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As mulheres são os seres mais fortes do planeta. Aqui está a prova

O projeto +MULHER quer empoderar as mulheres e revitalizar-lhes a autoestima. A exposição chega a Oeiras a partir de 17 de setembro.
A exposição pode ser vista até 23 de outubro

Tudo começou no Rio de Janeiro, em 2013. Dai Moraes trabalhava numa agência de publicidade e, nos tempos livres, dedicava-se à segunda paixão: a fotografia. Tinha um gosto especial pelo estilo boudoir, que vira pela primeira vez retratada numa telenovela. Inspirada na palavra francesa que descreve o recanto privado da mulher, as sessões são normalmente sensuais, em lingerie, focadas no corpo, nas curvas e no ambiente íntimo.

Este foi o pretexto ideal para um projeto idealizado pela brasileira de 37 anos. O +MULHER é feito em parceria com uma associação de luta contra o cancro da mama.

“O cancro mexe muito com a autoestima das mulheres, não só pela perda de cabelo, mas também por causa de todas as mudanças estéticas. Tive então a ideia de criar um dia que ajudasse essas mulheres a sentirem-se bem”, recorda à NiT. Nesse dia foram dadas aulas de maquilhagem, palestras sobre empoderamento e Dai comandou uma sessão fotográfica, mas apenas com retratos. Ficou a faltar algo: a fotografia boudoir.

Quase dez anos depois, a fotógrafa brasileira, agora a viver em Portugal, cumpre finalmente esse sonho de unir os dois objetivos num só projeto. Ensaiou uma tentativa em 2019, mas nunca pôde exibir as fotografias. Agora, a partir deste sábado, 17 de setembro, a terceira edição do +MULHER chega com uma exposição na Fábrica da Pólvora, em Barcarena, concelho de Oeiras.

“Queria muito conseguir chegar a mais pessoas através desse trabalho de boudoir, um trabalho sensível, de empoderamento feminino, de resgate da autoestima”, explica. Em exibição estarão os retratos sensuais de dez mulheres, todas elas marcadas pela vida, em diferentes circunstâncias — mas todas elas orgulhosas das marcas que ficaram no seu corpo.

Catarina Oliveira, por exemplo, ficou paraplégica aos 27 anos e hoje dedica parte dos seus dias a educar os portugueses para a importância das acessibilidades. Outro caso é o de Andreia Lima, que com 29 anos terá que carregar um saco de colostomia durante o resto da vida e que o faz com orgulho — mesmo que esteja em lingerie, à frente da câmara de Dai. As histórias inspiradoras repetem-se.

Uma dessas histórias é mais cara à fotógrafa brasileira. “Em 2014, a minha mãe descobriu que tinha um cancro do reto. Passou por um período muito complicado e, durante algum tempo, teve que usar um saco de ostomia e isso mexeu com a autoestima dela”, recorda. “Ela nem ouviu que tinha cancro. Estava fixada no saco.”

Entretanto, a mãe livrou-se da doença e mudaram-se para Portugal, onde Dai voltou a tentar ensaiar o projeto +MULHER em 2019, numa edição que recolheu relatos (e imagens) por cá e pelo Brasil. Contudo, o projeto nunca foi exibido.

“O objetivo era o de fazer tudo o que estou a fazer agora. Depois veio a pandemia e parámos”, recorda. “Já que não consegui fazê-lo nessa altura, decidi tentar novamente. Mudamos o formato e resolvi não focar apenas no cancro.”

Acabou por conhecer outras mulheres com histórias distintas. Algumas delas chegaram mesmo através das sessões boudoir, outras contactou-as pelas redes sociais. Aos poucos, reuniu um grupo de 10 histórias inspiradoras.

Cada uma delas foi protagonista da sua própria sessão, com a lingerie a ser fornecida pela Dama de Copas. Mas não era suficiente. “As histórias são muito fortes. As fotografias são visualmente fortes, mostram-nos mulheres fora do padrão de beleza imposto pela sociedade, mas não nos contam as histórias, que achei que poderiam ter mais impacto em vídeo”, explica.

Foi para dar esse complemento que contou com a ajuda da Janela Discreta. “Acredito que o som e as imagens em movimento têm uma força que não se compara a mais nada”, explica Joana Mouta, criadora dos vídeos exibidos na exposição. “Fiz entrevistas a cada uma destas mulheres, algumas nem sabiam o quanto precisavam de contar a sua história.”

O projeto tem também o apoio e patrocínio da Coloplast, a empresa dinamarquesa de cuidados de saúde íntima. “Atuamos nas áreas de ostomia e incontinência. São situações difíceis e constrangedoras para as pessoas que precisam desses cuidados”, explica Cindy Perella, responsável de marketing. “Mais do que vendas, procuramos dar qualidade de vida e por isso é que este projeto faz tanto sentido para nós. É um projeto cem por cento social para nós e não temos dúvidas de que encaixa na nossa missão e valores”, acrescenta Ricardo Maio.

O projeto +MULHER está em exposição a partir deste sábado, 17 de setembro, na Fábrica da Pólvora, onde se irá manter em exibição até 23 de outubro. A entrada é gratuita.

Carregue na galeria para ver algumas das fotografias do projeto.

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