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Cremilda Medina: “Se não fosse cantora, talvez fosse assistente de bordo”

A cantora cabo-verdiana atua este sábado, 5 de setembro, na Fábrica da Pólvora de Barcarena.
A artista tem 29 anos.

Cremilda Medina nasceu há 29 anos na cidade do Mindelo, em São Vicente, Cabo Verde. Atualmente, é uma das vozes mais marcantes da música tradicional daquele país e vai levar as suas mornas e coladeiras a Oeiras já este sábado, 5 de setembro.

Com o álbum “Folclore” como pretexto, atua às 22 horas no Auditório ao Ar Livre do Pátio do Enxugo, na Fábrica da Pólvora de Barcarena. A entrada é gratuita e limitada a 200 pessoas, devido à pandemia do novo coronavírus. Porém, o espetáculo é também transmitido em direto pelo Facebook do Município de Oeiras.

A New in Oeiras entrevistou Cremilda Medina e ficou a saber o que esperar esta atuação, como a pandemia teve impacto na carreira da artista e como Cabo Verde continua a exportar tanto talento musical para o mundo.

Como surgiu a sua ligação à música? Cantava em criança?
Desde criança que a música sempre esteve presente em casa, através da rádio, dos discos que o meu pai trazia e das músicas que a minha mãe cantava ao fazer as lides domésticas. Eu cantava só em casa, até um dia em que participei num concurso da escola. A partir daí, comecei a ganhar mais o gosto pelo canto, e depois mais tarde, na minha juventude, vim a participar num concurso de procura de talentos musicais, onde obtive um maior reconhecimento por parte do público. A música chegou a mim de uma forma natural, assim como o gosto por interpretar que foi crescendo com o passar dos tempos. Em criança, não sonhava vir a ser cantora, muito menos que pudesse vir a ter o reconhecimento que tenho vindo a ter com o meu percurso musical. Tem sido um caminho muito gratificante.

Na sua opinião, acha que existe alguma razão específica para Cabo Verde ser um exportador tão grande de talentos musicais?
Acho que se pode dizer que em Cabo Verde a música surge de forma espontânea em cada pessoa, em cada casa. A música faz parte da cultura e do dia a dia dos cabo-verdeanos e eu não fujo à regra. Talvez a simplicidade, a humildade e a forma natural com que a música é feita e sentida por cada um leve a essa razão. Em Cabo Verde pode-se dizer que em todas as famílias existe sempre alguém ligado ao mundo da música, seja a cantar, seja a tocar um instrumento, e isso faz com que as próprias crianças cresçam nesse ambiente musical, de uma forma natural, nada é forçado.

Como tem sido a jornada de apresentação do “Folclore”?
Tem sido uma jornada muito interessante e muito emotiva. Antes da edição do “Folclore”, a expectativa era grande por parte das pessoas, felizmente o álbum tem tido uma aceitação fantástica, as pessoas cantam as minhas músicas e isso é fantástico, pois é isso que me dá forças e uma imensa alegria. Felizmente, por todos os palcos por onde temos passado com o “Folclore”, as críticas têm sido muito boas, as pessoas gostam e sinto mesmo que por vezes algumas pessoas mesmo não entendendo o crioulo, conseguem sentir e vibrar com a essência da musica, sentem a força.

Está entusiasmada com o concerto em Oeiras? Já atuou desde o início da pandemia?
Estou muito entusiasmada, pois desde o início desta pandemia tive vários concertos cancelados, o que fez com que algumas coisas tivessem de ser reajustadas. Desde o início da pandemia que tive só um concerto, no dia 13 de agosto, em Ponte de Lima, foi um concerto fantástico, carregado de nervosismo, pois já desde março que não estava em palco. Espero que no dia 5, na Fábrica da Pólvora de Barcarena, as pessoas venham, para juntos fazermos uma viagem pela tradição de Cabo Verde.

Enquanto artista, como tem sido afetada pelo impacto da pandemia?
A pandemia veio fazer com que tivesse que reajustar os planos para este ano, uma vez que, desde janeiro, apostei tudo na minha carreira. Até dezembro de 2019, conciliava a carreira musical com um outro trabalho, mas como estava tudo a correr tão bem desde a edição do álbum “Folclore” [2017], decidi dedicar-me a 100 por cento à música, também devido ao número de concertos que já tinha para este ano. Depois veio a pandemia e colocou em pausa o projeto, os concertos foram cancelados, mas não podemos esmorecer, temos de levantar a cabeça e seguir em frente.

Tem trabalhado num novo álbum?
Tenho aproveitado estes tempos mais parados para trabalhar no novo álbum que espero que possa ser editado ainda este ano, ou o mais tardar no próximo ano. Desde o ano passado que tínhamos agendado a edição do álbum para este ano, mas com a pandemia estamos ainda a analisar os efeitos que esta está a causar na cultura, nos eventos culturais, e que pode fazer com que tenhamos que repensar datas para a edição do álbum.

Se não fosse cantora, que profissão acha que teria?
Se não fosse cantora, talvez fosse assistente de bordo. [risos]

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