, desde cedo, lhe chamava a atenção. “Apaixonei-me por comédia muito novo, com os sketches do programa “Último a Sair”, do Bruno Nogueira. Via os vídeos no Youtube e imitava as personagens”. Começaram a surgir oportunidades na área e, quando percebeu que o seu primeiro espetáculo tinha sido um sucesso, decidiu abandonar a faculdade.

“Estreei-me no Bocage, em 2022, e correu muito bem. Nessa mesma altura, estava a receber as notas de testes da faculdade, que não foram as melhores, e sentia que era mais um sinal de que não estava no sítio certo. Decidi arriscar e fazer-me à estrada”, diz. 

O começo de um sonho

Desistiu da faculdade e começou a percorrer o país a atuar. Recorda as dificuldades dos primeiros tempos, mas nunca se arrependeu. “Os meus pais não reagiram bem, até porque os primeiros espetáculos foram em Coimbra e no Porto. Tinha de lhes mentir, a dizer que ia receber muito dinheiro por cada espetáculo quando, no fundo, os 50€ de atuação iam para a gasolina que utilizava para ir para outro local atuar”, confessa.

“Nada me fazia desistir, porque era aquilo que queria. Hoje sinto orgulho no meu percurso”. Foi através da comédia que surgiu a vontade de criar algo mais e a música começou a fazer cada vez mais sentido.

“Sinceramente não consigo precisar o momento em que pensei ‘vou lançar uma música’. Era como uma pulga atrás da orelha, sentia que tinha vontade de experimentar. A minha grande inspiração são os Muse. Colocava a música deles aos berros e fazia set lists para preparar uma atuação em casa, a fingir que era um deles”.

Em 2023, lançou a primeira música, “I´m a rapper”. A escolha da letra, em tom de brincadeira, funcionou como uma ponte subtil para a transição das duas áreas artísticas, a comedia e a música. “Tanto o nome, como a letra foram uma brincadeira, queria integrar a comédia na música, também como forma de me proteger caso as coisas não corressem bem. E, ao mesmo tempo, para perceber se queria apostar nisso”. 

O ano seguinte foi de muito trabalho. Nuno lançou várias canções até ao seu primeiro concerto. Estreou-se em 2024, ao vivo no Bocage, local onde se tinha estreado como comediante. 

“As coisas começaram a evoluir rapidamente e não podia estar mais feliz. Ao lançar “Esta sensação” fiquei mais confortável neste meio e encontrei o meu estilo. Aliás, acho que foi a música mais importante, pela fase da vida em que estava e pela alegria que sinto ao ouvi-la.”

Depois de quatro concertos, Nuno Cabral vai estrear-se no palco do NOS Alive e o oeirense não podia estar mais feliz. “Dar o meu quinto concerto neste festival é uma loucura, mas encaro como uma recompensa, um prémio por me ter atirado de cabeça, sozinho, e quase como um sinal de que estou a seguir o caminho certo”.

Com oito músicas no repertório, o artista define o seu estilo como uma vibe indie e que cativa qualquer um pelo ritmo enérgico. “A minha música é um reflexo da minha personalidade, não acho que tenha melhor voz ou timbre, destaco-me por conseguir passar tudo o que sou para o público”, conta.

“Vou apresentar três novas músicas, duas delas saem no dia do concerto. Podem esperar uma atuação que passa uma energia contagiante e muito especial, até porque não poderia ser de outra forma quando se realiza um sonho”, acrescenta. 

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