Entre as paredes seculares do Mosteiro da Cartuxa de Laveiras ecoam, há anos, concertos de orquestra e vozes de ópera, num dos espaços com melhor acústica do concelho de Oeiras. É esse património de pedra e som que a Câmara Municipal de Oeiras quer agora salvaguardar, com a abertura de um concurso público para as obras de conservação e restauro da igreja e da sacristia do conjunto monástico.
A decisão foi tomada por unanimidade na última reunião do executivo municipal e anunciada no site do Município de Oeiras na sexta-feira, 11 de setembro, com o preço base da empreitada fixado em 1,2 milhões de euros. A intervenção ganha relevância por se tratar de um imóvel classificado como Monumento de Interesse Público e pretende salvaguardar a memória coletiva, a identidade cultural e a fruição pública do património edificado.
Os trabalhos de conservação e restauro incluem intervenções nas coberturas, nos revestimentos das paredes exteriores e nos elementos pétreos, além da recuperação da escadaria e do lajeado exterior do adro da igreja. Estão também previstas sondagens arqueológicas no mesmo espaço, bem como intervenções nas caixilharias e nos gradeamentos metálicos, nos revestimentos interiores e nas instalações técnicas.
Construído no século XVII em terrenos doados por D. Simoa Godinho, o Convento da Cartuxa, cujo templo atual ficou concluído em 1736, é um dos dois únicos conventos da Ordem dos Cartuxos que existiram em Portugal, sendo o outro o Convento da Cartuxa de Évora. Desde 1903 que o espaço acolhe o Instituto Padre António de Oliveira, tendo a sua gestão sido cedida ao Município de Oeiras para reabilitação e uso cultural. É essa vocação cultural que o território tem vindo a consolidar, com eventos como o festival Operafest e concertos de orquestras que tiram partido da acústica única do antigo templo.








