cultura

Chefe da Disney admite falhanço: “Temos feito demasiadas sequelas”

Bob Iger critica a estratégia da própria empresa e promete mudanças num futuro próximo.
Iger confessou todas as preocupações.

Um ano após reassumir o comando da Disney, Bob Iger admitiu um “mea culpa” e decidiu redefinir prioridades na empresa. O CEO quer revitalizar o estúdio depois uma série de desilusões nas bilheteiras, incluindo os recentes “As Marvels” e “Wish: O Poder dos Desejos”.

Iger avançou vários motivos para o recente declínio da Disney, no que toca ao cinema. Desde logo, a estratégia adotada durante a pandemia, na qual afirma que a empresa habituou o público a contar com a estreia dos filmes em streaming. “A experiência de aceder [aos filmes] e vê-los em casa é melhor do que nunca”, explicou numa entrevista a Andrew Ross Sorkin, no DealBook Summit do “The New York Times”.

“E quando se pensa nisso, percebemos que é uma pechincha. A Disney+ custa 10,99€ por mês, o que é muito mais barato do que levar toda a família ao cinema. Acho que a qualidade agora tem de ser superior para conseguirmos levar as pessoas de casa para os cinemas”, sublinhou.

Desde o lançamento do serviço próprio de streaming, no final de 2019, que a qualidade tem sido um problema para a Disney. Ao aumentar a produção para alimentar a plataforma, Iger revela que a empresa “diluiu” a qualidade de filmes e séries, especialmente no que diz respeito às obras do universo cinematográfico da Marvel. Uma culpa que atribui também às dificuldades de supervisão durante a pandemia. “‘As Marvels’ foi filmado durante a Covid-19”, explicou. “Não havia tanta supervisão no set, onde temos executivos atentos ao que está a ser feito diariamente.”

Iger deixou o cargo de CEO no início de 2020, sendo sucedido por Bob Chapek, mas continuou como presidente executivo para supervisionar a produção criativa até ao final de 2021. Regressou ao cargo em 2022, depois da demissão de Chapek.

Para o CEO, a Disney foi também vítima do seu próprio sucesso, depois de ter dominado a indústria cinematográfico durante uma década antes da Covid-19. “Não tenho certeza se outro estúdio alguma vez alcançará os números que conseguimos. Chegámos a um ponto em que, se um filme não fizesse mil milhões de dólares nas bilheteiras globais, ficávamos desapontados. É um padrão incrivelmente alto e acho que temos de ser mais realistas.”

Em 2019, a Disney foi responsável por sete dos nove filmes que arrecadaram mais de mil milhões na bilheteira global. Desde então, a empresa tem sentido dificuldades. Nunca mais voltou a ultrapassar essa barreira, com a exceção da sequela de “Avatar”.

Iger falou também sobre a necessidade de a Disney ser mais seletiva relativamente aos super-heróis da Marvel que têm direito a novas sequelas. “Não quero pedir desculpas por fazer sequelas. Algumas delas foram extremamente bem-sucedidas e boas.”

MAIS HISTÓRIAS DE OEIRAS

AGENDA