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Da garagem para o NOS Alive: a banda oeirense que junta Hannah Montana ao punk rock

Os Call Me existem há seis meses e venceram o Oeiras Band Sessions. Como prémio, vão poder subir ao palco do festival. Fomos conhecê-los.

A Hannah Montana entra numa garagem em Oeiras e junta-se a um jam com os Idles. Confuso ou curioso? O resultado seria qualquer coisa parecida com os Call Me, confessam os próprios. A banda oeirense foi a grande vencedora do Oeiras Band Sessions 2026, que decorreu no sábado, 16 de maio, nos Nirvana Studios. Como prémio, vão subir ao palco das Festas de Oeiras e levar o seu rock alternativo ao palco Heineken do NOS Alive.

“Não estávamos à espera de vencer a competição: ficámos muito felizes. Antes de subir ao palco estávamos tão nervosos que decidimos dar uma chapada na cara a cada um”, contam à New in Oeiras entre risos.

Tudo começou na garagem do baixista André Nabais, 22 anos, com a companhia de Francisco Alegrio, 21 anos, guitarrista. “Somos os dois de Oeiras e conhecemos-nos no infantário. Seguimos caminhos diferentes e aos 16 anos voltámos a reencontrar-nos no secundário. Sempre gostamos de música, mas na altura não tocávamos”, explica André.

Foi durante o confinamento causado pela pandemia da Covid-19 que os dois amigos começaram a aprender a tocar os instrumentos e desde então tinham o sonho de formar uma banda. “Gravámos logo algumas músicas e fomos aprendendo a tocar”, explica Francisco.

Foram os primeiros passos dos Call Me que viriam a mudar de membros pouco tempo depois. “Assim que começamos juntou-se ao grupo um baterista e uma vocalista, mas que acabaram por sair há pouco mais de um ano”, explicam. Foi por esta altura que se juntou Vicente Ribeiro, o baterista de 23 anos, e Ava, vocalista de 26. “Eu sou produtor de música e eles queriam gravar, mas disseram-me que estavam à procura de um baterista e juntei-me. Isto foi há cerca de dois anos”, explica Vicente.

A busca por uma vocalista começou há cerca de meio ano e a chegada de Ava veio trazer “uma certa leveza ao punk rock”. “O estilo musical não tem muito a ver com aquilo que faço, mas aceitei pelo desafio, apesar de ter o meu projeto a solo”, explica Ava. “Os Call Me é como se juntassem a Hannah Montana aos Idles e lhes dissesse para terem mais calma”, afirma.

Os temas das canções da banda abordam temas que atuais, como a política, e reais, como a violência doméstica ou o vício das tecnologias. “Estamos a prepara um novo EP que sai esta sexta-feira, 22 de maio”, afirmam.

O grupo tocou pela primeira vez no palco da final nos Nirvana Studios e foi um sucesso. “Temos andado a preparar-nos há seis meses. Ainda não tínhamos tocado juntos porque desde que a Ava se juntou o foco era produzir, mas de repente fomos informados que tínhamos sido escolhidos como finalistas do Oeiras Band Sessions”, explicam.

 

 
 
 
 
 
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André e Francisco inscreveram os Call Me no concurso sem avisar os restantes membros e a surpresa foi total. “Andávamos a inscrever-nos há quatro anos, nunca pensei que nos chamassem.” De 70 bandas, a organização elege apenas três para irem à final e foi há duas semanas que souberam da notícia. “O concerto era de 20 minutos a cada banda e conseguimos tocar cinco canções, escolhemos as que estavam mais sólidas e as que gostaríamos mais de tocar”, dizem.

No final, os Call Me venceram tanto na votação do público como na decisão do júri. “Ficámos muito felizes e sentimos que agora é uma rampa de lançamento para criarmos mais conteúdo.”

Além da possibilidade de atuarem no palco das Festas de Oeiras e do NOS Alive, a banda terá um estúdio para ensaiar durante seis meses à disposição nos Nirvana Studios.

Já tocaram para mais de 10 mil pessoas na receção ao caloiro de Lisboa, no verão do ano passado, mas o palco do NOS Alive vai ser o maior desafio do grupo. “Ainda não sabemos qual é o dia, mas já estamos a preparar o espetáculo. Temos ensaiado todos os dias”, dizem. “Podem esperar um concerto com muita energia e o nosso melhor momento até agora. A definição dos nossos espetáculos é que são uma verdadeira jarda”, garantem.

Como não é só do som que se faz um espetáculo de música, o figurino assume também um papel importante na banda. “Somos disruptivos, gostamos de quebrar estereótipos e vamos apresentar-nos no palco do NOS Alive como foi na final do concurso – onde a Ava surge de fato e os rapazes com um estilo mais feminino”, dizem. O resultado de uma aposta, que seria cumprida caso os Call Me vencessem, acaba por ser também reflexo da mensagem do grupo formado em Oeiras.

“Eu disse que se ganhássemos ia atuar no NOS Alive de vestido e vou fazê-lo, porque também é essa a essência da nossa banda”, afirma André Nabais, o baixista. Como preparação, o grupo vai atuar este sábado, 23 de maio, num concurso final da Criarte, no Centro cultural em Carcavelos. “É de entrada gratuita e é o concerto ideal para quem quer conhecer o nosso trabalho”, acrescentam.

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