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Bianca Adrião: do “The Voice” aos melhores casinos e hotéis de luxo asiáticos

A cantora oeirense regressou a Portugal após sete anos a trabalhar no estrangeiro. Está a escrever a própria música.
A cantora vive em Oeiras desde criança.

Bianca fala com paixão na voz. Daquelas paixões de quem nasceu com uma missão, e que o universo de tudo faz para que se cumpra. “Não pensava em criança que queria ser cantora. Mas era como se soubesse que esse ia ser o meu caminho e sentia-me segura.”

Aos 31 anos, a sua jornada já a levou à banda sonora da versão portuguesa do “High School Musical 2”, à primeira edição do “The Voice Portugal”, e a sete anos enquanto cantora em hotéis e casinos de países como Macau, Japão e China. Há um ano e meio, movida pelas saudades, regressou a Oeiras para ficar.

“Os meus pais nunca me castraram, mas também não acreditaram muito quando eu era miúda. Vários professores lhes diziam que eu devia ir para o conservatório, e eles achavam que eram aqueles sonhos de miúdos, quando todas queremos ser bailarinas ou cantoras [risos]”, conta Bianca Adrião à New in Oeiras.

Na família não havia músicos, porém, apesar de os pais serem católicos, os tios de Bianca tinham uma igreja evangélica em França e traziam CD de gospel que eram “devorados” pela aspirante. Aí, nasceu a sua paixão pela black music — do blues, ao gospel, passando pela soul.

No coro da sua escola, Salesianos do Estoril, era solista, no secundário, fez parte do Saint Dominic’s Gospel Choir e ganhou o concurso de talentos do Liceu de São João, onde estudava, que lhe valeu uma bolsa numa escola de música local. “Foi aí, logo com 16 anos, que comecei a cantar de forma profissional. Surgiram vários projetos, entre eles uma colaboração com os Expensive Soul e a Rádio Comercial para a versão portuguesa de um dos temas do ‘High School Musical 2′”.

Em 2011, chegava outra oportunidade que lhe trouxe “muita exposição e contactos”. O “The Voice Portugal”, na época “A Voz de Portugal”, tinha a sua primeira edição a começar, com os mentores Mia Rose, Anjos, Paulo Gonzo e Rui Reininho.

Bianca cantou “(I Can’t Get No) Satisfaction”, de Rolling Stones na prova cega e virou todas as cadeiras. “Estive muito indecisa entre o Rui Reininho e o Paulo Gonzo, mas o Paulo tem aquele lado mais blues e soul, tinha mais a ver comigo em termos musicais.”

Na final, era a única mulher e ficou em quarto lugar. Estávamos no início de 2012. Em abril desse ano, surgia então a primeira oportunidade de trabalho internacional. “Alguns membros da banda do programa contactaram-me porque iam para Macau tocar no casino Crown, onde há um franchisado do Hard Rock Cafe, e precisavam de uma vocalista.”

Após três meses, mudou-se para o hotel The Venetian, e para um “palco maior, onde cantava com dez músicos, todos de diferentes nacionalidades.” Seguiram-se Hong Kong, Tóquio, Marrocos e China. “Foram sete anos de muita ‘estaleca’, aprendi imenso e claro que foi ótimo viver aquela vida cheia de glamour, de hotéis de luxo e casinos, e sobretudo de viagens. Mas pode também ser muito solitário.”

E assim, chegamos aos dias de hoje. Bianca é agora casada com um baixista colombiano que conheceu em Macau. As saudades da família, dos amigos, do “nosso sol”, e de ter o seu próprio espaço fizeram com que voltasse, há um ano e meio, ao local onde mora desde miúda — Paço de Arcos.

Com o regresso, Bianca pretendia focar-se na sua própria música, depois de todos estes anos a ser intérprete. A pandemia desestabilizou o regresso à musica em Portugal, mas daí surgiu um novo projeto.

“Estou a trabalhar na organização de uma programação a que chamei de Music is On. É um conjunto de concertos, à hora de almoço, na praça central da Quinta da Fonte.” O objetivo é animar aquele período de intervalo dos trabalhadores do espaço empresarial, ao mesmo tempo que se cria uma plataforma de trabalho para os músicos, numa conjuntura em que as atuações sofreram um forte impacto com a pandemia.

A iniciativa acontece às terças e quintas-feiras, entre as 12h30 e as 14h15. O espaço é ao ar livre, numa zona com um relvado sintético e cadeiras. “E é giro que já começamos a ter público de fora, que não trabalha lá e que vai só para assistir às atuações.”

Os concertos têm sido em regime de duo e sempre com artistas diferentes. No próximo dia 15 de outubro, Bianca Adrião atua precisamente na Quinta da Fonte, em mais uma edição da Music is On. Segue-se um concerto, no dia 21 do mesmo mês, no restaurante Audaz Gastropub, em Campo de Ourique.

Quanto à sua própria música? “Estou a escrever e a compor a minha música. O meu marido também é produtor. Haverá novidades muito em breve.”

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